Paris é formada por 20 distritos, os chamados arrondissements. Em volta de Paris, há uma imensa periferia, formada por centenas de pequenas cidades – algumas lindas e agradáveis, outras difíceis e violentas.

Se hospedar em Paris mesmo (ou seja, em um dos 20 arrondissements da cidade) já é uma vantagem imensa. Não importa em que bairro esteja, você vai sempre estar a no máximo 500 metros de uma estação de metrô.

Sei que às vezes o turista se hospeda fora de Paris, nas cidades que se encontram após o Anel Periférico. Se esta escolha for ditada por questões econômicas, a solução é válida. Neste caso veja se o hotel se encontra perto de uma estação do metrô parisiense. Certas linhas cruzam a fronteira da cidade e vão até as cidades vizinhas.

Mas às vezes, o turista se encontra do outro lado do periférico por falta de informações ou por informações incorretas. Uma regra fácil é verificar o código postal do endereço do hotel. Os CEPs parisienses começam todos com o número 75. Ou seja, 75001 é o primeiro arrondissement; 75002, o segundo e assim por diante, até 20.

Onde eu não me hospedaria em Paris

Eu não me hospedaria em Montmartre. Bairro romântico com ruelas e escadas, bares, restaurantes e boates. Bairro com personalidade forte e interessante. Mas não me hospedaria aí por duas razões. Quem a conhece sabe bem que esta área está afastada de todos os pontos turísticos. Que para pegar metro ou ônibus é necessário subir escadarias e contornar ruelas. Que a estação Abbesses não é fácil com seu elevador lento e sujo.

Quem o conhece sabe também que este bairro atrai uma população boêmia, jovens animados e divertidos mas também grupos sociais complicados. Sobretudo a parte mais turística do bairro, aquela que fica nas proximidades da igreja Sacré-Coeur. O turista brasileiro, já estressado com a violência do Brasil, pode se sentir ameaçado.

Eu evitaria também os limites da cidade. Estes hotéis que estão na divisa entre Paris, o periférico e as cidades vizinhas e que se encontram perto das Portas de Paris: Porte de Clichy, Porte de la Villette etc. Não que a situação seja perigosa, simplesmente porque estes endereços também estão afastados dos centros turísticos e estas regiões não são agradáveis. Estas áreas limítrofes tendem a serem apropriadas por aqueles que foram expulsos do centro. Quando ainda frequentava os escritórios de atendimento aos estrangeiros e fazia fila durante horas para pedir a permissão de residência no solo francês, me encontrava nestes espaços periféricos que escondem o que não deve ser visto.

Acho que com calma e muita pesquisa o turista pode encontrar um hotel mais central por preços equivalentes aos destes hotéis.

A discussão está aberta.