Natália Bravo – historiadora brasileira que propõe percursos históricos a pé por Paris – faz um balanço dos seus primeiros seis meses de parceria com o Conexão Paris e descobre que seu maior público são as mulheres. Seu artigo conta um pouco da história de algumas delas.

Por Natália Bravo de Souza

Prezadas e prezados leitores do Conexão Paris,

Gostaria de dedicar a vocês o meu texto desse mês tão especial, em que completo os meus primeiros seis meses de parceria com o blog. Início de uma nova etapa de vida e de trabalho, em Paris, que me permitiu observar e também refletir um pouco sobre o perfil dos turistas que procuram roteiros históricos: quem são, de onde vem, o que buscam majoritariamente em suas viagens.

as mulheres e o turismo

Place de l’Opéra, ponto de partida do passeio histórico ‘A Paris dos Impressionistas’

Meu trabalho me permite o privilegio da troca, da conversa, do contato com pessoas sempre ricas em histórias, sempre muito interessantes. E também me permite aprender, enquanto ensino. Aprender com os repertórios super variados de quem participa dos tours: arquitetos, advogados, economistas, médicos, escritores. Cada contribuição que é dada é absorvida e enriquece os percursos seguintes. E a partir dessa colcha de retalhos, formada pelo somatório de cada uma dessas histórias, é possível refletir um pouco (por que não?) sobre a sociedade brasileira, nas suas transformações e nas suas permanências: como historiadora, tenho aqui o privilegio e a possibilidade de pensar, de refletir sobre uma micro-história dos costumes brasileiros, a partir dessa perspectiva e desse lugar.

Mulheres, enfim.

Ainda que seja impossível definir um perfil homogêneo dos visitantes de Paris interessados em história (e essa é, também, a riqueza desse trabalho), um dado curioso e muito interessante tem chamado a minha atenção: ele diz respeito à quantidade de mulheres, sozinhas ou acompanhadas de outras mulheres, que participam dos meus percursos. As mulheres são, é inegável, o meu maior público: mulheres jovens, mulheres solteiras, mulheres mais velhas, mulheres casadas, com filho, sem filho. Com netos. Mulheres divorciadas. Mulheres, enfim. O que isso nos conta sobre a história, sobre a sociedade brasileiras? Muita coisa!

1001 mulheres

A primeira cliente que tive nos meus percursos históricos foi uma mulher: ela se chamava Graciele. Vinha de São Paulo, e escolheu fazer dois percursos no mesmo dia: Paris da Revolução Francesa e Hitler em Paris. Conversamos bastante: ela me contou que o marido viera a trabalho, e ela aproveitara a oportunidade para acompanhá-lo. Tinha, portanto, a liberdade de montar seu próprio roteiro, de focar nos seus interesses. Aquela viagem era um pouco só dela. Naquele momento eu ainda não sabia, mas essa era apenas a primeira das muitas histórias envolvendo turismo e mulheres que eu viria a conhecer. 

Depois da Graciele, passei muitas e muitas tardes na companhia de outras turistas, como a Daniella, juíza, mãe e casada, que dessa vez veio a Paris sozinha, disposta a aproveitar cada minuto de uma semana planejada de forma cuidadosa, nos mínimos detalhes, de verdadeira imersão cultural. Aulas de história, concertos de jazz, museus, exposições. Um roteiro pensado sob medida. Só pra ela. E como a Maria. Uma senhora que veio visitar a neta na Europa e escolheu passar a tarde aprendendo, também, sobre a Revolução Francesa. Naquele dia a neta e o filho iriam para a Disney:

– Ah, não. Vou tirar o dia de hoje pra fazer o que eu quero, ela nos confessou. 

Como também a Sabrina, em viagem por vários países da Europa e com apenas um dia em Paris:

– Fico aqui só o dia de hoje, acabei de entrar no site do Conexão Paris e achei você! Se ficasse mais tempo faria os outros percursos, adoro a temática da Segunda Guerra Mundial!

Gare Saint Lazare, uma das paradas do passeio histórico ‘A Paris dos Impressionistas’

E como a Mariana, que veio a um congresso médico na Europa e aproveitou para dar uma passada em Paris, (re) visitar a cidade, os amigos e – por que não? – aprender história. La pelas tantas, depois de muita conversa, descobrimos que havíamos estudado na mesma escola, no Rio de Janeiro! Ou como a Lilian, que veio com a filha adolescente e escolheu um percurso que pudesse interessá-la. Revolução Francesa! Ou mesmo como a Débora, que vinha passar alguns dias em Paris com a mãe e com a irmã, que mora nos Estados Unidos.

Mas também como a Thais, que trouxe a mãe com ela, numa verdadeira viagem de aventura do conhecimento. Antes de fazer a reserva, ela me escreveu um longo texto explicando de onde vinha o seu interesse pela história, pela arte, pela cidade. Queria fazer os percursos da Revolução Francesa e dos impressionistas. Além disso, iria a Giverny e ao Museu Orsay. No percurso dos impressionistas, a Thais conheceu a Patrícia, que estava em Paris a trabalho e tinha enorme interesse pelo assunto: arte, cidade, história. Fez ajustes na agenda e encaixou o percurso, de última hora.

Ou como a Marianne, que veio acompanhada da irmã, das filhas, da amiga. Os maridos ficaram no Brasil. E elas vieram viajar. E aprender. E muito! Sobre o impressionismo, a Revolução Francesa, os reis da França. Arte, literatura, história. Foram três dias de tanta imersão, de tanta troca, de tanta conversa que ao final eu pensei comigo mesma: vou sentir saudades delas!

E ainda como a Inês, a Monica, a Maria Eliza, a Virginia, a Claudia, a Patrícia, a Katia… a lista de mulheres com quem compartilhei os meus últimos meses é infinita. Mulheres que decidiram. Que escolheram. Que resolveram. Que planejaram. Que dedicaram. Que ajustaram. Mulheres. Escrevendo suas histórias em primeira pessoa. Protagonistas. De outras histórias. Bem diferentes das histórias do tempo das nossas avós. 

Fenômeno social

O olhar para cada uma dessas pequenas histórias, em conjunto, nos permite compreender melhor a existência de um fenômeno social ainda recente. E muito, mas muito positivo. Nele, as mulheres aparecem com menos amarras. Menos impedimentos. Sem medos. Sem estigmas. Mulheres que seguem (ou não) escolhendo para si a vida conjugal, os filhos, a família. Sem que com isso se vejam obrigadas a renunciar a si próprias. Continuam sendo as Marianas, as Patrícias, as Danielas…

E eu, que estou em Paris a estudo e a trabalho, e que compartilho os dias e os metros quadrados do meu pequeno apartamento com a Malu, minha filha, fico imensamente feliz de apresentá-la, a cada dia, a essas mulheres e a essas histórias tão inspiradoras. A esses exemplos, de mulheres fortes, de mulheres interessantes, de mulheres que estão pra muito além dos clichês que ainda existem ao nosso respeito. Que adoram viajar em família, mas não abrem mão de uma viagem pensada apenas para elas. Que compram maquiagem, sapatos, perfumes, mas também compram conhecimento. Vocês são incríveis. E a vocês eu deixo o meu muito obrigada!

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