Os franceses não tomam banho. Esse é um dos estereótipos que nós, brasileiros, gostamos de colar nos franceses. Mas é verdade?

Antes de mais nada devemos dizer que os brasileiros são os campeões ou participam da lista dos campeões da higiene corporal mundial.

Os franceses tomam banho, mas não com a mesma frequência e rigor do que nós, brasileiros. Isto é uma verdade. Mas este não é um privilégio dos franceses. O europeu, de maneira geral, toma menos banhos do que nós.

Ao longo desses anos morando em Paris e em outros países, e convivendo com gente do mundo todo, fomos aos poucos entendendo o porquê dos europeus não serem obcecados com banho, como nós somos.

Por exemplo, os pediatras por aqui aconselham não lavar o recém-nascido todos os dias porque seria nocivo para a pele delicada do bebê. As crianças crescem, e algumas mães continuam não dando banhos diários nos filhos, sob recomendação médica, para não causar problemas de alergia de pele. Assim se instalam os hábitos dos adultos.

Para a França temos dados históricos que poderiam nos explicar os hábitos atuais.

A primeira variável seria de ordem médica e o melhor exemplo histórico é ilustrado pelo grande Louis 14, o monarca que transformou Versailles em um magnífico castelo e que tomou durante toda sua vida 2 a 5 banhos “inteiros”. Para mascarar os odores, ele possuia vários métodos como espalhar perfume pelo corpo e roupas e trocar de roupa várias vezes por dia, o chamado “banho seco” (leia aqui).

Franceses não tomam banho

Louis XIV

Como explicamos mais abaixo, o que está na base da questão da higiene corporal hoje, na França, é o medo da água quente ou o medo do banho.

A medicina antiga acreditava que a sífilis e a perda do apetite sexual pudesse ser transmitida pelo banho. Com a peste, surgiu a teoria que o banho quente dilatava os poros e  facilitava a “entrada dos vírus”. Por ordem médica, a sujeira acumulada na pele era recomendada a todos como meio de proteção contra qualquer doença. A água quente virou motivo de medo e de morte.

E a igreja deu a sua contribuição para o desaparecimento da higiene denunciando o banho como sendo imoral.

A partir deste momento, o uso da água seria limitado às partes livres do corpo como as mãos e o rosto. Um banho de corpo inteiro passou a ser uma raridade.

Quando conversamos, hoje, com amigos nascidos na França sobre as diferenças de higiene entre brasileiros e franceses, eles nos lembram uma outra variável, desta vez ligada às diversas guerras européias e mundiais. Durante estes difíceis momentos, quando os alimentos ficaram raros e caros e que o aquecimento era um luxo inacessível, a higiene corporal deixou de ser uma preocupação essencial. Temos um amigo que era criança durante a segunda guerra mundial. Um dia nos relatou que seu primeiro banho verdadeiro, o corpo inteiro ensaboado, foi tomado aos 17 anos. Justificou o fato pelas vicissitudes da guerra e, mais tarde, pela ausência de água quente e banheiro nas casas das famílias de agricultores do interior da França.

Mas no meio urbano, nos belos apartamentos do final do século 19 em Paris, como explicar a ausência de banheiros e de banheiros confortáveis ?

A resposta deve estar nos hábitos existentes nos séculos passados e que impediram que o banho se tornasse, como para nós brasileiros, um hábito, uma necessidade mesmo, essencial.

Mas, aos poucos, as coisas vão melhorando e o banho hoje é algo muito mais comum do que há 50 ou 20 anos atrás. Talvez pela globalização. Ou porque aos poucos as antigas casas estão sendo reformadas, e duchas vão sendo instaladas nos banheiros. Ou talvez os médicos, aos poucos, começam a recomendar banhos com mais frequencia. Mas, que somos mais asseados do que os europeus, isso não há a menor dúvida.


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