Diego é um querido amigo parisiense. O nome, ele ganhou da mãe espanhola e a paixão pela música francesa foi construída ao longo da vida entre Paris e a Provence. Convidamos Diego para nos apresentar seus artistas favoritos. Hoje, publicamos o terceiro  post. O texto foi escrito em francês. Abaixo, nossa tradução livre.

Por Diego Milatz

Este mês, eu gostaria que vocês descobrissem uma cantora francesa muito talentosa e que não teve, infelizmente, todo o sucesso que ela merece.

Com pai de origem russa e mãe de origem marroquina, Véronique Rivière é autora, compositora e intérprete de todo seu repertório. O que a caracteriza particularmente, além da sua voz calorosa, é a delicadeza do seu texto. Seus textos, esculpidos como diamantes e de uma realidade desconcertante, contam estórias universais que são endereçadas à cada um de nós. Ela domina perfeitamente a arte do “jogo de palavras” que consiste em utilizar palavras diferentes para dizer uma única coisa.

Ela começou sua carreira nos anos 1980 com um primeiro tube “À Part Ted”, canção denunciando com muito humor o apartheid. Esta canção ritmada é uma característica do paisagem musical francês dos anos 1980. Trata-se de um som particular que nós reencontramos em outros artistas da mesma época. Vocês precisam absolutamente ver o vídeo abaixo, uma verdadeira jóia.


Véronique Rivière – A Part Ted by chubbydebu

Em 1989 ela edita um álbum que fará enorme sucesso. Este álbum chamado “Tout Court” é cheio de canções todas elas tão originais quanto sedutoras. Uma delas conta a história de uma mulher que decide abandonar seu companheiro atraído pelo álcool. O texto domina perfeitamente a técnica do jogo de palavras ou da imagem: “je quitte le navire, désolée, capitaine, si le chant des sirènes vous attirent si fort, moi je veux revenir au port / Eu abandono o navio, sinto muito capitão, se o canto das sereias te atraem tanto, quanto a mim, eu quero voltar para o porto”. Um assunto doloroso mas tratado com muita poesia.

Em 1996, seu belo álbum “En vert et contre tout” ganha o Grande Prêmio da Academia Charles Cros, uma instituição francesa muito conhecida e que recompensa obras musicais originais e de qualidade na área da canção, da música popular ou erudita.

Abandonada pelos editores que a consideravam muito “velha” e seu trabalho muito literário, Véronique Rivière muda de vida e se instala no sul da França para se ocupar de cavalos. Mas um talento como este não é totalmente esquecido e ela volta alguns anos mais tarde com álbuns da mesma força.

De fevereiro 2009 até março 2010, ela toca e canta na comédia musical intitulada “Je m’voyais déjà”. Esta comédia foi escrita em torno de canções de Charles Aznavour. Ela obteve um grande sucesso.

Seu último álbum, de 2011, possui sonoridades intimistas e textos elaborados, um álbum que nos torna mais leve.

Lúcida, meiga e generosa, Véronique Rivière é uma artista rara, admirada pelos profissionais sem portanto atrair a mídia. Sutil e inteira, ela é uma cantora que merece toda a nossa atenção.

Escute a playlist Conexão Paris – Deezer com músicas de Véronique Rivière:

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