Mictório da discórdia na Ilha Saint Louis em Paris.

O assunto pode parecer fútil ou de mau gosto, para a Prefeitura de Paris a questão é essencial. Como impedir os “épanchements d’urine sauvages”. Dito em português, como impedir as efusões de urina selvagens pelas ruas de Paris?

Várias soluções foram testadas e algumas deixadas de lado. Muros pintados com tintas “repelentes de urina”, provocando um retorno do líquido sobre as pernas dos homens. Eficaz mas caro demais. Muros cobertos por espelhos, a prefeitura apostando que o ato de incivilidade refletido seria um fator de dissuasão. Totalmente ineficaz, solução abandonada. Multa de 68 euros aplicada se diante de um flagrante delito. Eficaz, mas impossível colocar um agente da prefeitura abordando os homens antes que fechem a braguilha.

Uritrottoir nas ruas de Paris

Enfim, a quarta solução é uma coisa chamada uritrottoirs, uma caixa de plástico colorido contendo um sistema de colheita da urina. O dispositivo possui sistema de controle de odores e um termômetro que anuncia quando o reservatório está cheio. Mais tarde a urina é transformada em adubo.

No início, quando os primeiros uritrottoirs foram instalados ao lado das estações ferroviárias e perto de ruas conhecidas pelos seus bares, todos acharam a solução inteligente. Quer dizer, enquanto os objetos ficaram escondidos em áreas menos nobres da cidade, tudo bem.

Mictório na ilha Saint Louis

Acontece que a Prefeitura acabou de instalar um objeto desses na Ilha Saint Louis, em um dos pontos mais nobres da cidade, perto da Notre Dame, ao lado de mansões deslumbrantes.

A reação dos habitantes foi imediata. Não é para menos. Imagine as pessoas que moram nos imóveis por perto, acostumados a verem barquinhos passeando pelo Sena. Agora elas veem os gestos masculinos necessários para esvaziar a bexiga.

Mesmo os turistas estão consternados. Ao chegarem na ilha, atraídos pelo seu aspecto romântico, eles descobrem esse mictório sem nenhum recurso que possibilite uma certa intimidade. Conclusão, desvio de olhares e sensação de constrangimento diante dos utilizadores que desabotoam a braguilha e urinam diante de todos.

As reações na mídia são numerosas e divertidas. Minha preferida é a reação das mulheres francesas: “será que os homens possuem uma bexiga frágil? Por isso fazem xixi na rua? Por que eles não conseguem seguir o nosso exemplo: segurar, entrar em um bar, pedir um cafezinho, ir ao banheiro?

Mictório na Ilha Saint Louis e seu logotipo

Outros comentários.

. “Se os uritrottoirs se generalizam, eles se tornarão um novo símbolo da capital. Não evocaremos mais Paris pelas belas imagens da torre Eiffel e do Arco do Triunfo, mas pelas representações de um grosseiro personagem inundando, publicamente, um cubo de plástico vermelho”.

. “Grande classe… passear por Paris olhando os caras urinar”.

. “Não vejo a necessidade de colocar algo tão imodesto e feio em um local tão histórico”.

. “Os homens não podem se controlar? Toda a sociedade é obrigada a se adaptar à falta de controle? Um absurdo, ninguém precisa urinar na rua”.

Ontem os jornais noticiaram a retirada do mictório da ilha.

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