O Vale do Loire é conhecido mundialmente por abrigar centenas de belos castelos. Mas não é só isso que essa região francesa tem a oferecer. Lá você também encontra bons vinhos, deliciosos queijos, lindas cidades históricas e excelentes rotas de bicicleta.

Saiba tudo sobre o Vale do Loire – onde fica, suas principais cidades, quais castelos visitar, como ir etc – no nosso artigo.

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O Vale do Loire na França

O início do período áureo do Vale do Loire — que nos deixou como legado as centenas de castelos renascentistas que hoje fazem a fama da região — é marcado pelo fim da Guerra dos 100 Anos, por volta de 1450.

Alguns anos antes, Joana d’Arc havia liderado a batalha que pôs fim ao domínio inglês sobre essa parte da França. A partir desse momento, os reis franceses, encantados com a beleza da região, transferiram a capital do reino para o Vale do Loire, mais precisamente para Tours. A aristocracia, para manter a proximidade, seguiu os passos da corte e também se instalou na região. O resultado: castelos e mais castelos.

Desde 2000, o Vale do Loire está inscrito na lista do Patrimônio Mundial da Unesco devido a vários motivos:

  • Pela riqueza de seu patrimônio arquitetural, sobretudo seus castelos.
  • Pelas cidades históricas tais como Blois, Chinon, Orléans, Saumur e Tours.
  • Pela paisagem cultural ao longo do rio Loire.
  • Pelo cultivo da terra, testemunho da interação do homem com o seu meio ambiente ao longo de 2 mil anos de história.
  • Pela história inscrita em seus monumentos: expressão dos ideais da Renascença e do Iluminismo, base do pensamento e da criação da Europa Ocidental.

Vale do Loire mapa

A distancia entre Paris e o Vale do Loire é de cerca de 200 km. A região se espalha por 280 km, ao longo de parte do rio Loire (o mais longo da França), entre as cidades de Sully-sur-Loire e Chalonnes-sur-Loire.

mapa vale do loire

Mapa do Vale do Loire, que se estende da cidade de Sully-sur-Loire até Chalonnes-sur-Loire. Clique aqui ou na imagem para ampliar.

Principais cidades do Vale do Loire

  • Tours

Maior cidade do Vale do Loire, Tours foi capital da França de 1430 a 1530. Geralmente é a porta de entrada para quem pretende visitar a região vindo de Paris.

O que visitar em Tour: o centro histórico, chamado Vieux-Tours, reúne os quarteirões mais antigos da cidade, nascidos entre o período romano e o século 14. Esses quartiers são: Saint-Gatien, Saint-Martin, Saint-Julien, Notre-Dame-la-Riche e Saint-Pierre-des-Corps.

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Plave Plumereau, em Tours, principal cidade do Vale do Loire. Foto de L. de Serres no Facebook do Office de Tourisme de Tours

  • Blois

A cidade mais populosa do Vale do Loire. Em 1498, com a coroação do rei Louis XII, Blois – mais especificamente o Castelo de Blois — passa a ser a residência real principal dos reis da França.

O que visitar em Blois: o castelo de Blois (leia sobre ele mais abaixo); os Jardins do Rei; os Jardins de l’Évêché; a escadaria Densi-Papin; Maison de la Magie (Casa da Mágica).

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Blois, no Vale do Loire. Foto de Jean-Philippe Thibault e Joël David no site oficial da cidade de Blois

  • Amboise

A história da cidade se confunde com a de seus dois principais castelos: o castelo real — que domina Amboise do alto de seu platô, e onde residiram os reis Charles VIII e François I — e o castelo de Clos Lucé, onde Leonardo da Vinci passou seus últimos dias.

O que visitar em Amboise: os castelos de Amboise e Clos Lucé (leia sobre eles mais abaixo); a Torre do Relógio; a igreja Saint-Florentin e a capela Saint-Jean.

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Amboise, no Vale do Loire. Foto de Gillard&Vincent

  • Orléans

Durante a Idade Média era, junto com Paris e Rouen, uma das cidades mais ricas da França, graças a sua posição privilegiada às margens do o rio Loire, então um importante eixo de navegação e de transporte de mercadorias.

Orléans está intimamente conectada à figura de Joana d’Arc que, em 1429, liderou a batalha que recuperou a cidade das mãos dos ingleses.

O que visitar em Orléans: a Catedral Sainte-Croix, o Museu de Belas Artes; a Casa de Joana d’Arc.

  • Chinon

Devido à sua posição geográfica privilegiada, Chinon teve um papel defensivo importante na época áurea do Vale do Loire. Ao redor da cidade é produzido o famoso vinho de mesmo nome.

O que visitar em Chinon: a Fortaleza Real e a cidade fortificada aos seus pés; a Collégiale Saint-Mexme; a capela Sainte Radegonde; as igrejas Saint-Etienne e Saint Maurice.

  • Angers

Capital histórica do ducado de Anjou, Angers foi um dos centros intelectuais da Europa no século XV.

O que visitar em Chinon: o castelo-fortaleza medieval (leia sobre ele mais abaixo) e sua famosa Tapeçaria do Apocalipse.

 


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O que fazer no Vale do Loire?

Nosso infográfico faz um resumo do que fazer no Vale do Loire. Clique aqui ou na imagem para baixá-lo.

Nas seções seguintes desse artigo, destrinchamos cada uma das atividades citadas.

infografico vale do loire

O que fazer no Vale do Loire. Clique aqui ou na imagem para baixar.

Castelos do Vale do Loire

O Vale do Loire tem a maior concentração de castelos no mundo. Ao todo, são nada menos do que 300! Não por acaso, a região é conhecida como o Vale dos castelos na França e eles são as grandes estrelas.

Dentre esses, 11 castelos reais e 21 castelos da nobreza são considerados de grande importância histórica e arquitetural.

Castelos reais

  • Chenonceau, o mais romântico castelo da França

Muitos castelos são rodeados por lagos ou foram construídos próximos aos rios. Mas Chenonceau é o único castelo construído literalmente sobre as águas do rio Cher.

chenonceau vale do loire

Vista aérea do castelo de Chenonceau. Foto de Marc Jauneaud no site oficial Chenonceau

Além da beleza arquitetural do castelo, o domínio (que não é grande) conta ainda com um lindo pequeno jardim à francesa.

E não é apenas o cenário que faz de Chenonceau o castelo mais romântico da França. O castelo foi o epicentro da louca história de amor entre o rei Henrique II e Diane de Poitiers, sua amante. Antes de visitar Chenonceau, não deixe de saber mais sobre essa incrível história de amor.

  • Chambord, o castelo símbolo do Vale do Loire

Chambord é o maior e o mais famoso castelo do Vale do Loire, e o terceiro maior da França. Símbolo da Renascença Francesa, começou a ser construído em 1519, por determinação do Rei François I. O término da construção ocorreu um século depois, durante o reinado de Louis XIV.

chambord vale do loire

Chambord. o maior castelo do Vale do Loire. Foto de Filipe Xavier

Chambord não foi idealizado para servir como residência real, mas mas sim como um castelo para a prática da caça. E, pasmem! François I se hospedou apenas 50 dias no castelo!

Não se sabe ao certo quem foi o arquiteto que concebeu o projeto. Sabe-se apenas que Leonardo da Vinci desenhou a escada em dupla hélice, obra prima e ponto central do castelo.

Alguns número permitem se ter uma dimensão do castelo:

    • 426 cômodos (60 abertas ao público)
    • 282 lareiras
    • 83 escadas
    • 4.500 objetos de arte
    • Mais de 300 salamandras, emblema do reinado de François I, esculpidas nos tetos e nas paredes do castelos.
    • O terreno da propriedade, com 5.440 hectares, é protegido por um muro de 32 km. Do tamanho da cidade de Paris, é o maior parque intra-muros da Europa.

A floresta, onde os reis da França caçavam, hoje está aberta ao público e, no outono, é um espetáculo à parte.

O Castelo de Amboise, construído originalmente no século XI como fortaleza, passou a pertencer à família real francesa somente em 1431. Uma vez nas mãos reais, o castelo tornou-se um dos favoritos dos soberanos franceses.

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castelo de Amboise, um dos berços do Renascimento na França. Foto de Mat Distef no Flickr

Graças ao rei Charles VIII, nascido e criado em Amboise, que traz consigo de uma viagem à Itália inúmeros mestres-artesãos italianos para trabalhar na reforma de Amboise, o castelo se torna um dos berços do Renascimento na França.

O Terraço de Nápoles abriga o primeiro jardim renascentista do Vale do Loire, do final do século XV, e possui três mirantes com vista para o Loire. Seu criador, o jardineiro Dom Pacello da Mercogliano, abandona a tradição medieval do jardim enclausurado e inova abrindo janelas para a paisagem.

Os restos mortais de Leonardo da Vinci estão enterrados na Capela Saint-Hubert, também construída durante o reinado de Charles VIII.

O Castelo de Blois apresenta um magnífico panorama da arte e da história dos castelos do Vale do Loire. Suas 4 alas, ao redor de um pátio, formam um exemplo único da evolução da arquitetura francesa dos séculos XIII ao XVII. O edifício evoca, através de sua diversidade de estilos, a vida de 7 reis e 10 rainhas da França.

castelo blois vale do loire

O pátio interno do castelo de Blois e as alas Renascentista (à esquerda) e Gótica (à direita)

As 4 alas e seus estilos arquitetônicos são:

    • A fortaleza medieval do século XIII onde fica a sala dos Estados Gerais.
    • A ala gótica de Louis XII, do século XV, onde fica o Museu de Belas Artes que possui no seu acervo obras de Ingres, Rubens, Boucher etc.
    • A ala renascentista de François I, do século XVI, onde estão os aposentos reais: o quarto e a galeria da rainha, a sala e o quarto do rei, a sala do conselho, a sala dos Valois etc.
    • A ala clássica de Gaston d’Orleans, século XVII.

No exterior merecem destaque: o pátio interno, o terraço Foix, a praça em frente à entrada do castelo e os jardins que, hoje em dia, não fazem mais parte do castelo..

 


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Castelos da nobreza:

  • Cheverny, o castelo do Tintim

Para quem já leu as Aventuras do Tintim, Cheverny vai lhe parecer familiar. O castelo foi a inspiração de Hergé, o autor do gibi, para o château de Moulinsart, a casa de campo do personagem Capitão Haddock.

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Castelo de Cheverny. Foto de dvdbramhall no Flickr

Projetado pelo arquiteto Jacques Bougier entre 1620 e 1640, o atual castelo foi precursor do estilo francês que ganhou força no reino de Louis XIV. Nessa época, sobriedade e simetria passaram a ser as palavras de ordem. Hoje, é o maior castelo privado ainda habitado do Vale do Loire. A família, que é proprietária do castelo há mais de seis séculos, reside no local até os dias atuais, em uma ala fechado ao público.

O grande destaque é a decoração interior com mobiliário preservado do século 17, que testemunha da art-de-vivre à la française.

  • Clos Lucé, a última moradia de Leonard da Vinci

Clos Lucé foi propriedade real – onde a família real francesa passava os verões – de 1490 até o fim do século XVII passando, em seguida, para as mãos da nobre família Amboise. O castelo foi a última moradia de Leonardo da Vinci que ali passou os últimos 3 anos de sua vida, de 1516 a 1519, a convite do rei François I.

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Vista aérea do castelo de Clos Lucé. Foto de Gillard et Vincent

Em Clos Lucé visitamos a Sala do Conselho, a cozinha, o oratório de Ana da Bretanha, o quarto de Marguerite de Navarra e o quarto onde morreu Leonardo da Vinci. Esses dois últimos foram restaurados em 2011 e decorados com móveis de época e objetos de várias origens.

Quarenta modelos produzidos pela IBM com base nos desenhos de Leonardo da Vinci são exibidos em quatro salas no porão. Animações em 3D também são apresentadas nas salas dos modelos. Elas dão vida às invenções de Da Vinci e nos permitem entender como elas funcionam.

No parque do castelo, chamado Parque Leonardo da Vinci, foi criado um percurso cultural onde encontramos 20 máquinas gigantes construídas a partir de esboços feitos pelo pintor. O jardim, chamado O Jardim de Leonardo, reproduz a natureza vista em seus quadros e possui uma ponte de dois níveis, feita também a partir de um esboço do artista.

  • Azay-le-Rideau, o castelo-ilha

Construído sobre uma ilha no rio Indres, Azay-le-Rideau é dos um dos símbolos da arquitetura da Renascença Francesa. Originalmente um forte medieval, o castelo foi inteiramente reformado no século 16, ganhando o estilo da época.

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Azay-le-Rideau, o castelo-ilha. Foto de Luis Sanz no Flickr

Ao contrário de Chambord, o castelo e seu domínio são pequenos, podendo ser facilmente visitado em conjunto com outro castelo da região.

  • Ussé, o castelo da Bela Adormecida

Ussé não apenas parece um castelo de conto de fadas, ele de fato o é – afinal foi o castelo que inspirou Charles Perrault a escrever o conto da.

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