Havre, ponto de partida para explorar a Normandia

Havre, ponto de partida para explorar a Normandia

Por Rodrigo Lavalle

Le Havre é uma cidade portuária da Alta Normandia (região noroeste da França) pouco conhecida pelos brasileiros mas muito importante para os franceses. Ela se situa no estuário do rio Sena (onde ele deságua no Canal da Mancha), no meio do caminho entre Deauville/Trouville, Honfleur e Étretat.

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Vista geral do “centre ville” do Havre. Foto tirada da torre do Hôtel de Ville.

Essa posição privilegiada e o fato de ser uma cidade média, com boa infra-estrutura e opções em geral, faz dela uma ótima base a partir da qual podemos visitar a região. Quando amigos que moram em Paris decidem de última hora ir à Normandia durante a alta temporada, eles geralmente não acham vaga nos hotéis menos caros de Deauville e Trouville e se hospedam no Havre.

Para aqueles que não querem alugar carro, do Havre os turistas podem pegar ônibus para as principais cidades da Normandia.

Além disso a cidade, por ter uma forte ligação com a história da 2ª Guerra Mundial e com o movimento impressionista, merece também ser visitada por quem se interessa por esses dois assuntos.

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Vista geral da “cidade alta” do Havre. Foto tirada da torre do Hôtel de Ville

O que é:

Fundada, juntamente com seu porto, pelo rei François 1° em 1517, o Havre é uma cidade relativamente “nova” no contexto da França. Devido à sua localização estratégica ela sempre foi um ponto importante de acesso ao interior do país e de comércio internacional entre a Europa e o Novo Mundo (principalmente algodão, café e cacau). Atualmente o porto do Havre é o 1° da França em transporte de contêineres, o 2° (depois do porto de Marseille) em tráfego geral e o 5° do mundo.

Mas o Havre não é uma cidade típica da Normandia como suas vizinhas. No fim da 2ª Guerra Mundial, 80% de sua área central foi totalmente destruída por bombardeios tanto dos aliados quanto dos alemães. Em virtude dessa quase total destruição do seu centre ville, ela foi reconstruída entre 1945 e 1961 dentro de um estilo modernista baseado sobretudo no uso do concreto. O arquiteto responsável pelo projeto geral de urbanismo e por alguns dos edifícios mais importantes da cidade (a prefeitura e a igreja) foi Auguste Perret. No geral, a cidade tem um aspecto mais moderno, regular e arejado. Existem áreas verdes entre os prédios e tudo é mais fluido.

O "centre ville"

O “centre ville”

Em julho de 2005 o centre ville do Havre foi inscrito na lista do Patrimônio Universal da Humanidade pela UNESCO.

O que ver/visitar/fazer:

1) O centre ville (centro da cidade), concebido por Auguste Perret. Vejam aqui um roteirinho pela região cujos pontos de destaque são:

  • Hôtel de Ville (prefeitura) e sua grande esplanada (1517 Place de l’Hôtel de Ville), ambos projetos do próprio Perret;

O Hôtel de Ville

  • Apartamento Testemunha (181 Rue de Paris), uma espécie de “museu do cotidiano”, é uma reconstituição dos apartamentos propostos por Perret e sua equipe para relocar as famílias que perderam suas casas durante a guerra. A ambientação é feita com móveis, objetos, utensílios e roupas originais da década de 50 e mostra como esse novo jeito de morar era bem diferente daquele do pré-guerra.
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A sala de estar do “Apartamento Testemunha”

  • A imponente Avenida Foch que leva até a praia onde os dois prédios de sua extremidade formam a “Porte Océane” que simboliza as portas da cidade;
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A Avenue Foch e ao fundo os dois prédios que formam a “Porte Océane”

  • A monumental Igreja Saint-Joseph (Boulevard François 1er), projetada por Perret. Com uma torre octogonal de 110m de altura a igreja tem planta quadrada com o altar no centro. Os vitrais “pintam” a igreja de tons diferentes de acordo com a posição do sol ao longo do dia;
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A Igreja Saint-Joseph e sua torre-campanário

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Interior da Igreja Saint-Joseph

  • Maison de la Culture du Havre e o seu teatro Le Volcan, ambos projetados por Oscar Niemeyer. O teatro foi concebido tendo como referência as enormes chaminés dos transatlânticos a vapor que saíam e chegavam ao porto do Havre mas acabou ganhando esse nome em virtude da sua semelhança com um vulcão.
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Le Volcan

2) O MuMA – Museu de Arte Moderna André-Malraux (2 Boulevard Clemenceau) possui uma das mais prestigiadas coleções de obras impressionistas e fauvistas da França. O Havre e o movimento impressionista estão intimamente ligados. A cidade patrocinava o pintor Eugene Boudin, nascido na vizinha Honfleur. Boudin foi mestre de Monet, que se mudou para a cidade com 4 anos de idade, e foi quem o introduziu à pintura de paisagens. Quando de sua morte Monet doou 3 telas ao museu.

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A entrada do museu de arte moderna

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Interior do museu de arte moderna

Muitos artistas impressionistas e fauvistas pintaram o Havre e suas paisagens. Ao longo da cidade foram instalados painéis assinalando esses locais e mostrando o quadro pintado. O aplicativo para smartphone “Le Havre Impressioniste et Fauve” tem um circuito com todos os locais e obras.

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Os painéis marcam os locais que serviram de inspiração à importantes obras do Impressionismo

O nome ‘Impressionismo’ vem do célebre quadro ‘Impression, soleil levant’ pintado por Monet e que está em Paris no Museu Marmottan. Devido a esse fato ele sempre gerou muita curiosidade e especulação. O sol está se levantando ou se pondo? Quando ele foi pintado? Para responder a essas perguntas, Géraldine Lefebvre, historiadora de arte e curadora júnior do MuMA, se dedicou por anos a um estudo meticuloso e apaixonado. Com a ajuda de vários outros profissionais, entre eles o físico e astrônomo Donald W. Olson, chegou-se a conclusão que o quadro foi pintado no Havre no dia 13 de novembro 1872, por volta de de 7 horas da manhã. Para quem quiser se aprofundar no estudo de Géraldine eu recomendo o catálogo da exposição sobre o quadro realizada pelo Marmottan entre 2014 e 2015.

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O quadro ‘Impression, soleil levant’ pintado por Claude Monet no Havre

3) A Casa do Armador – Maison de l’Armateur (3 Quai de l’Ile). Projetada pelo arquiteto Paul-Michel Thibault  em 1790 ela foi comprada pelo rico negociante e construtor de navios em 1800. A casa possui uma solução arquitetônica inusitada e interessante que permitiu um maior aproveitamento do espaço. Não irei contar a surpresa!

4) Os Jardins Supensos (Rue du Fort), construídos dentro do antigo forte de Saint-Adresse. Cada um de seus 4 cantos possui jardins com plantas de algum local do mundo com o qual o Havre fazia comércio: América do Norte, Ásia e Oceania. Há ainda estufas onde são produzidas as flores usadas no paisagismo da cidade. A visita é super interessante!

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A entrada do antigo forte onde estão os Jardins Suspensos

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As estufas e ao fundo, à direita, a montanha-depósito de pólvora

Além dos cantinhos bucólicos e isolados, ideais para um momento contemplativo, conseguimos admirar belas vistas do mar e da cidade. Algumas das antigas instalações do forte ainda estão preservadas como o depósito de pólvora que foi transformado em capela. Uma parte do edifício foi destruída pelos aliados durante a 2ª Guerra Mundial na tentativa de invadi-lo e expulsar os nazistas que haviam transformado o local em seu QG. Esse pedaço não foi reconstruído e uma ponte metálica liga as partes remanescentes.

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Cantinhos bucólicos dos Jardins Suspensos

5) A praia e o mar. Durante os meses de primavera e verão vários bares e restaurantes se instalam ao longo da praia, na Promenade André Duroméa. É o local ideal para almoçar ou jantar olhando o mar e o movimento.

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A Promenade André Duroméa com os bares e restaurantes

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As cabines da praia

Como ir:

Em Paris pegue o trem na Gare Saint-Lazare. A viagem dura cerca de 2 horas. Pesquise horários e preços aqui.

Para visitar as cidades vizinhas o ideal é alugar um carro no Havre. Isso permite maior flexibilidade nos horários e no roteiro – exemplo: meus amigos estavam hospedados no Havre e, como o dia amanheceu chuvoso, eles resolveram ficar na cidade. Logo depois do almoço o tempo abriu, eles pegaram o carro e foram passar o resto do dia em Trouville. A Avis possui uma agência na estação ferroviária do Havre (12 rue Magellan). Há também a Europcar (51 quai de Southampton) e a Hertz (167 boulevard Amiral Mouchez).

Mas também é possível ir de ônibus e carro:

  • Do Havre até Étretat: peguem o ônibus linha 24 (Fécamp – Étretat – Le Havre) na gare routière que fica junto à estação ferroviária do Havre. Baixem o PDF com os horários aqui. A viagem dura cerca de 50 minutos.
  • Do Havre até Honfluer: peguem o ônibus da empresa BusVerts linha 20 ou 39 ou 50 na gare routière do Havre e desçam na gare routière de Honfleur. Cada uma dessas linhas tem destino final e horários diferentes mas todas param em Honfleur. Vejam os horários aqui. A viagem dura cerca de 30 minutos.
  • Do Havre até Deauville: peguem o ônibus da empresa BusVerts linha 20 na gare routière do Havre e desçam na  de Deauville. Vejam os horários aqui. A viagem dura cerca de 1 hora.
  • É possível também ir de Honfleur para Deauville pegando a linha 20.A viagem dura em torno de 2 horas. Obtenha o orçamento das principais locadoras de carro na França aqui.
  • De carro a viagem dura cerca de 3 horas. Obtenha o orçamento das principais locadoras de carro na França aqui.
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La mer…

Para mais informações sobre a cidade consultem o site da cidade: www.lehavre.fr

Agradecimentos a minha guia e profunda conhecedora do Havre, Madame Françoise Prigent.


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