Berlim

Berlim

Uma amiga querida se mudou para Berlim recentemente e então resolvi unir o agradável ao agradável e fui passar meu aniversário lá. Apesar de já ter visitado a cidade em outras duas ocasiões, essa foi a primeira vez que fui à Berlim depois de estar morando em Paris. Posso dizer que isso fez toda a diferença na percepção e vivência da cidade.

Eu nunca fui muito bom em racionalizar o que eu vivo e vejo. Isso virou uma prática mais diária depois que comecei a escrever para o Conexão Paris. Agora preciso por as experiências no papel, traduzir os sentimentos (e o conhecimento) em palavras.

O primeiro sentimento que surgiu quando cheguei em Berlim foi um alívio enorme. Percebi o quanto Paris pode ser uma cidade sufocante e opressora na sua beleza e organização metódica; nos seus prédios alinhados, da mesma altura e cor, com suas decorações e frufrus. “Excesso de fofura”, como eu costumo dizer ao me referir a certas coisas e pessoas. Não que Berlim seja caótica ou feia. Mas ela é variada, misturada, assumida. A cicatriz do muro esta lá para quem quiser ver.

Essa sensação de alívio vem também da organização espacial da cidade que é bem mais “espalhada”, menos densa e mais fluida que Paris. Há mais espaços vazios/livres e menos gente. As ruas são mais largas. As estações de metrô são quase desertas. Não tem catraca, não tem barreiras, não tem portas de saída que só abrem de dentro pra fora. Porém existem fiscais, não uniformizados como os da RATP francesa, mas à paisana. Dizem que, às vezes, para pegar os espertinhos no flagra, eles se disfarçam como casais de namorados…

Se os parisienses são famosos pela sua elegância e savoir-faire no vestir podemos dizer que os berlinenses são um povo simples, básico, à vontade beirando o desleixado. O estilo das pessoas é sóbrio e casual.

Uma das coisas que mais me chamou a atenção na cidade foi o piso dos playgrounds infantis nos parques e praças. Em Paris, esse piso é de material sintético macio que amortece as crianças quando elas caem. Em Berlim esse piso não existe. Se a criança cai, ela cai no bom e velho chão de terra que, inclusive, estava um lamaçal.

Se em Paris é difícil encontrar cafés e restaurantes com conexão wi-fi, em Berlim é praticamente impossível. Acho que eles já estão vivendo em uma sociedade pós-hipster. Mesmo nos cafés moderninhos não há wi-fi. O uso de laptops é proibido em alguns deles e há avisos pedindo aos pais que “domem” seus filhos pequenos.

Parece que Berlim é uma cidade “na dela”, vivendo sua vida tranquilamente sem se importar com as aparências ou com o que pensam a seu respeito. Ao contrário de Paris, que é uma cidade muito “metida”.

Mas todas essas minhas impressões e sensações podem ter sido somente aquele alívio que a gente sente quando chega em uma cidade que não é a nossa. Aquela sensação de liberdade extrema sem medo do ridículo.

Como ir de Paris até Berlim

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