Palais Royal e as Colonnes de Buren


Buren, grande artista francês, possui uma obra na praça Palais Royal em Paris. Obra polêmica, uns gostam outros detestam. São colunas brancas com faixas pretas que ocupam a entrada da praça.

A obra estava suja e a iluminação não funcionava mais. Após mais de um ano de restauração, vocês poderão admirar novamente as famosas Colonnes de Buren.

www.danielburen.com

Palais Royal 75001 Paris - metrô Musée du Louvre Palais Royal.



Fragonard


Fragonard, o grande pintor francês do traço perfeito, que representou com perfeição a frivolidade e os gestos expressivos.

O museu do Louvre possui várias obras de Fragonard, entre elas o misterioso Le Verrou, A Tranca.

Diante da obra, a perfeição dos drapeados do leito imenso, que ocupa quase a tela toda, causa o primeiro impacto estético. Em seguida tentamos compreender a cena. Uma mulher que resiste, sem querer resistir, aos ardores de seu amante? E este homem que tranca a porta? Um gesto autoritário? Cena de amor ou de violência? A pequena maçã ao lado do leito simboliza amores culpados?

Diante desta cena libidinosa com alguma inquietação, nos perguntamos se os gestos expressam uma ameaça difusa ou fuga amorosa.

No site do Louvre encontramos análises das principais obras do acervo. Esta é uma delas. Acho que nunca falei para vocês que o museu oferece também visitas guiadas. Durante uma ou duas horas, um professor acompanha,  de obra em obra, um grupo pequeno de ouvintes. Vale a pena.

www.louvre.fr



La face cachée des fesses


O melhor canal de televisão da França se chama ARTE. Trata-se de um projeto cultural franco-alemão, um canal sem publicidade e altamente elitista. Os programas são escolhidos a dedo como, por exemplo,  documentários culturais e geopolíticos, seleção dos melhores filmes europeus, divulgação de concertos e espetáculos, entrevistas com escritores e intelectuais.

Semana passada, Arte divulgou um documentário ousado e interessante. O título La face cachée des fesses é uma alusão à expressão la face cachée de la lune. A face escondida da bunda/a face escondida da lua. Um documentário que explora, sob todas as formas, a história da representação daquilo que é próprio do homem, ou seja seu “traseiro”.

O documentário cita a famosa frase do filósofo francês Jean Paul Sartre : la patrie, l’honneur, la liberté, il n’y a rien: l’univers tourne autour d’une paire de fesses, c’est tout (a pátria, a honra, a liberdade, nada existe: o universo gira em torno de um par de bundas, e pronto).

Duas considerações. A primeira, a pertinência deste assunto, ou seja, uma reflexão sobre a parte do corpo humana mais representada, mais admirada e objeto de todas as obsessões. Uma história da representação deste objeto nas artes, na literatura, na psicanálise e na filosofia. A segunda, a segurança com a qual os intelectuais franceses são capazes de tratar certos assuntos delicados e limítrofes, para transformá-los em um texto de divulgação para um público abrangente. Analisar a representação das fesses em um colóquio que reúne psicanalistas e críticos de arte, na Escola de História da Arte do Louvre, é um empreendimento sem riscos. Transformar isto em documentário das 20.30h é um exercício que pede um grande esforço na elaboração de conceitos e na escolha das frases e das ilustrações.

Admiro esta segurança dos intelectuais franceses no campo das pesquisas sobre o corpo humano, todavia percebo um contraste entre a abordagem intelectual e a realidade das relações entre as pessoas. A ousadia intelectual é grande, mas sociedade francesa é conservadora.

www.arte.tv



Arte contemporânea


Fico surpresa  diante destas pichações inscritas em um muro do Jardin des Tuileries. Os funcionários do jardim estão sempre atentos ao menor deslize dos frequentadores! Como ou autores conseguiram esta façanha?

Me afasto do muro e consigo ler a inscrição: Être etonné c’est un bonheur. O que quer dizer “ficar surpreso ou ser surpreendido é uma felicidade”

Percebo, então, que não se trata de uma pichação, mas de uma obra de arte e que ela faz parte do Festival de Arte Contemporânea de Paris.

Penso na discussão, entre os leitores do blog, sobre arte contemporânea e esta será a minha contribuição para a discussão. Uma das funções da ARTE seria exatamente étonner, surpreender. Quando algo consegue, nos dias de hoje, captar nossa atenção, nos distrair, que felicidade! A arte contemporânea não é bela, ela é, quase sempre, agressiva e longe dos padrões estéticos dos séculos passados. Mas ela  surpreende e  distrai e être etonnée c’est un bonheur.

A frase inscrita no muro é de Edgar Allan Poe.



Outono em Paris


No outono, em Paris,  nós temos a Fiac - Feira Internacional de Arte Contemporânea. Do dia 22 ao 25 de outubro, as obras serão expostas no Grand Palais, na Cour Carré do museu do Louvre e no Jardin des Tuileries.

Algumas peças já estão instaladas no Tuileries.

Devidamente apreciadas pela professora e seus alunos.

Pelas crianças e pelos pais.

Mais informações sobre a FIAC:

www.fiac.com



Decorações urbanas


Antes de acrescentar um arrondissement no meu endereço, arquitetura, para mim, era arquitetura contemporânea. Minha sensibilidade nesta área foi marcada por vários fatores tais como a construção de Brasília e a  falta de apego ao patrimônio histórico nacional. Pertenço a uma geração onde o antigo era sistematicamente destruído e o bonito, o confortável e o elegante era o novo.

Aos poucos, em Paris, comecei a apreciar a arquitetura do século XVII, através dos imóveis localizados no Marais e, em seguida, a do século XIX, presente nos imóveis ditos haussmannianos. Passei a achar as decorações urbanas parisienses maravilhosas, sobretudo as de ferro forjado. Como atravesso todos os dias a place Vendôme, faço sempre uma pausa para admirar os suportes das lanternas: um trabalho em ferro forjado realçado por aplicações de folhas de ouro.

E, um pouco mais adiante, faço outra pausa para apreciar a grade da entrada do metrô Palais Royal. Também em ferro forjado, a grade foi construída  no início do século XX e sua autoria é de Hector Guimard.



Anti spam uol


Amigos e amigas

Recebo muitos e-mails e comentários por dia e tento responder a todos.

Peço aos leitores que me evitem o procedimento anti spam uol, chamado tira teima ou algo assim. Como podem imaginar, após ter enviado a minha resposta ao leitor ou leitora, sou obrigada a responder à ferramenta anti spam. Trabalho dobrado.

Se vocês colocarem o endereço conexaoparis@yahoo.fr nas suas listas de endereços o anti spam não entrará em ação.

Obrigada.



As principais obras do Louvre


Duas esculturas de Michelangelo denominadas Les Esclaves (os Escravos) fazem parte da lista das principais obras do museu do Louvre.

Um dos escravos se chama Le Captif - o Cativo - uma obra inacabada, simbolizando um homem que se debate em uma contorção brutal.

O outro foi denominado Esclave Mourant - Escravo Morrendo - e simboliza um homem jovem e belo, entregue a um sono talvez eterno.

Estas duas esculturas chamam atenção pela contradição dos sentimentos que elas exprimem: de um lado a rebelião, e de outro, a aceitação, a entrega.

O escravo Mourant foi objeto de vários debates. Estaria ele morrendo lentamente, se abandonando ao sono eterno ou, ao contrário, este jovem imberbe estaria em um êxtase sensual profundo?  O braço esquerdo serve de apoio para a cabeça ligeiramente inclinada, a mão direita acaricia o corpo desnudado e o rosto exprime um prazer intenso?

Diante desta obra de um dos maiores artistas de todos os tempos, ficamos indagativos e mergulhados  em um prazer estético intenso.

Leiam o primeiro artigo que escrevi sobre as principais obras do Louvre.



Leitura do cabeçalho do blog


Quando pedi à Designlândia o projeto para um novo cabeçalho, conversamos muito sobre o que seria um interior parisiense típico. A imagem que temos de Paris é a da cidade construída pelo Barão Haussmann em meados do século XIX. Uma sala típica desta época possui invariavelmente os seguintes elementos:

O pé direito alto, madeira no chão, sancas, molduras e frisos decorando as paredes e os tetos, uma lareira central e um espelho com molduras douradas pendurado no espaço da evacuação da fumaça.

O cabeçalho do blog é uma sala típica parisiense com alguns outros detalhes lúdicos incorporados:

A  lâmpada Tour Eiffel je t’aime do designer Pierre Gonalons,  editada por Ascète.

O sofá em forma de boca projetado por Salvador Dalí.

A poltrona e o sofá antropomórficos, inspiradas nos móveis de Salvador Dalí. Móveis estes  que vocês encontram em um dos restaurantes mais bonitos de Paris: o Dali do Hotel Meurice.

E desvirtuando o haussmanniano clássico, coloquei na sala do Conexão Paris este solo que os franceses chamam dammier. Na foto, um dos corredores do Château de Versailles. O Conexão bem merece um solo de castelo, não?

Não poderia deixar de lado outras características fortes da cultura francesa: do castelo à revolução e desta aos movimentos sociais. Com muito carinho, o logotipo do Conexão Paris adquiriu traços de parisienses em greve.

A leitora Cláudia Oiticica identificou, imediatamente,  vários elementos do cabeçalho.

Restaurant Dali - Hotel Meurice - 228 rue de Rivoli 75001 Paris.




Yan Pei Ming enterra a Mona Lisa


O museu do Louvre sempre abre suas portas aos artistas contemporâneos. O objetivo é confrontá-los com os mestres do passado. O convidado do momento é Yan Pei Ming, artista chinês instalado na França.

Mao Tsé-tung

Giacometti

Yan é conhecido pelos seus retratos de personalidades, grandes formatos com pinceladas violentas em tons de cinza prateado.

Quando recebeu o convite do Louvre, imediatamente ele pensou na Mona Lisa, o quadro mais célebre do mundo, a obra que simboliza o museu. Na foto acima, o artista no seu atelier enquanto pintava a obra Les Funerailles de Mona Lisa. Uma reprodução da famosa personagem, inserida em uma paisagem chinesa, ao lado de uma representação do enterro do pai do pintor.

As telas estão expostas na sala Denon,formando  um belo contraste entre o cinza de Yan e o ocre das paredes. A eterna Mona Lisa encontra-se na sala ao lado.

Yan Pei Ming no Louvre até dia 18 de maio.

www.louvre.fr