Diego é um querido amigo parisiense. O nome, ele ganhou da mãe espanhola e a paixão pela música francesa foi construída ao longo da vida entre Paris e a Provence. Convidamos Diego para nos apresentar seus artistas favoritos. Hoje, publicamos o terceiro  post. O texto foi escrito em francês. Abaixo, nossa tradução livre.

Por Diego Milatz

Se há uma cantora na França que seja “à parte”, ela é Mylène Farmer, um valor inevitável da paisagem musical francesa.

Nascida na França, ela viveu no Canadá até os oito anos. Foi descoberta em 1984, em um concurso de rádio organizado por Laurent Boutonnat, que se tornou seu parceiro musical para o resto de sua carreira. Sua primeira canção “Maman à tort”, que narra o seu amor por uma enfermeira, fez um grande sucesso e demonstrou, instantaneamente, que a cantora tinha algo de especial. Foi nesse momento que ela escolheu seu nome artístico “Farmer”, em homenagem à atriz americana Frances Farmer que teve um destino trágico.

O reconhecimento público chegou em 1986 com o lançamento de sua canção “Sexy” e de dois fatos marcantes: a metamorfose física (ela tornou-se ruiva, o que a distinguia de todas as outras cantoras francesas da época) e, principalmente, o vídeo para esta canção (dirigido por Laurent Boutonnat), um verdadeiro filme de curta-metragem que revolucionou o mundo dos vídeos de música na França. Será que ela inspirou Michael Jackson?

Dois anos depois vem a consagração com o lançamento do álbum “Ainsi soit je” e a canção que fez dela um ícone gay: “Sans contrefaçon je suis un garçon” (Sem falsificação eu sou um menino). Outra canção notável no álbum é “Pourvu qu’elles soient douces” (continuação de “Libertine”) cujo videoclipe é novamente uma sensação por causa do seu conteúdo e sua duração de 16 minutos. Além disso, já distinguimos a marca registrada “Farmer”: textos fortes escritos por ela mesma com temas especiais: sexo, morte, religião ou amor.

Em 1989, Mylène Farmer se apresenta pela primeira vez ao vivo e já outra revolução está a tomar forma: um show roteirizado, coreografado, estetizado; em suma um show “à l’americaine” como jamais visto na França. A marcar “Farmer” é reforçada e todos os seus shows são cada vez mais grandiosos e impressionantes. Alguns gostam de chamá-la de “a Madonna francesa”. A partir desse momento, todos os seus discos vendem milhões de cópias e todos os ingressos para seus shows se esgotam em minutos.

Ele se torna uma superstar na França e na Europa após o lançamento de seu terceiro álbum “The Other” e sua canção “Désenchantée”. Este álbum ainda é o segundo disco feminino mais vendido na França (depois de “D’eux” de Céline Dion) e “Désenchantée” seu single mais vendido.

https://www.youtube.com/watch?v=XazOkXRTyR4

Este disco é o meu favorito e possui canções tanto melancólicas como dinâmicas: “Je t’aime mélancolie”, particularmente mordaz e “Beyond my control”, cujo videoclipe fez um escândalo. Ouça também a canção “L’autre”, com fragâncias que misturam amor e amizade, canção perturbada de emoção que me traz pessoalmente um monte de lembranças….

Infelizmente, este sucesso incrível é manchado por um acontecimento trágico. Naquela época, um fã totalmente louco matou a sangue frio a recepcionista da gravadora da cantora porque ela se recusou a dar-lhe o endereço de seu ídolo. A partir daí, Mylène Farmer se torna cada vez mais discreta na mídia e se afasta do mundo do showbiz. Ele concede poucas entrevistas, faz poucas promoções de seus discos e se resguarda no silêncio, deixando apenas suas canções falarem. Ela até mesmo se recusou a ter um site oficial. Este comportamento certamente poderia atrapalhar sua carreira. Mas, pelo contrário, ela tornou-se um ícone verdadeiramente místico à qual seu público dedica um verdadeiro culto.

Tivemos que esperar quatro anos para que seu álbum seguinte “Anamorphosée” fosse lançado. Gravado na Califórnia, o álbum de sonoridade mais rock é uma pausa na carreira de Mylène Farmer. Embora as vendas tenham sido difíceis na época do seu lançamento, o álbum é finalmente um triunfo e dá vida às canções que se tornaram cult hoje: “XXL”, “L’instant X”, “California”, “Rêver”.

Embora alguns meios de comunicação dizerem que Mylène Farmer não atinge mais o sucesso de quando começou, a venda de seus cinco outros álbuns de estúdio provaram o contrário.

Além disso, os shows cada vez mais incríveis, nos maiores locais da França, todos esgotados, demonstram que ela ainda tem um público muito grande. Até o momento, ela é a única cantora francesa a ter enchido o “Stade de France” (2009).

Alguns críticos afirmam que a sua “estratégia do silêncio” é inteligentemente calculada para manter seu público fiel encantado. Outros dizem que ele não tem uma voz extraordinária e que ela seria até mesmo fraca.

Eu não acho. A duração de uma carreira depende principalmente do talento do artista, e não de qualquer estratégia. Mylène Farmer, na minha opinião, é apenas tímida. Quanto à sua voz, eu qualificaria de sobrenatural, mesmo hipnotizante. Poucos artistas na França, depois de trinta anos de carreira, desencadeiam tanta paixão. Isso não é uma coincidência.

Na decisão de dedicar este post ao ídolo Mylène Farmer, mesmo que eu nunca tenha sido um grande fã embora goste de várias de suas canções, eu descobri composições soberbas, letras particularmente tocantes e uma cantora com emoção e sensibilidade que permanecerá para sempre gravada em nossas almas e em nossos corpos.

Sou agora oficialmente um fã deste ruiva divina e espero sinceramente que vocês também se tornem.

Escute a playlist Conexão Paris – Deezer com músicas de Myléne Farmer:

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