Exposição no Castelo de Versailles


O grande artista japonês Murakami será o próximo artista contemporâneo convidado a expor no Castelo de Versailles. Abaixo pequeno trecho tirado de uma entrevista de Murakami:

Para um japonês, o Castelo de Versailles é um dos maiores símbolos da história ocidental. Ele é um emblema da ambição de elegância, de sofisticação  e de arte. Para nós japoneses, compreender Versailles é impossível. Para nós o castelo é um conto fantástico, vindo de um país longíquo.

Versailles para mim é um mundo irreal e, com um sorriso malicioso, como o coelho da Alice,  eu os convido a visitar a minha exposição no país das maravilhas de Versailles.”

Quando: de 14 de setembro a 12 de dezembro 2010. No castelo de Versailles. Visita-se a exposição com a entrada do castelo.

www.chateauversailles.fr



Picasso e o Château de Vauvenargues


Este artigo foi escrito por Eduardo, proprietário do excelente blog Da cachaça pro vinho.

Tem gente que é boa-vida. Tem gente que é gênio.

Agora, poucos tem o dom e a inteligência de ser as duas coisas ao mesmo tempo. E, certamente, Picasso foi.

Foi com esssa perspetiva que nos interessamos  em conhecer o Castelo de Vauvenargues, o lugar onde Picasso viveu com a esposa e fotógrafa Jacqueline e criou um montão de suas obras-primas.

E a curiosidade aumentou quando soubemos (através da Rachel Verano) que o castelo estaria aberto à visitas. As reservas pela internet são obrigatórias, as vagas são limitadas e o castelo ficará aberto até 02/10/2010.

Em pleno domingo à tarde, dia de final de Copa do Mundo, estávamos lá. Com a coincidência da Espanha estar no final.

O castelo fica perto de Aix-en-Provence e para se chegar é necessário estacionar logo na entrada da cidade Vauvenargues e andar bastante até a sua porta. A caminhada é interessante e vale a pena, já que a cidade é bonitinha.

Ao chegarmos, surpresa! As fotos são totalmente proibidas. A princípio, você fica decepcionado com esta imposição, mas logo compreende que é bem melhor apreciar tudo e todos os detalhes com os olhos e não com a lente da câmera. A partir daí, o tour guiado se torna cada vez mais informativo e emocionante.

Lá você conhece o lugar onde Picasso e a esposa estão enterrados (não se esqueçam que ele cumpriu a promessa de nunca voltar a sua amada Espanha enquanto Franco estivesse por lá); visita o estúdio dele e conhece todo o seu processo criativo (ele gostava de pintar à noite e com uso de refletores); vê os maneirismos do gênio; a sua cozinha (incrível como todo gênio adora uma boa gastronomia); passa, inclusive, pelo banheiro que ele mandou construir e onde pintou uma obra prima na parede.

Enfim, os 60 minutos do tour passam tão rapidamente e são tão envolventes que parece que você está numa montanha-russa, mas em câmera lenta. Os 8 euros pagos por pessoa (fomos eu, a Dê e a Re) foram o melhor custo e benefício de toda a viagem.

A história de que Picasso gostava e admirava tanto Paul Cézanne e que ligou pro seu agente quando comprou o castelo dizendo: “comprei a montanha do Cézanne, a verdadeira, a Sainte Victoire ” é a mais pura verdade. E também a de que ele respeitava tanto a Cézanne que nunca olhou pelas janelas para utilizar aquelas belas paisagens/iluminação como referência. Ele acreditava que Cézanne já tinha feito as “masterpieces” sobre o lugar.

Gênio e boa-vida. Picasso era mesmo!



A arte e o turista apressado


A arte contemporânea me diverte.

No dia 17 de junho 2010, o artista Beart Lippert percorreu o museu do Louvre em 9 minutos e 14 segundos. Sua corrida foi filmada e será exposta em uma galeria na Suiça.

Qual o sentido desta performance? Tudo começou com o cineasta Godard e seu filme Bande à part (1964) onde os personagens atravessam o museu correndo. Uma alusão ao turista apressado, capaz de visitar o Louvre em menos de 10 minutos.

Vejam o filme de Godard aqui.

Em seguida, Bertolucci reproduz a mesma cena no excelente filme The Dreamers (2003).

E o de Bertolucci aqui.



Place Vendôme


O frio, já me acostumei. A chuva, uma outra história. Quando não chove, e nestes últimos dias a impressão que se tem é que a chuva se instalou por um momento, saio de manhã para a famosa caminhada de uma hora, este salutar hábito brasileiro.

No meu trajeto, a place Vendôme. A praça dos joalheiros e uma das mais bonitas de Paris.  Como um ritual, a cada semestre a praça é invadida por obras de arte. Poderia ser bonito, mas o grupo encarregado da escolha dos artistas expostos não apresenta um gosto compatível com o meu.

Atualmente as obras expostas não me agridem. Este casamento entre carros brancos e árvores solitárias me diverte. Mas é só. A idéia não está madura e se for uma obra política a mensagem é tão codificada que ilisível.

Nada que atrapalhe o prazer de caminhar por esta cidade.



Onde comprar obras de arte em Paris: Galeria Castiglione


A Galeria Castiglione se encontra no centro da cidade, ao lado do Jardin des Tuileries e na aristocrática rue Castiglione.

Seu diretor é brasileiro e se chama Carlos Henrique Alvarenga Rocha.

Ela se encontra no trajeto da minha caminhada diária, entre minha casa e o Jardin des Tuileries. Na ida e na volta admiro os quadros expostos. A galeria apresenta a tendência atual, chamada por alguns de hiper realismo.

Grande foi a minha surpresa quando soube que estamos em território tupiniquim,  que podemos empurrar a porta da galeria e entrar com um bom dia!

Os pintores expostos são: Richard Burlet, Alain Gazier e Zadorine.

Se você quiser comprar uma obra, a galeria se encarrega do transporte até o Brasil.

Galerie Castiglione – 9 rue de Castiglione 75001 Paris – tel.: (33)142608791 – email: got5@wanadoo.fr



Palais Royal e as Colonnes de Buren


Buren, grande artista francês, possui uma obra na praça Palais Royal em Paris. Obra polêmica, uns gostam outros detestam. São colunas brancas com faixas pretas que ocupam a entrada da praça.

A obra estava suja e a iluminação não funcionava mais. Após mais de um ano de restauração, vocês poderão admirar novamente as famosas Colonnes de Buren.

www.danielburen.com

Palais Royal 75001 Paris – metrô Musée du Louvre Palais Royal.



Fragonard


Fragonard, o grande pintor francês do traço perfeito, que representou com perfeição a frivolidade e os gestos expressivos.

O museu do Louvre possui várias obras de Fragonard, entre elas o misterioso Le Verrou, A Tranca.

Diante da obra, a perfeição dos drapeados do leito imenso, que ocupa quase a tela toda, causa o primeiro impacto estético. Em seguida tentamos compreender a cena. Uma mulher que resiste, sem querer resistir, aos ardores de seu amante? E este homem que tranca a porta? Um gesto autoritário? Cena de amor ou de violência? A pequena maçã ao lado do leito simboliza amores culpados?

Diante desta cena libidinosa com alguma inquietação, nos perguntamos se os gestos expressam uma ameaça difusa ou fuga amorosa.

No site do Louvre encontramos análises das principais obras do acervo. Esta é uma delas. Acho que nunca falei para vocês que o museu oferece também visitas guiadas. Durante uma ou duas horas, um professor acompanha,  de obra em obra, um grupo pequeno de ouvintes. Vale a pena.

www.louvre.fr



La face cachée des fesses


O melhor canal de televisão da França se chama ARTE. Trata-se de um projeto cultural franco-alemão, um canal sem publicidade e altamente elitista. Os programas são escolhidos a dedo como, por exemplo,  documentários culturais e geopolíticos, seleção dos melhores filmes europeus, divulgação de concertos e espetáculos, entrevistas com escritores e intelectuais.

Semana passada, Arte divulgou um documentário ousado e interessante. O título La face cachée des fesses é uma alusão à expressão la face cachée de la lune. A face escondida da bunda/a face escondida da lua. Um documentário que explora, sob todas as formas, a história da representação daquilo que é próprio do homem, ou seja seu “traseiro”.

O documentário cita a famosa frase do filósofo francês Jean Paul Sartre : la patrie, l’honneur, la liberté, il n’y a rien: l’univers tourne autour d’une paire de fesses, c’est tout (a pátria, a honra, a liberdade, nada existe: o universo gira em torno de um par de bundas, e pronto).

Duas considerações. A primeira, a pertinência deste assunto, ou seja, uma reflexão sobre a parte do corpo humana mais representada, mais admirada e objeto de todas as obsessões. Uma história da representação deste objeto nas artes, na literatura, na psicanálise e na filosofia. A segunda, a segurança com a qual os intelectuais franceses são capazes de tratar certos assuntos delicados e limítrofes, para transformá-los em um texto de divulgação para um público abrangente. Analisar a representação das fesses em um colóquio que reúne psicanalistas e críticos de arte, na Escola de História da Arte do Louvre, é um empreendimento sem riscos. Transformar isto em documentário das 20.30h é um exercício que pede um grande esforço na elaboração de conceitos e na escolha das frases e das ilustrações.

Admiro esta segurança dos intelectuais franceses no campo das pesquisas sobre o corpo humano, todavia percebo um contraste entre a abordagem intelectual e a realidade das relações entre as pessoas. A ousadia intelectual é grande, mas sociedade francesa é conservadora.

www.arte.tv



Arte contemporânea


Fico surpresa  diante destas pichações inscritas em um muro do Jardin des Tuileries. Os funcionários do jardim estão sempre atentos ao menor deslize dos frequentadores! Como ou autores conseguiram esta façanha?

Me afasto do muro e consigo ler a inscrição: Être etonné c’est un bonheur. O que quer dizer “ficar surpreso ou ser surpreendido é uma felicidade”

Percebo, então, que não se trata de uma pichação, mas de uma obra de arte e que ela faz parte do Festival de Arte Contemporânea de Paris.

Penso na discussão, entre os leitores do blog, sobre arte contemporânea e esta será a minha contribuição para a discussão. Uma das funções da ARTE seria exatamente étonner, surpreender. Quando algo consegue, nos dias de hoje, captar nossa atenção, nos distrair, que felicidade! A arte contemporânea não é bela, ela é, quase sempre, agressiva e longe dos padrões estéticos dos séculos passados. Mas ela  surpreende e  distrai e être etonnée c’est un bonheur.

A frase inscrita no muro é de Edgar Allan Poe.



Outono em Paris


No outono, em Paris,  nós temos a Fiac – Feira Internacional de Arte Contemporânea. Do dia 22 ao 25 de outubro, as obras serão expostas no Grand Palais, na Cour Carré do museu do Louvre e no Jardin des Tuileries.

Algumas peças já estão instaladas no Tuileries.

Devidamente apreciadas pela professora e seus alunos.

Pelas crianças e pelos pais.

Mais informações sobre a FIAC:

www.fiac.com