Quem pretende visitar os jardins e a casa de Monet em Giverny ainda esse ano é melhor se apressar. Estamos nas últimas semanas de funcionamento do local que fica aberto somente até o dia 1° de novembro (incluso). Depois só em abril de 2016…

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Os jardins de Monet em Giverny (foto: Rúbia Rezende)

A Fernanda Hinke, responsável pelos tours de bike e de street-art do Meia Noite em Paris, propõe também um passeio imperdível aos jardins e à casa de Claude Monet (leia aqui). Ele combina a visita ao local com uma deliciosa pedalada entre as cidades de Vernon e Giverny. O último passeio da estação acontece no dia 28/10, não percam!!!

O passeio inclui ainda a visita ao ateliê do artista impressionista, Patrick Hans, que mora em Giverny desde 1990. Durante a visita Hans, muito simpático e carismático, fala um pouco sobre sua vida, sua inspiração como pintor impressionista, suas técnicas, seu processo de trabalho etc…

Em uma dessas visitas Fernanda entrevistou Hans que nos conta um pouco sobre sua história, Giverny e Monet.

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O pintor Patrick Hans em frente ao seu atelier em Giverny (foto: Rúbia Rezende)

Por Fernanda Hinke

Patrick Hans, artista autodidata, nasceu em Paris em 1947 e, assim como Claude Monet, pintou seu primeiro quadro na Normandia. Seu ateliê/galeria fica a poucos metros da casa de Monet. Ali estão expostos alguns de seus trabalhos pintados nas quatro estações do ano em Giverny e em outras regiões da França.

Ele é o único artista impressionista atualmente morando e trabalhando em Giverny e tem uma licença para entrar nos jardins de Monet, mesmo quando a casa está fechada para o público.

Hans é apaixonado por música clássica e sempre pinta ao som de algum grande compositor, para ele essas são duas coisas indissociáveis. É muito comum chegarmos ao seu ateliê e estar tocando a sexta sinfonia de Beethoven. Por isso a vernissage da retrospectiva de sua carreira, que vai acontecer no final de 2016 no Museu de Belas Artes da cidade de Aras, terá a apresentação da Orquestra Filarmônica.

Tendo pintado mais de 2.000 quadros, Hans já participou de mais de 80 exposições individuais e coletivas no mundo inteiro. Uma de suas obras (disponível em seu ateliê) já foi exposta no Salão do Grand Palais.

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O pintor Patrick Hans (foto: Rúbia Rezende)

1 – Por que Monet escolheu Giverny?

Foram 3 razões. A primeira razão é que ele estava fugindo das pessoas para quem ele devia dinheiro. Monet gostava dos prazeres da vida, ele gastava muito, mas ainda não ganhava muito dinheiro em 1883 quando se mudou pra cá. O segundo motivo é que ele pegou o trem em Vernon e desceu na primeira estação que na época era Giverny e achou o lugar lindo. E o terceiro, talvez a razão pelo qual ele viveu 43 anos de sua vida em Giverny, é porque ele achou a luz do lugar muito particular, muito fina.

2 – Então foi por conta da luz particular que Monet pintou grande parte de suas obras em Giverny?

Monet não pintou tanto assim em Giverny. Ele fez muitas viagens para outras regiões da França e para o exterior, viagens que as vezes duravam 6 meses. Em Giverny ele pintou algumas de suas séries como: As Ninféias, As Manhãs na Beira do Sena, A Árvore Álamo (peulier em francês). Muitas obras ele começava em outro lugar e terminava em seu ateliê em Giverny.

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Patrick falando sobre Monet para os participantes do passeio de bike (foto: Rúbia Rezende)

3 – O Jardin de Monet poderia ser em outro lugar da França?

Eu acho que não porque as flores que estão aqui são adaptadas à região, à terra e ao clima. Talvez na região central da França ele poderia ser feito com algumas adaptações. Exitem 2 jardins que foram recriados com ajuda de técnicos franceses, um no Japão e um nos EUA. É bom dizer que nem todos os visitantes vêm a Giverny por causa de Monet, mas sim para visitar um belo jardim.

4 – Você considera Monet o seu mestre?

Para mim não existe mestre. Com o passar dos anos, você mata a figura paterna do mestre para você mesmo ser o seu próprio mestre.

Mas Monet era sem dúvida o artista mais completo do movimento Impressionista, tanto pelo tema quanto pela inspiração. Monet foi uma grande testemunha da sua época, ele retratou temas como a industrialização e as consequências que isto estava causando no mundo, assim como também pintava os prazeres balneários de Paris até Havre. Não podemos esquecer que foi um quadro de Monet que deu nome ao movimento por um crítico de arte.

Mas cada artista impressionista tinha algo que se destacava e o fazia melhor que Monet. Por exemplo, Pissaro era melhor na pintura dos campos, Renoir trabalhava melhor com as cores e Sisley pintava melhor o céu, tão importante para uma obra impressionista.

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Patrick, Fernanda e os participantes do passeio de bike (foto: Rúbia Rezende)

5 – Qual o seu lugar favorito nos Jardins de Monet?

Eu prefiro sem dúvida o jardim de água. Eu pinto no jardim há mais de 23 anos e conheço cada detalhe, onde está cada árvore por exemplo. Eu adoro também pintar no jardim durante o inverno, gosto de pintar a neve que caí na ponte japonesa e as crostas de gelo que se formam sobre o rio

6 – Conte-nos um segredo e/ou uma curiosidade sobre os Jardins de Monet.

O que muita gente não sabe é que onde atualmente está a loja de souvenirs, era o ateliê de Monet onde ele pintou sua série Ninféias.

E uma curiosidade: A estrada que ficava atrás do jardim era de terra e Monet ficava muito bravo quando os carros passavam e a poeira levantada se depositava em suas flores. Ele tentou mudar a rota da estrada, mas não conseguiu, então ele mesmo asfaltou o pedaço de estrada que passava perto de sua casa para evitar terra em suas flores.

patrickhans.com

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Como ir de Paris até Giverny?

  • Trem: a viagem tem 45m de duração. Compre sua passagem antecipadamente – clique aqui – para garantir os melhores preços.
  • Carro: a viagem dura cerca de 1h30. Obtenha o orçamento das principais locadoras de carro na França aqui.