Paula Rego em Paris


Por Kika Mello
A Fundação Galouste Gulvenkian apresenta pela primeira vez em Paris a artista inglesa Paula Rego.
Paula trabalha sobre as lembranças da infância passada em Porgual onde nasceu. A exposição expõe obras de 1988 até 2010 período da maturidade da renomada artista.
Em 2011 a Pinacoteca de São Paulo apresentou as obras de Paula Rego, uma das poucas artistas a trabalhar grandes formatos com pastel seco, traço vigoroso e colorido intenso.

A Fundação é uma instituição portuguesa, criada em 1956 por Calouste Gulbenkian, empresário de origem armênia e de nacionalidade britânica. Ela possui uma antena em Paris.

Até o dia 1 de Abril na Fondation Calouste Gulbenkian.

Pinacoteca do Estado de São Paulo.



Street Art:contestação, provocação ou marketing


Por Rodrigo Lavalle

Há quase um mês a fachada de uma das lojas da marca Céline amanheceu pixada com a palavra ‘SK8’ (abreviação para skate). O autor foi o grafiteiro/artista/contestador parisiense Kidult que, pelo que dizem, quis protestar contra o uso (exploração) da cultura do skate na última campanha pubicitária da marca.

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Na campanha a modelo Daria Werbowy aparece segurando um skate.

Kidult é bem conhecido em Paris, ao andar pelas ruas vemos seu nome escrito em vários paredes, invariavelmente em tinta rosa fluor. Ele já havia feito pixações semelhantes por motivos semelhantes nas fachadas de várias outras lojas (Hermès, Colette, Louis Vuitton, agnès b., Kenzo, YSL) e até mesmo em uma loja da marca de skatewear Supreme em Nova York. Em algumas ocasiões, para completar o processo,  ele faz camisetas com as fotos das fachadas vandalizadas e as vende em seu site. No caso da Colette ele chegou a distribuir as camisetas em frente à loja algum tempo depois. Ele utiliza as vitrines dessas lojas como vitrine para o seu próprio trabalho-protesto e aproveita do poder de sedução e de marketing das grandes marcas para se tornar conhecido.

Com os mesmos objetivos que Kidult (lutar contra a comercialização capitalista) mas usando táticas diferentes, o projeto “The Underbelly Project” criou uma exposição de grafites feitos em uma estação de metrô abandonada nos subterrâneos do Brooklyn. A exposição só pôde ser vista através de fotos postadas na internet. Os grafites foram feitos clandestinamente por 103 artistas, de várias partes do mundo, que tinham como objetivo a expressão de sua arte e o prazer de realizá-la.

Um evento semelhante, mas em menor escala, aconteceu aqui em Paris no fim de novembro onde 10 artistas pintaram um estação de metrô abandonada. Fotos dos grafites parisienses foram apresentadas na feira Art Basel Miami que aconteceu no início de dezembro. Além disso, um livro edição limitada para colecionadores será lançado e até uma noite de autógrafos com os artistas será feita.

Na realidade, parte da street-art surge de um movimento de contestação do funcionamento  do mercado e acaba (sem contestações desta vez) integrada no fluxo normal da comercialização das obras.

Vejam os vídeos abaixo, eles são interessantes.

Vídeo dos artistas americanos no metrô de Paris.

Vídeo do artista francês “grafitando” as fachadas das grandes marcas em Paris.



História de uma foto


Tempos atrás Facebook desativou o perfil de um artista dinamarquês após publicação da foto do célebre quadro L’Origine du Monde do francês Gustavo Courbet.

Facebook proibe toda foto de nu com o  objetivo de manter um meio virtual seguro para todos, inclusive as crianças.

Após “arrependimento do gesto” o artista banido foi reintegrado sem a foto.

Laura Próspero, parisiense de longa data e parceira do Conexão Paris para visitas à pé por Paris, me enviou esta foto há muitos meses. Logo após reintegração do artista dinamarquês, para marcar sua solidariedade,  ela tirou a foto de um  turista fotografando a obra polêmica.

Nós por aqui admiramos essa obra e já publicamos artigo com a sua história e sua trajetória. Nada temerários, respeitamos os limites impostos por Facebook:   a foto da Laura ficará somente aqui entre nós.

Conheçam os serviços da Laura clicando aqui.



Yayoi Kusama


Não percam a exposição de Yayoi Kusama (somente até o dia 9 de janeiro) no Centre Pompidou.

Pintora, escultura, escritora, Kusama é uma artista proteiforme. Seu trabalho possui uma marca forte, os dots ou pois ou bolinhas. Quando criança ela viveu uma alucinação que a marcou para sempre. Sentada na sala de jantar na casa de seus pais, de repente as pequenas flores vermelhas da toalha se multiplicaram no teto, nas paredes, no chão, no seu corpo.

Artista nômade, Kusama viveu os anos 1960 em New York e foi uma das líderes do movimento artístico dessa época.

Acima uma das obras fortes da exposição.

Esta obra eu a denominei “pausa encantamento”: os visitantes caminham dentro de um espaço invadido por focos luminosos refletidos pelos espelhos. A perda do controle espacial é surpreendente.

Consultem o site oficial de Kusama. Cliquem aqui.

Consultem também o site do Centre Pompidou aqui.



Take me out


Take me out é um evento que reúne parisienses descolados.

No espaço Nikki Marquardt no Marais vocês encontrarão obras de arte, estilistas, concertos e um bar para aperitivos e tapas.

Um evento que mistura moda, música e arte com a presença de quarenta estilistas e artistas na área do prêt à porter, acessórios e decoração.

E também uma exposição de fotos de Sarah Laure Estragnat e a apresentação do trabalho da ilustradora  Marianne Ratier.

Quando: 3 e 4 de dezembro 2011 – das 12 às 21 horas.

Onde: Galerie Nikku Diane Marquardt – 10 rue de Turenne 75004 Paris – metro Saint Paul.

Site do evento aqui.



Cenas da vida parisiense


Obra de Andrea Salvetti.

Igloo metálico instalado na frente do Théâtre de l’Odeon em Saint Germain. A obra serve de “casa de boneca” para as crianças do bairro. O aspecto lúdico da arte contemporânea facilita e incentiva o aprendizado da arte.

Vejam o site do artista aqui.

Mudança de registro com outra significação para arte.

Parada no sinal fechado, vi pela janela do carro esta “nova sinalização”. Dúvida: será que a prefeitura de Paris adotou comunicação iconoclasta ou algum “engraçadinho” saiu colando  parte da torre Eiffel nas placas públicas.



Salão Paris Photo


Você gosta de fotografia?

Paris Photo está na sua 15° edição no Grand Palais.

São 117 galerias originárias de 23 paises expondo o melhor da fotografia do século XIX até hoje. E um espaço dedicado aos belos livros com a presença de 18 editores internacionais especializados em fotos.

Do dia 10 ao dia 13 de novembro 2011.

Grand Palais, avenue du President Wisnton Churchill 75008 Paris – metro Champs Elysées Clémenceau

Site do salão cliquem aqui.



A FIAC no Tuileries ou como identificar a obra de arte


Todos os anos, a Feira de Arte Contemporânea se instala também no Jardin des Tuileries.Vejam o artigo abaixo.

E todos os anos eu faço meu jogging entre as esculturas que pertencem à este jardim e as novidades instaladas.

Diante das obras recém chegadas me lembrei do artigo  “Roteiro Paris para Crianças”  e os comentários que provocou. Gostei particularmente do rito de iniciação inventado pelos pais durante visita aos museus com seus filhos. Uma versão da caça aos tesouros, um desafio lançado às crianças para encontrarem as obras mais conhecidas.

Durante a FIAC, o Tuileries seria local ideal para um ritual de inciação à arte contemporânea. Para adultos e crianças.

A tarefa seria: “identifique a obra de arte”.

Bonito canteiro do Tuileries. NÃO. Obra de arte chamada Labirinto de Grama.

Obra de arte interessante em aço inoxidável. NÂO. Escorregador para crianças.

Ah! Reforma da canalização dos lagos do jardim. NÂO, obra de arte intitulada Poems for Earthlings.

Obra de arte, instalação associando vestígios de arquitetura dos séculos passados e materiais contemporâneos. NÂO. Canteiro de recuperação dos blocos que pertenceram à prisão Bastille.

Um rochedo do jardim…não, espera, uma obra de arte. SIM. Obra  untilted feita com rocha e poeira de metal.

Vocês verão que o exercício é complicado.



Fragmentos da vida real


Foto de Denise Mustafa. Cliquem aqui.

Museu do Louvre. Departamento de antiguidades gregas, etruscas e romanas.

Turistas fascinados diante da  obra bisexual Hermafrodita Adormecida.

Hermafrodita, filho de Hermes e Afrodita, teve seu corpo unido ao da ninfa Salmacis.



Maison Sennelier. Moderna desde 1887.


Por trás do sucesso dos pintores impressionistas estava um químico apaixonado por cores. Gustave Sennelier abriu sua maison de tintas em 1887 em lugar estratégico: no 3, Quai de Voltaire, em frente ao Museu do Louvre e a dois passos da Ecole de Beaux-Arts. Logo sua loja se transformou em ponto de encontro de pintores e era comum encontrar Cézanne, Bonnard, Pisarro e outros artistas em seus balcões à procura das cores criadas por Sennelier através de pigmentos minerais inorgânicos.

Fachada da loja Sennelier antigamente

A obsessão do químico Gustave pela permanência dos tons originais e pela fina textura da tinta transformou a Maison Sennelier em referência na Cidade das Artes. Mas foi outra criação da Maison Sennelier que permitiu aos impressionistas realizar a ruptura com a Academia e sair em busca das paisagens que entraram para a história: o acondicionamento das tintas em tubos metálicos que, além de serem portáteis, aumentavam a vida útil do material. A Maison Sennelier manteve sua reputação intacta e hoje é tocada pela terceira geração do fundador no mesmo endereço, além de duas novas lojas em Paris.

Loja histórica para compra de tintas em Paris

Seus balcões de madeira continuam sendo ponto de encontro de artistas em busca de tintas a óleo, tubos, gouaches, tintas em pó, lápis de cor, crayons, pincéis de todos os formatos e tamanhos, rolos de telas e todos os tipos de acessórios.

Depois de passar por lá, é só montar seu cavalete e soltar a imaginação. Paisagem bonita é o que não faltará.

Maison Sennelier:

3, Quai de Voltaire – 7º arrondissement

Outros endereços: 4 bis rue de la Grande Chaumière (6º arrondissement); 6 rue Hallé (14º arrondissement).