O mundo nos parece mais interessante e divertido quando o interpretamos através de lendas e sinais que nos revelam os bastidores ou o futuro. Conheça duas superstições francesas.

Cena do meu primeiro jantar na casa de franceses. Entre insegurança e curiosidade, enfrentei a situação. Meu francês era acadêmico, quer dizer, lia sem problemas a literatura especializada em ciências sociais, história, sociologia, economia, ciências políticas, sem a capacidade de me colocar ou de me defender na língua coloquial.

Foi neste universo de trocas estreito que percebi a primeira superstição francesa. Após ter articulado alguns bonsoir, merci, très contente… ousei pedir o sal – le sel s’il vous plaît – ao homem sentado à minha direita. Com a mão suspensa, esperei o saleiro que não me foi entregue. Ele foi colocado à mesa, suficientemente perto para que eu pudesse alcançá-lo e à uma certa distância para evitar toda transmissão direta. A mão suspensa e o momento de hesitação revelaram ao companheiro de mesa meu desconhecimento deste detalhe da cultura popular francesa.

Sal derramado! (foto: Nenov Brothers no Shutterstock)

Entre as superstições e crenças universais, me parece que a proibição de passar o saleiro de mão a mão nunca fez parte do quotidiano brasileiro. A explicação histórica poderia ter tido sua origem no custo elevado, na antiguidade, deste precioso produto. Essencial à vida humana e animal, o sal era sagrado e tratado com cuidados especiais. Seu transporte e armazenamento era controlado e codificado. Colocar o saleiro sobre uma mesa estável diminuiria os riscos de deixá-lo cair ou de derramá-lo.

Alguns anos mais tarde, no interior da França, o proprietário de um pequeno albergue me explicou mais uma lenda. O pão – presente na mesa desde do café da manhã até o jantar – nunca pode ser colocado ao inverso. Todo pão possui um lado plano, uma base. Pôr o pão na mesa com a base plana para cima nos colocaria imediatamente na lista de espera de desgraças e aborrecimentos. Eu tinha pego, sem prestar atenção, uma fatia de pain de campanhe na cestinha de pães do café da manhã e colocado em cima da mesa com o lado plano para cima. Pronto, o mal já estava feito. Fui alertada apenas para não provocar mais o destino.

A explicação talvez esteja no fato de que os padeiros, antigamente, separavam o pão destinado ao carrasco o virando para cima. O pão “virado” ficou para sempre associado à maldição.

O mundo nos parece mais interessante e divertido quando o interpretamos através de lendas e sinais que nos revelam os bastidores ou o futuro. Como é bom acreditar que um vasinho de espada de São Jorge colocada na entrada da casa nos colocará em situação de proteção e segurança.

Pena que tenhamos entrado na era do desencantamento.

Vaso com espada de são jorge (foto: no Shutterstock)

Bibliografia:

Le Livre des Superstitions, Eloise Mozzani.

Légendes et Mystères des Régions de France, Eloise Mozzani.

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