Os vinhos da Borgonha são os melhores do mundo —  é o que dizem muitos especialistas. Mas o que faz a fama destes vinhos? Nesse artigo nós te contaremos tudo sobre os vinhos da Borgonha!

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Vinhos da Borgonha em tonéis

Vinhos da Borgonha guardados em tonéis na Cave Patriarche, em Beaune. Foto de Filipe Xavier

O que você vai encontrar neste post?

  • Uma breve apresentação dos vinhos da Borgonha.
  • Uma breve apresentação da região. Afinal, os vinhos são indissociáveis de seu terroir.
  • E, por fim, vamos ajudar você a planejar uma viagem de sonhos à Borgonha: na Rota dos Grands Crus ou na região de Chablis

Os vinhos da Borgonha: uma breve apresentação

A região da Borgonha, na França, se situa no centro-leste do país. Dijon, sua capital, fica a 314 km de Paris.

São seus vinhos, e não suas belas paisagens, que fazem a região ser conhecida mundialmente. 

A Borgonha produz vinhos tintos e brancos, e ambos são muito apreciados. Em termos de produção:

  • 59% dos vinhos são brancos
  • 30% são tintos e rosés
  • 11% são crémants (nome dado aos vinhos espumantes franceses que não são produzidos na região da Champagne).

Os vinhos tintos da Borgonha

Entre os vinhos tintos da Borgonha, a estrela é o Pinot Noir. A região também produz vinhos tintos de outras uvas, como o Gamay, mas em muito menor quantidade.

Vinhos da Borgonha: Gevrey Chambertin e queijo Epoisses durante piquenique na região.

Vinhos da Borgonha: Gevrey Chambertin e queijo Epoisses durante piquenique na região. Foto: Filipe Xavier

O Pinot Noir é uma cepagem frágil e difícil de ser cultivada. Mas, em função do seu clima continental e do seu solo calcário, a Borgonha (mais especificamente, a sub-região conhecida como Côte d’Or) reúne as características ideais para a cultivo dessa uva.

Os vinhos brancos da Borgonha

Entre os vinhos brancos da Borgonha, o Chardonnay é o rei.

Ao contrário do Pinot Noir, o Chardonnay é uma uva facilmente adaptável. Por isso, a encontramos nos quatro cantos do mundo. Mas é no solo de calcário argiloso da Borgonha que o Chardonnay revela toda a sua majestade.

Os Chardonnays da Borgonha são produzidos em diversas sub-regiões, como a famosa Chablis, a prestigiada Côte de Beaune e, menos conhecida, a Macônnais. Bem adaptado a todas elas, o Chardonnay da Borgonha acaba variando bastante em estilo de acordo com a sub-região.

Além do Chardonnay, o Aligoté representa 6% dos vinhedos da Borgonha. Muito menos famoso e prestigiado do que o Chardonnay, o Aligoté é uma antiga cepagem francesa que começa a re-ganhar interesse e notoriedade.

Além de ser um ótimo aperitivo e uma excelente opção para acompanhar as refeições, o Aligoté é o vinho que deve ser usado na preparação do Kir, a famoso aperitivo francês borgonhês feito a base de licor de Cassis e vinho branco.

Em qual taça tomar os vinhos da Borgonha?

Na França, ao pedir um Borgonha, provavelmente o garçom irá trazer uma taça especial, ideal para a degustação desses vinhos.

A taça deve ter o fundo arredondado e o parte superior afunilada. Esse formato permite a liberação e a concentração do aroma na parte superior da taça, oferecendo uma experiência olfativa aguçada.

Vinhos da Borgonha: a taça ideal tem o fundo arredondado e o topo mais fechado.

Vinhos da Borgonha: a taça ideal tem o fundo arredondado e o topo mais fechado. Foto: Filipe Xavier

 


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Os vinhos da Borgonha: como comprar? Quais escolher?

É impossível conhecer os vinhos da Borgonha sem entender, em linhas gerais, como se organiza a produção. Então, vamos lá:

  • Os “climats” da Borgonha

A região da Borgonha é um mosaico de pequenas parcelas de vinhas, o que dificulta bastante o entendimento sobre os vinhos da região.

Cada uma dessas parcelas equivale a um climat, nome dado a um pedaço de terreno específico, cuidadosamente delimitado há séculos.

Atenção, climat não significa clima!

Cada climat tem sua própria condição climática e geológica. E cada vinho produzido em cada um dos climats tem um gosto e uma característica própria. Sendo que é possível ter mais do que um viticultor produzindo em um mesmo climat!

Vinhos da Borgonha: climats e clos

O mosaico de climats e clos da Borgonha é uma das características da linda paisagem viticultura da região. Foto: Filipe Xavier

Ao contrário das demais regiões, a Borgonha sempre privilegiou a identidade de seus climats — e não do domínio (produtor) ou do vilarejo.

Essa forma de identificação pode dificultar as coisas, mas testemunha o savoir-faire da região. Não a toa, em 2015, os climats da Borgonha foram classificados Patrimônio da Humanidade da Unesco.

1.247 climats da Borgonha, concentrados em 60 km da Côte D'or, são hoje considerados Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Mapa dos vinhos da Borgonha: 1.247 climats da Borgonha, concentrados em 60 km da Côte D’or, são hoje considerados Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

  • Mas então como identificar um bom vinho da Borgonha?

Nossa primeira dica é: inclua na sua próxima viagem à França uma visita à Borgonha (veja abaixo roteiro pelas vinícolas da Borgonha).

Ao passear pelas vinícolas da Borgonha, não apenas você poderá degustar os vinhos, como você irá passar por vilarejos e clos que dão nome aos vinhos mundialmente famosos. E aí será beeeem mais fácil, depois, se lembrar e identificar os vinhos.

Mas, obviamente, você não precisa fazer uma viagem internacional para poder escolher qual vinho da Borgonha comprar. Uma forma de se orientar é pelas Apelações de Origem Controlada.

  • O que são as AOC (Apelações de Origem Controlada)?

Você já deve ter ouvido nos Grands Crus, que é uma das Apelações de Origem Controlada (AOC).

AOC é um selo que permite identificar um produto fabricado em uma área geográfica específica e de acordo com o know-how reconhecido.

Na Borgonha, especificamente, é a combinação das singularidades dos Climats com a cultura humana milenar da produção de vinhos.

Vinhos da Borgonha: Chambertin é uma Apelação de Origem Controlada da Borgonha.

Vinhos da Borgonha: Chambertin é uma Apelação de Origem Controlada da Borgonha.

Escolher um vinho AOC não é uma garantia, mas já é um bom caminho. Afinal, você terá a certeza de que a produção é de qualidade e que seguiu o processo tradicional. Na Borgonha, existem quatro níveis de AOCs, sendo elas:

    • Vinhos da Borgonha com apelação Regional

Essa é a primeira apelação, que corresponde a 53% da produção. Denomina — a grosso modo — algumas sub-regiões da Borgonha. Exemplo: Mâcon Villages, Coteaux Bourguignons.

    • Vinhos da Borgonha com apelação Village

Segunda apelação, denomina os vilarejos produtores de vinhos da Borgonha. 36% dos vinhos produzidos na Borgonha são de apelação Village. Exemplo: Pommard e Nuits-Saint-Georges.

    • Vinhos da Borgonha com apelação Premier Cru

Segunda apelação, os Premier Crus já são vinhos com preço bem mais elevado e representam apenas 10% da produção. Denominam os climats de maior qualidade dentro dos Vilarejos. Na garrafa do vinho, o nome do Vilarejo vem acompanhado do nome do Climat. Exemplo: Beaune Clos du Roi ou Beaune Clos Saint-Landry.

    • Vinhos da Borgonha com apelação Grand Cru

Primeira apelação, denomina os climats de exceção, a elite dos vinhos da Borgonha, os tops. Para se ter uma ideia da exclusividade desses vinhos, os Grand Crus representam apenas 1% da produção total de vinhos da Borgonha. Na garrafa do vinho, o nome do Vilarejo desaparece, tendo apenas o nome do Climat. Exemplo: Corton, Corton Charlemagne, Charlemagne, Montrachet.

Na Borgonha, juntando as quatro denominações acima, existem 84 apelações, sendo:

  • 7 regionais
  • 44 Villages e Premier Crus
  • 33 Grands Crus

Curiosidade: apesar da produção de vinhos da Borgonha representar apenas 4% dos vinhos franceses, as Apelações Controladas representam 23% do total de AOCs da França. Ou seja, a Borgonha é sinônimo de qualidade, e não de quantidade.

Você pode ver a lista de todas as apelação de vinhos da Borgonha aqui.

Para quem está iniciando nesse universo, são muitos nomes e nomenclaturas, não é fácil. Por isso, visitar a região, na nossa opinião, continua sendo a melhor opção. Enquanto isso, veja essa lista do jornal Le Figaro com uma seleção de alguns ótimos vinhos da Borgonha, de todos os preços.

  • Romanée Conti: um dos grandes vinhos da Borgonha

Romanée-Conti é um vinho Grand Cru, produzido pelo Domínio Romanée Conti, ou simplesmente DRC, em um vinhedo também chamado de Romanée-Conti no vilarejo de Vosges-Romanée.

Não apenas o mais caro, o Romanée-Conti é para muitos o melhor vinho do mundo. Com uma produção minúscula, de apenas 6 mil garrafas (numeradas) por ano, o preço da garrafa, no site Wine Searcher, varia entre 3 mil euros e 26 mil euros.

Além do mitológico vinho, o Domínio Romanée Conti produz outros sete rótulos, todos eles Grands Crus, sendo:

    • 6 tintos (La Tâche, Richebourg, Romanée-St.-Vivant, Échezeaux, Grands Échezeaux e  Corton);
    • 1 branco, produzido em Montrachet.

 


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A Rota dos Grands Crus: um roteiro pelas vinícolas dos vinhos da Borgonha

Nada melhor do que tomar os vinhos da Borgonha na própria Borgonha! Então, vamos à melhor parte deste post: a rota dos Grands Crus!

O que é a Rota dos Grands Crus na Borgonha?

A Rota dos Grands Crus é um circuito turístico de 60 km que liga Dijon a Santenay, passando por Beaune e mais 38 vilarejos produtores.

O nome se dá porque essa região concentra o maior número de apelações Grands Crus de toda a Borgonha, incluindo vinhedos míticos como o próprio Romanée-Conti, o Clos de Vougeot etc.

A Rota dos Grands Crus, na Borgonha.

A Rota dos Grands Crus, na Borgonha. Foto: Filipe Xavier

Ao percorrer a Rota dos Grands Crus, você irá conhecer a região da Côte d’Or, que tem duas principais regiões viticultoras:

  • Côte de Nuits:

Nesta prestigiosa rota, você vai passar por vinhedos mundialmente famosos como Romanée-Conti, Clos de Vougeot Chambertin. Esse pequeno trecho, que vai de Dijon a Corgoloin, produz nada menos do que 24 Grands Crus, entre os 33 da Borgonha! 

  • Côte de Beaune:

Ao entrar na Côte de Beaune, você vai descobrir os míticos vinhos brancos da Borgonha, como o Corton CharlemagneMeursault e o Montrachet. Apesar de  produzir sobretudo Chardonnay, os tintos ainda se fazem presente em grande estilo. Nesse trecho, que vai de Corgoloin a Santenay, você vai degustar tintos como Pommard e Nuits-Saint-George, por exemplo.

A Côte d’Or na Borgonha

A Côte d’Or (que significa Costa de Ouro), na Borgonha, tem esse nome graças ao dourado das folhas das vinhas durante o outono. Foto: Filipe Xavier

As duas principais cidades da Rota dos Grands Crus:

  • Dijon:

Capital gastronômica da Borgonha, a cidade tem um lindo centro histórico. Classificado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, o centro ainda guarda os vestígios dos palácios da Idade Média e um rico acervo arquitetônico. Compacto, o centro pode ser visitado rapidamente.

Rota dos Grands Crus: o lindo centro histórico de Dijon pode ser visitado rapidamente.

Rota dos Grands Crus: o lindo centro histórico de Dijon pode ser visitado rapidamente. Foto: Filipe Xavier

Mas, atenção, não deixe de visitar o mercado de Dijon, para conhecer algumas das iguarias da Borgonha como o queijo Époisses, os escargots, as trufas, as mostardas (Dijon!) etc.

Clique aqui e pesquise hotéis em Dijon.

Rota dos Grands Crus: Mostarda de Dijon.

Rota dos Grands Crus: Mostarda de Dijon. Foto de Filipe Xavier

  • Beaune:

Se Dijon é a capital gastronômica da Borgonha, Beaune é a capital dos vinhos. Com pouco mais de 22 mil habitantes, a cidade é um importante centro de produção e de comercialização.

O grande monumento da cidade é o famoso Hospice de Beaune. Construído em 1443 como um hospital para as pessoas carentes e desfavorecidas, este é um dos edifícios mais bem preservados da arquitetura gótica flamboyant na França.

Rota dos Grands Crus: o Hospice de Beaune e seu lindo telhado.

Rota dos Grands Crus na Borgonha: o Hospice de Beaune e seu lindo telhado. Foto de Falcon do Pixabay

Em 1457, o hospital recebeu sua primeira doação de vinícolas como parte de uma herança, e essa tradição de perpetuou por cinco séculos. Hoje, a propriedade conta com 60 hectares de vinhas, todos eles doados, sendo 50 dedicadas ao Pinot Noir e o restante ao Chadornay. Os vinhos são produzidos por 22 produtores escolhidos a dedo pela administração do empreendimento.

A cada ano, no terceiro domingo de Novembro, acontece o leilão do Hospice de Beaune, que atrai milhares de visitantes de todo mundo. Organizado pela Christie’s, todo o lucro é revertido para a compra de novos equipamentos para o hospital e a manutenção do edifício histórico.

É possível visitar o edifício, que abriga um museu que retraça a história do hospital.

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Como percorrer a Rota dos Grands Crus?

Existem várias maneiras de percorrer a rota dos Grands Crus da Borgonha.

1) A Rota dos Crus de bicicleta com o Conexão Paris & Viagens: a opção inesquecível!

Percorrer a Rota dos Grands Crus de bicicleta é, sem a menor dúvida, a melhor maneira de conhecer a região.

O Conexão Paris & Viagens — a agência de cicloviagens do Conexão Paris — oferece esse passeio de abril a outubro. Você irá percorrer a rota em pequenos grupos, com guia brasileira. Em 3 dias, você irá de Dijon até Santenay de bike, passando por Beaune e por todos os lindos vilarejos da rota.

Além da região ser majoritariamente plana, as cicloviagens são feitas em bicicletas elétricas. Ou seja, não é necessário ser nenhum atleta. Basta saber andar de bicicleta e estar em boas condições de saúde.

Rota dos Grands Crus na Borgonha: percursos exclusivos para bicicletas e passeios a pé.