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A Fondation Pathé em Paris, especializada em cinema

por Rodrigo Lavalle

Fondation Jérôme Seydoux-Pathé foi criada em 2006 com o objetivo de conservar e disponibilizar ao público o patrimônio e o acervo cinematográficos da empresa francesa Pathé. Fundada em 1896 por Charles Pathé e seus três irmãos, a Pathé nasceu vendendo aparelhos fonográficos. Logo em seguida começou a rodar filmes e, ao longo de sua história, produziu e distribuiu vários títulos conhecidos da história do cinema: “A Fuga das Galinhas”, “A Moça do Brinco de Pérola”, “Slumdog Millionaire” entre outros.

Sua nova sede, criada pelo arquiteto italiano Renzo Piano e inaugurada em 2014, ocupa o espaço do antigo cinema Le Rodin, assim nomeado em homenagem à Auguste Rodin que esculpiu a fachada do edifício.

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A fachada da Fondation Pathé, esculpida por Rodin (foto: Michel Denancé – Coll. Fondation Jérôme Seydoux-Pathé © 2014 – RPBW)

No seu projeto, Renzo Piano conservou a fachada histórica e concebeu um novo prédio totalmente orgânico e fechado em si mesmo que mal conseguimos perceber da rua. Algo como um tatu gigante de carapaça metálica preso entre os prédios vizinhos. Proposta bem diferente daquela do Centro Pompidou – outro famoso projeto do arquiteto em Paris – que é racional, ortogonal, de presença forte e transparente em todos os sentidos.

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Corte esquemático do prédio da Fondation Pathé, projeto do arquiteto Renzo Piano.

Tomando como base o corte esquemático acima temos:

1 – A entrada/recepção de onde saem os acessos ao edifício principal que fica circundado pelos prédios vizinhos.

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Passarela que liga o prédio da entrada ao edfício principal (foto: Michel Denancé – Coll. Fondation Jérôme Seydoux-Pathé © 2014 – RPBW)

2 – A sala de projeção Charles Pathé, com capacidade para 68 pessoas, é dedicada ao cinema mudo. Os filmes exibidos foram na sua maioria produzidos pela Pathé na França e no exterior e variam entre títulos poucos conhecidos e obras-prima da época. O mais bacana é que todas as sessões são acompanhados por um pianista tocando ao vivo in loco, como era o costume na época do cinema mudo! Esses pianistas são estudantes do curso de improvisação de Jean-François Zygel, em parceria com o Conservatório Nacional de Música e Dança de Paris. As sessões acontecem todos os dias da semana às 14:00 e às 16:00. Veja a programação diária aqui.

3 – Espaço para exposições temporárias temáticas que exibem cartazes, fotografias, correspondências, programas e muitos documentos dos acervos da fundação. Veja a programação aqui.

4 – A galeria de aparelhos cinematográficos exibe permanentemente 150 equipamentos de cinema que traçam a história e evolução das câmeras e projetores desde 1896 até os anos 80. Pequenos filmes divertidos, apresentados em tablets, contam a história de alguns desses aparelhos e os mostram em funcionamento.

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Galeria de aparelhos cinematográficos (foto: Michel Denancé – Coll. Fondation Jérôme Seydoux-Pathé © 2014 – RPBW)

5 – As reservas de coleções que mantêm arquivos da empresa e de mais de 80 outras que estavam filiadas ao grupo Pathé.

6 – O centro de pesquisa e documentação fica no último andar do prédio sob uma cobertura de vidro. Ele é dedicado à história do cinema e oferece aos pesquisadores, estudantes e público em geral a oportunidade de consulta aos arquivos da Pathé. Há também uma grande biblioteca sobre cinema.

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A bibioteca no último andar (foto: Michel Denancé – Coll. Fondation Jérôme Seydoux-Pathé © 2014 – RPBW)

A visita à fundação é um programa perfeito para cinéfilos e amantes da arquitetura contemporânea mundial. Todos os sábados às 17:00 há visitas guiadas ao prédio, é preciso se inscrever no email accueil@fondationpathe.com.

Fondation Jérôme Seydoux-Pathé: 73 avenue des Gobelins, 75013. Metrô linhas 5, 6 ou 7; estação Place d’Italie.

Horários da sala de cinema e das exposições: terça a sexta das 13:00 às 19:00 e sábado das 10:00 às 19:00. Preço do ingresso duplo “cinema + exposição”: 6€; ingresso somente para a exposição (depois das 16:30): 3€.

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O conteúdo deste post foi decidido pela equipe editorial do Conexão Paris, tendo como critério a relevância do assunto para nossos leitores, não havendo nenhum vínculo comercial com qualquer empresa ou serviço citado no texto. Não recebemos qualquer tipo de remuneração pela escrita e publicação deste texto. Conheça a política de remuneração do Conexão Paris.
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EDITH PIAF: a cantora eterna

Por Diego Milatz

No dia 19 de dezembro de 2015, Edith Piaf, apelidada de “a criança Piaf” teria completado 100 anos de idade. Nesta ocasião, me pareceu importante dedicar um post, mesmo que modesto, a ela. Mas o que dizer sobre Piaf que já não tenha sido dito antes? Seu destino extraordinário, sua voz marcante, seu carisma único, sua carreira excepcional e, fato raríssimo na França, sua fama internacional, são praticamente tudo que há para saber sobre a cantora.

Então eu pensei: “E se a gente jogasse o jogo Você sabia que?

1 / FAMÍLIA: Você sabia que:

  • Seu nome foi escolhido em homenagem a uma enfermeira inglesa fuzilada pelos alemães dois meses antes de seu nascimento?
  • Seu pai foi um artista de circo, contorcionista antipodiste (que faz malabarismo de objetos com os pés) e que sua mãe foi uma cantora de rua de origens italiana e marroquina?
  • Seus dois avôs e sua avó materna também foram artistas de circo e que sua avó paterna foi dona de bordel?
  • Ela tinha um irmão três anos mais jovem que viveu até a idade de 79 anos?
  • Sua mãe a abandonou muito jovem e ela foi criada por sua avó paterna em seu bordel no meio de prostitutas que cuidavam dela?

2 / CARREIRA: Você sabia que:

  • Foi acompanhando seu pai em seus espetáculos de rua que Edith Piaf começou a cantar e se descobriu uma voz única?
  • Que aos 17 anos ela conheceu seu primeiro amor. Desta união nascerá uma menina chamada Marcelle, que, infelizmente, morreu com a idade de dois anos. Para afogar as mágoas, ela vagueia pelas ruas de Paris, onde ela canta e começa a ganhar a vida sendo descoberta pelo gerente de um cabaré que a contratou e apelidou de “A criança Piaf” por causa de seu pequeno tamanho (1,47m)?
  • Foi cantando nesse cabaré que um produtor a notou, se apaixonou por ela e gravou seu primeiro grande sucesso nacional “Mon Légionnaire”?
  • Que a partir deste sucesso já não a chamaram mais de “A criança Piaf” mas simplesmente Edith Piaf, que rapidamente se tornou uma estrela e começou a carreira de atriz?
  • Ela foi a origem da carreira artística de Yves Montand e Charles Aznavour?
  • Que foi por vontade própria que ela decidiu conquistar o mundo, especialmente os Estados Unidos, e que, com sua paciência, acabou conseguindo?
  • Ela se tornou a melhor amiga de Marlene Dietrich, que foi testemunha em seu primeiro casamento?
  • Sua canção “La vie en rose”, cuja letra ela escreveu, é uma das canções com mais versões “cover” no mundo: Grace Jones, Louis Armstrong, Celine Dion, entre outros, e agora Lady Gaga?
  • Ela escreveu a maioria das letras de suas canções?

3 / VIDA DO AMOR: Você sabia que:

  • Edith Piaf tinha um temperamento apaixonado? Ela se apaixonava muito facilmente. Ela era o que a expressão francesa nascida no século 19 chama de “coração de alcachofra”!
  • Ela teve um caso com Yves Montand e Georges Moustaki, outro famoso cantor francês?
  • Que seu maior amor e sua maior paixão foi o boxeador francês Marcel Cerdan, que morreu em um acidente de avião quando ele estava indo encontrá-la em Nova York?
  • Ela nunca se recuperou desta terrível ironia do destino e então escreveu para Marcel a canção “L’Hymne à l’amour”?
  • Em seguida, ela fez várias sessões espíritas com a esperança de se comunicar com o espírito de Marcel Cerdan?
  • Que seu último marido, com quem ela se casou um ano e meio antes de sua morte, era 20 anos mais jovem?

Edith Piaf morreu com a idade de 47 anos. Sua vida foi curta, mas intensa. Desgastada pelos excessos, pelo álcool e pela morfina – da qual ela era dependente desde os seus dois acidentes rodoviários sucessivos em 1951 – ela parecia 20 anos mais velha. No fim de sua vida Piaf era também uma mulher machucada e revoltada por não ter conseguido ter uma vida amorosa a altura de sua vida profissional. Ela está enterrada no cemitério de Père Lachaise em Paris.

Ela continua a ser hoje a cantora francesa mais conhecida no mundo e aquela que, sem dúvida, marcou com sua voz excepcional e seu destino trágico, o século 20. Frágil e forte ao mesmo tempo, suas canções são agora parte do patrimônio francês assim como o pequeno vestido preto que ela costumava usar e com o qual ela está para sempre associada.

E você sabia que em Paris há um roteiro chamado “Sur les traces d’Edith Piaf” (Nas pegadas de Edith Piaf), que passa, entre outros locais, pela praça “Edith Piaf”, no 20º arrondissement, onde há uma estátua em sua efígie, ao museu “Edith Piaf”, no 11º distrito, ou pela excelente exposição “PIAF”, que acontece até 25 de agosto de 2015, na Biblioteca Nacional da França. Você encontra todas as informações clicando no link: http://www.bnf.fr/documents/parcours_piaf.pdf. [Nota do Conexão Paris: já falamos sobre esse roteiro aqui e sobre a exposição aqui]

Todos devem assitir, se já não o fizeram, “La môme”, o belo e impressionante filme de Oliver Dahan com a incrível Marion Cotillard, premiada com o Oscar de Melhor Atriz em 2008.

Escute a playlist Conexão Paris – Deezer com músicas de Edith Piaf:

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