Hanging Heart de Jeff Koons

Hanging Heart de Jeff Koons

De duas, uma. Ou os franceses são completamente refratários ao romantismo de Paris e à beleza romântica das regiões da França e não se deixam envolver pelos laços do matrimônio; ou o romantismo não tem nenhuma relação com o casamento.

De acordo com o Insee, Institut National de la Statistique et des Études Économiques, o número de casamentos, em 2013, foi o mais baixo desde 1950. No período compreendido entre o final da segunda guerra mundial e os anos 1980, o número de casamentos anuais foi em torno de 300.000. Em 2013, tivemos somente 231.225.

Os franceses fogem do casamento e, quando sucumbem, o fazem após muitas reflexões. Todos se casam mais tarde. As mulheres em torno de 30 ½ anos e os homens, 32 anos. Em 1980, a média era de 23 anos para as mulheres e 25 para os homens.

Mas, atenção, os recasamentos aumentaram. Quer dizer, os franceses são perigosos recidivistas. Em 2013, 47.000 homens e 45.000 mulheres se casaram por uma segunda vez, ou mais. Os recasamentos representaram 20% das uniões. Em 1973 eles eram apenas 8%. E na lista dos novos solteiros, os divorciados ganham dos viuvos. O divórcio está em constante aumento na França.

Quanto aos dados sobre casamento entre pessoas do mesmo sexo, os números se referem aos 7 últimos meses do ano 2013, pois a lei foi promulgada no final de maio. Neste curto período, 7367 casamentos foram celebrados, sendo 23% em Paris e 49% em cidades com mais de 200.000 habitantes. O número surpreendente é o do casamento homossexual nas áreas rurais, 21%. Na “roça”, o número de casamentos entre pessoas do mesmo sexo e entre pessoas de sexo diferente se equivale.

Se houver uma relação entre casamento e romantismo, a “alergia” dos franceses pelo casamento se encontra, talvez, nas dificuldades do quotidiano. De acordo com um amigo, um só exemplo ilustra bem a questão: mais da metade dos prédios da cidade não possuem elevador. Subir as escadas com água mineral e garrafas de vinho para uma pessoa é bem mais cômodo do que para duas ou mais. E poderíamos citar também a crônica falta de espaço das moradias, os salários elevados das ajudantes ao trabalho doméstico…

Dividir o quotidiano aqui pode ser bem mas difícil do que em outros países. Aliás, conheci inúmeros casais brasileiros com casamentos rompidos logo após instalação na realidade parisiense.

Eu acho que quem sofre mais nesta história são as mulheres (francesas), irredutíveis românticas. Tenho lido na mídia que as redes sociais, os foruns de discussão, os sites de coaching e de encontros se tornaram o palco ideal para as pessoas em busca de conselhos amorosos. E são as mulheres que utilizam estes recursos, são elas que tentam salvar a vida a dois, são elas que procuram a solução para a crise quando a lua de mel termina.

Em abril 2014 foi inaugurado em Paris a Scholl of Life, réplica da de Londres. E a gente feminina é majoritária nos seminários da escola. Todas à procura do amor duradouro.

The School of Life Paris28, rue Pétrelle, 75009 Paris.