Por Diego Milatz

Foi lendo o artigo Os Franceses e a música, publicado no dia 30 de junho de 2015, no qual a Lina diz que Jean-Jacques Godman é o cantor preferido dos franceses mas que ela nunca tinha ouvido falar dele, que me veio a ideia de apresentá-lo a vocês.

Surgido na cena musical francesa no início dos anos 80, Jean-Jacques Goldman de cara agradou a toda uma geração de franceses apesar das violentas críticas do mundo jornalístico. Compositor ímpar, letrista inteligente e intuitivo, cantor de voz aguda e poderosa, ele é, aos olhos dos franceses, o artista que melhor conseguiu unir o brilho do show business e a discrição pessoal.

Sua primeira canção “Il suffira d’un signe” fez um sucesso considerável mas foi dois anos mais tarde, com seu segundo disco, que o cantor explodiu nas paradas de sucesso com músicas como “Quand la musique est bonne”, “Comme toi” e “Au bout de mes rêves”. O altruísmo e a moderação são qualidades que ele não cansa de valorizar tanto nas suas canções quanto na sua vida. Em virtude disso, Jean-Jacques Goldman se tornou um cantor adulado e inevitável.

Goldman possui um repertório rico em canções de melodias viciantes, que grudam nos ouvidos na primeira audição e cujas letras são diretas, sem concessões, que falam a todo mundo. Mesmo após mais de trinta anos da sua estreia, Jean-Jacques Goldman continua fazendo parte do Top 3 dos artistas que mais vendem discos na França. A marca Goldman está tão presente na paisagem musical francesa que a nova geração de artistas franceses lhe prestou uma homenagem: “Génération Goldman”, disco duplo com 14 músicas cada, todas interpretadas por jovens cantores pop franceses. O resultado foi incrível, com mais de  um milhão e meio de cópias vendidas.

https://www.youtube.com/watch?v=nh-EXPkhnlA

Pouco à vontade com a celebridade, Jean-Jacques Goldman decidiu, no auge da sua glória, se associar ao amigo e guitarrista Michael Jones e à Carole Fredericks (cantora estadunidense que fez backing vocals para vários artistas) para criar o trio “Fredericks, Goldman, Jones”. Os quatro discos que eles gravaram (2 de estúdio e 2 ao vivo) fizeram um sucesso fenomenal e deixaram Goldman com uma aura ainda mais mágica.

https://www.youtube.com/watch?v=pILr63sjAP4

Cantor humanista e muito envolvido com associações de caridade, ele doa a elas seu tempo, dinheiro e talento. Compositor do hino oficial da “Restos du coeur”, a mais conhecida associação beneficente francesa, ele também participou da criação do espetáculo anual de TV “Les enfoirés”, que ele organiza, faz os arranjos e dirige. Todo o lucro do disco e do vídeo desse evento são integralmente revertidos àquela associação.

Sabe a Céline Dion? Ele compôs dois discos da cantora, entre eles o famoso “D’eux”, que vendeu mais de 10 milhões de cópias no mundo todo. Audição imprescindível. É o casamento de uma voz extraordinária com um músico e letrista atemporal.

Sem alarde, há 10 anos, Jean-Jacques Goldman pôs fim a 23 anos de carreira. Curiosamente ele ainda é a personalidade mais popular da França. O “chefe” da canção francesa, como muitos o apelidaram, virou cantor por obrigação pois ele não conseguiu encontrar intérpretes para suas canções em 1981. Devemos admitir que frequentemente é o acaso que faz as coisas mas, quando a música é boa, quem vai reclamar?

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