Gustavo Kuerten no

Gustavo Kuerten no Roland Garros

Por Maxmiliano Franco Braga do blog Os Turistas

Quando eu assisti a um jogo de tênis pela primeira vez na TV, eu era ainda um garoto

Era o ano de noventa e sete. Século passado. TV à Cabo era para poucos. E o refúgio para assistir jogos de tênis pela TV era a Rede Manchete. Um canal que os jovens de hoje não conheceram e do qual alguns tios mais velhos já até se esqueceram.

Gustavo Kuerten x Filip Dewulf. Foi esse o primeiro jogo de tênis completo que assisti pela TV. Precisei recorrer ao Google para lembrar o nome do adversário porque, assim como nosso compatriota Guga, o Dewulf também era zebra no torneio. Porém, diferente de Guga, do belga Dewulf não teríamos grandes feitos a relatar depois de Roland Garros. Dewulf fez bem o papel de coadjuvante naquele dia.

Semifinal de Roland Garros. Até aquele dia, quartas-de-final era o ponto mais alto em que um brasileiro havia chegado nesse Grand Slam, que é o maior torneio de tênis do mundo disputado em piso de saibro. Thomas Koch, ídolo de gerações passadas, havia caído em um jogo de quartas de final em 68.

Confesso que pouco me recordo dos pontos disputados naquela semifinal. As maiores lembranças que tenho são da minha mãe gritando e torcendo, de um público francês em êxtase e salpicado por brasileiros, e dos berros de um comentarista incrédulo. Quadra Central. O estádio ainda nem havia recebido o nome pomposo de tenista francês que tem hoje: Philippe Chatrier. Mas foi lá que Guga deu mais um passo para chegar à final de Roland Garros.

Dois dias depois, Guga se sagraria campeão de um Grand Slam vencendo o espanhol Sergi Bruguera. Tenho certeza que minha mãe ainda tem um VHS com esse jogo gravado em algum lugar na casa dela.

Gustavo

Gustavo Kuerten

Foi assim que vi Guga erguendo o troféu de Roland Garros em 1997. Alguém consegue imaginar esta cena em uma TV 4K? Pode parecer mentira, mas eu consigo!

Guga campeão! Estava sacramentado o marco. Depois dessas semanas incríveis de Roland Garros 97 muita coisa mudou pelas diversas escolinhas e centros de treinamento país afora!

Nas quadras do Clube Jaó, onde eu treinava com mais alguns garotos, foi instantâneo. Antes de RG97, os garotos imitavam as roupas, os gestos e as atitudes de André Agassi e Pete Sampras. Depois da final de RG97, não demorou para a Gugamania dominar nossas quadras.

Quem tinha cabelo encaracolado, deixou crescer e parou de pentear. Quem tinha raspado a cabeça para parecer com Agassi, começou usar bandana azul e amarela. Diadora passou a ser a marca preferida das roupas e o branco foi dando espaço a camisetas coloridas.

Guga virou modelo para a criançada que gostava de tênis. Todo mundo queria se parecer com ele.

Foi um momento mágico. Gostei muito de ter feito parte, de alguma forma, daquele momento histórico do tênis brasileiro. Meses depois, acabei abandonando a equipe de treinamento para me dedicar aos estudos.

Não foi fácil, mas foi preciso. Sei que, com o nível que eu tinha na época, dificilmente eu chegaria a Roland Garros. Pelo menos, não jogando. Disso estou certo. Já como expectador, o destino ainda me reservava um lugar ao sol no templo do tênis em Paris.

Isso aconteceu 15 anos depois do título do Guga, como parte da viagem de lua-de-mel que eu e minha esposa Milena fizemos para a França. Mas essa é uma outra história, para um outro dia. Por hoje, o assunto é Gustavo Kuerten.

Informações do Conexão Paris: para o torneio de 2015, que começou ontem, aqueles que não conseguiram suas entradas podem tentar a sorte na bolsa de bilhetes oficial chamada viagogo. Este espaço oferece a possibilidade de revenda de bilhetes para as pessoas que não podem assistir um jogo. Roland Garros garante que os bilhetes comprados no viagogo são autênticos. Clique aqui.