Recentemente fomos convidados pela VIVE Travel e seu fundador Francisco Betancourt para uma viagem à Bruxelas com curadoria especial feita por ele. Uma experiência única e encantadora que nos fez descobrir a capital belga por outro ângulo.

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Bruxelas, capital da Bélgica. Foto: Goi from Pixabay

1° dia: a artista, o hotel e seus encantos

Chegamos à Bruxelas ao meia-dia de uma quarta-feira de verão.

A capital belga estava no clima da Tomorrowland, um super festival de música eletrônica que iria acontecer no final de semana nas cercanias da cidade. Muitos jovens animados cruzavam a Grande Place com suas roupas, adereços e bandeirolas coloridas. Mas a nossa visita não tinha nada a ver com esse evento, o que nos aguardava era algo mais intimista e elegante.

A artista

Depois de almoçarmos em um récem-inaugurado restaurante bem ao lado da Grande Place, partimos para a nossa primeira descoberta bruxelloise, escolhida a dedo pelo Francisco: a loja-ateliê da artista belga Roseline d’Oreye (Galerie du Roi 10, Bruxelles) onde fomos recebidos pela própria.

Apesar de ter construído uma carreira como ilustradora de livros infantis e ter trabalhado como arte-terapeuta, com o passar do tempo Roseline sentiu a necessidade de um novo veículo onde pudesse expressar mais livremente sua criatividade e contar ao mundo suas histórias.

Em 2019 ela lançou sua marca homônima — Roseline d’Oreye — especializada em lenços de seda estampados com as coloridas e surrealistas aquarelas feitas por ela. Cada peça criada por Roseline conta uma história, seja uma de suas inúmeras viagens pelo mundo ou a herança histórica, gastronômica e cultural da Bélgica.

Dos lenços, a oferta de produtos se desdobrou em ponchos e quimonos de seda, bem como bolsas de couro pintadas à mão uma por uma pela própria Roseline. Todos os artigos em seda pura são confeccionados na região de Como, na Itália, renomada por seu savoir-faire ancestral nesse material. O objetivo é oferecer aos clientes mais do que apenas moda, mas sim arte para vestir.

Na sequência da nossa visita encantadora à loja da Roseline, da qual saímos com um presente super fofo (uma máscara de dormir em seda pura!), já era a hora de fazer o check-in no hotel.

Roseline d'Oreye bruxelas belgica

A ilustradora, artista e estilista belga Roseline d’Oreye em sua loja de lenços e vestidos de seda na Galerie du Roi em Bruxelas, na Bélgica

O hotel

E que hotel!

Situado no histórico bairro de Notre Dame aux Neiges, o Corinthia Grand Hotel Astoria Brussels é simplesmente o hotel mais elegante, bonito e sofisticado de Bruxelas!

Inaugurado com o nome de Hotel Astoria em 1910, o prédio foi projetado pelo arquiteto Henri Van Dievoet por encomenda da realeza belga a fim de acolher os ilustres participantes da Exposição Internacional de Bruxelas daquele ano.

Ao longo de sua história, o Hotel Astoria hospedou figuras importantes da história mundial como Winston Churchill, Salvador
Dalí e James Joyce, conquistando o status de destino favorito da realeza, políticos, ícones culturais e intelectuais.

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O Hotel Corinthia Brussels, um 5 estrelas maravilhoso em Bruxelas, na Bélgica

Fechado em 2007, o edifício permaneceu inativo até dezembro de 2024, quando reabriu como Corinthia Grand Hotel Astoria Brussels após um minucioso projeto de restauração que honrou a herança Beaux-Arts do prédio, integrando, ao mesmo tempo, instalações de última geração, como o maravilhoso spa no subsolo.

Apesar da imponência ancestral do edifício, a ambiance geral do Corinthia é elegante e sutil, um luxo sem ostentação que nos acolhe e nos deixa à vontade. 

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Palm Court: o espaço de convívio do Hotel Corinthia Brussels em Bruxelas

Ficamos em uma das suítes Deluxe, com cerca de 60 m². Na verdade, um apartamento que mistura a grandiosidade da arquitetura do começo do século XX com uma decoração contemporânea e acolhedora que traz uma atmosfera geral de calma e tranquilidade.

Ao todo, o Corinthia Grand Hotel conta com 90 quartos e 36 suítes cujas áreas variam de 30 m² a 330 m². Veja aqui os valores e disponibilidade.

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A suíte Deluxe do Hotel Corinthia Brussels em Bruxelas

Nossa 1ª noite em Bruxelas: o bar e o restaurante

Passamos nossa primeira noite em Bruxelas aproveitando as opções de bar e restauração que o Corinthia oferece.

A noite começou no bar de coquetéis Under The Stairs, primeiro bar autoral da mixologista belga Hannah Van Ongevalle. Como o próprio nome indica, o bar fica “escondido” debaixo da majestosa escadaria que liga o átrio do hotel aos andares superiores. Mas não pense em um lugar apertado e abafado, o bar é aconchegante e tem uma charmosa área externa com jardim.

Além dos coquetéis tradicionais, o Under The Stairs oferece também coquetéis sazonais que giram em torno de um tema específico. Quando estivemos lá (verão de 2026) a carta de coquetéis autorais se chamava ‘Love Letters’ sendo os drinks inspirados em cartas de amor!

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O bar de coquetéis Under The Stairsno Hotel Corinthia Brussels em Bruxelas

Nós pedimos o ‘For My Man”, um drink salgadinho feito com vodka Grey Goose infusionada com azeitonas pretas e queijo azul, vermute Noilly Prat e gotinhas de óleo de café. Uma agradável supresa que foge dos coquetéis ou muito doces ou muito amargos.

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O coquetel ‘For My Man’

No quesito restaurantes, o Corinthia firmou parceria com dois chefs belgas muito queridos e premiados com estrelas Michelin — David Martin e Christophe Hardiquest — que trouxeram seus conceitos gastronômicos para dentro do hotel na forma dos restaurantes La Paix (gastronômico) e Le Petit bon bon (restaurante no estilo brasserie, mais descontraído).

Nosso jantar foi no Le Petit bon bon, do chef Christophe Hardiquest. Aqui você vai encontrar pratos tradicionais belgas com um toque moderno. O design do restaurante reflete esse conceito: a tradicional madeira e o couro das antigas brasseries foram retrabalhados em formas e acabamentos contemporâneos.

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Restaurante Le Petit bon bon no Hotel Corinthia Brussels em Bruxelas

Pedimos o vol-au-vent (vasinhos feitos de massa folhada e recheados com misturas cremosas de frango ou carne vermelha e cogumelos), uma receita de origem francesa mas considerada um dos pratos nacionais da Bélgica, podendo ser encontrado em todos os restaurantes que servem a culinária belga.

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O vol au vent do restaurante Le Petit bon bon

2° dia: uma jornada surrealista

Nosso segundo dia começou com uma visita guiada privada ao Museu Magritte.

Inaugurado em 20 de maio de 2009, o Museu Magritte (Place Royale 1, Bruxelles) abriga a maior coleção do mundo de obras do icônico artista belga René Magritte, um dos papas do surrealismo. Ocupando um prédio de estilo neoclássico do final do século XVIII, o museu possui em exibição 230 peças e materiais de arquivo do artista entre pinturas, guaches, desenhos, esculturas, objetos pintados, além de cartazes publicitários, partituras musicais, fotografias e filmes.

A visita guiada nos fez mergulhar não só na obra de Magritte mas também na sua vida pessoal e no contexto sócio-político mundial dos anos em que ele viveu o que, obviamente, influenciou diretamente o seu trabalho. Como dizemos com frequência, visitas guiadas sempre valem a pena: além de serem uma ótima opção para quem tem pouco tempo e quer otimizá-lo ao máximo, elas aprofundam a experiência e trazem informações que nos escapariam em uma visita solo.

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‘Good Faith’, obra do pintor surrealista belga René Magritte, do acervo do Museu Magritte de Bruxelas, que contem 2 objetos frequentes no repertório de Magritte: o cachimbo e o chapéu coco.

Almoço e pós-almoço indulgentes

Em seguida fomos almoçar na Maison Vincent (Rue des Dominicains 8, Bruxelas), um dos restaurantes mais antigos e renomados de Bruxelas.

Fundada em 1905 como Rotisserie Vincent, a Maison Vincent está localizada a poucos passos da Grand Place, no histórico bairro dos açougueiros de Bruxelas, onde gerações de moradores iam em busca das melhores carnes.

O restaurante dá continuidade a esse legado, apresentando uma culinária belga excepcional em um cenário histórico extraordinário. As carnes servidas são cortadas e flambadas à mesa, preservando uma tradição culinária teatral que praticamente desapareceu em outros lugares da cidade.

O grande salão da Maison Vincent é revestido com espetaculares painéis em estilo Art Déco feitos de azulejos pintados à mão que retratam cenas inspiradas em Bruxelas e na vida costeira tradicional do Mar do Norte. Esses notáveis ​​afrescos de cerâmica são classificados como patrimônio da UNESCO, tornando a Maison Vincent um dos restaurantes históricos mais singulares da cidade.

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Restaurante Maison Vincent, em Bruxelas, e seus espetaculares painéis de azulejos pintados à mão, em estilo Art Déco

Na sequência do almoço (no qual fomos aconselhados a não pedir sobremesa!) embarcamos em um tour supresa pelo centro histórico de Bruxelas com a parisiense Marie, que lançou em 2015 a empresa Hungry Mary Food Tours, especializada em tours gastronômicos na capital belga.

Nesse momento o conselho de não pedir sobremesa no almoço fez todo o sentido: o tour de 3 horas proposto por Marie nos levaria para conhecer e degustar os melhores chocolates, waffles e cookies de Bruxelas, além de suas famosas cervejas!

Foi uma tarde de puro deleite.

Um dos pontos importantes do tour da Marie foi saber separar o joio do trigo nas centenas de opções de chocolaterias que existem no centro de Bruxelas, ou seja, saber exatamente quais oferecem produtos artesanais e de boa qualidade e quais vendem produtos industrializados “pega turista”.

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Marie, guia e fundadora da empresa ‘Hungry Mary Food Tours’, especializada em tours gastronômicos em Bruxelas

Noite banhada em surrealismo

Na nossa segunda noite fomos recebidos pelo Hotel Amigo (Rue de l’Amigo 1, Bruxelas), um ícone da hotelaria de Bruxelas instalado em um prédio onde já funcionou uma prisão.

Conhecemos duas das suítes mais interessantes do hotel que se destacam pela homenagem a duas grandes celebridades belgas:

  • A Suíte Tintin é a única do gênero no mundo e celebra o icônico personagem belga das histórias em quadrinho por meio de obras de arte, livros, gravuras e elementos decorativos exclusivos criados para o Hotel Amigo. A suíte oferece uma imersão lúdica e, ao mesmo tempo, refinada no universo de Tintin, com vista para a Prefeitura de Bruxelas.
  • A Suíte Diane von Furstenberg presta uma homenagem ousada à célebre estilista belga Diane von Furstenberg. Com peças de destaque, obras de arte e itens pessoais assinados pela própria Diane, a suíte oferece uma jornada imersiva em seu vibrante universo criativo.
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A suíte Diane von Furstenberg do Hotel Amigo, em Bruxelas

Depois de uma jantar no restaurante do hotel, o italiano Bocconi lindamente decorado com imagens de personagens da Commedia dell’Arte, fomos para o bar do hotel, o incrível Bar Magritte.

Ceci n’est pas un bar…

Entrar no Bar Magritte é como entrar em um dos quadros do famoso pintor belga.

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Bar Magritte localizado dentro do Hotel Amigo

Esse é o único bar do mundo dedicado ao gênio surrealista belga René Magritte. O ambiente incorpora a temática surrealista, com um papel de parede vibrante que evoca a obra do artista.

O inovador cardápio de coquetéis, chamado “His Work”, foi elaborado pelo renomado mixologista Salvatore Calabrese e apresenta 10 coquetéis autorais inspirados nas obras e na trajetória de René Magritte.

Já o cardápio “His World” apresenta 10 coquetéis clássicos, populares durante o período da vida adulta do artista.

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O coquetel Good Faith do Bar Magritte servido em um “cachimbo” de vidro, referência a um dos temas frequentemente pintado por René Magritte

Todos drinks do cardápio “His Work” foram nomeados a partir de obras do pintor e mesmos dois copos onde eles são servidos saíram diretamente do repertório imagético do artista.

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O coquetel Magritte do Bar Magritte servido em um “chapéu coco”, referência a um dos temas frequentemente pintado por René Magritte

Uma imersão total no universo surrealista de Magritte!

3° dia: relaxar e dizer até breve

A manhã do terceiro dia foi reservada para relaxarmos no spa do hotel Corinthia.

O spa (comandado pela marca francesa Sisley) ocupa o subsolo de 1.200 m² que foi totalmente criado na reforma recente do edifício! Isso permitiu que o dimensionamento dos espaços fosse feito de forma generosa, inclusive o pé-direito

Como dissemos anteriormente, o bairro onde onde fica o hotel Corinthia se chama Notre Dame aux Neiges (“Nossa Senhora das Neves”) historicamente um centro de produção de rendas belgas. O spa se inspira nesse passado que se reflete no luxuoso revestimento de pedra branca utilizado em todo o ambiente, nos detalhes intrincados inspirados nas rendas e na estética leve e fresca que permeia o espaço.

Sob os tetos abobadados, fica a piscina com raia de 9 metros e uma piscina de vitalidade, ambas revestidas com pedra branca luminosa. À beira da piscina, uma lareira a gás, com fundo em granito Patagônia iluminado, acrescenta calor e elegância, com suas chamas refletindo-se na água.

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A piscina do spa do Hotel Corinthia Brussels

Há ainda com uma sauna ampla com vista para a piscina, banho a vapor, duchas de vitalidade e uma fonte de gelo, além de espreguiçadeiras posicionadas estrategicamente para o relaxamento. As seis salas de tratamento do spa, revestidas em madeira e com formas suaves e arredondadas, refletem a linguagem de design tranquila da recepção.

Nossa volta para Paris estava programada para às 14h, então almoçamos no hotel, no grande espaço sob a claraboia de vidro que fica a 11 metros de altura. Nesse local, que funciona como um ponto de encontro e socialização do hotel, é servido também o café da manhã e o chá da tarde.

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Hotel Corinthia Brussels, em Bruxelas

Até breve, Bruxelas

Essa foi a nossa 3ª visita à Bruxelas e foi a que mais nos relevou os encantos, particularidades e singularidades da cidade. Diferente de Paris, onde os grandes monumentos e largas avenidas causam um impacto imediato, Bruxelas está nos detalhes, nas sutilezas, nas sobreposições e oposições entre a duas culturas que formam o país.

Os jornalistas que participaram da viagem acompanhados de Cibele Maciet da agência Cibele Maciet Communication (à esquerda) e Francisco Betancourt da VIVE Travel (de terno claro).

Como ir à Bruxelas saindo de Paris

Apesar de Bruxelas “exigir” pelo menos um final de semana para ser bem aproveitada, você pode fazer um bate e volta saindo de Paris, visto que a capital belga fica a somente 1h30m de trem de alta velocidade (TGV) da capital francesa.

Você pode ir no trem das 8 da manhã e voltar no das 8 da noite.

Clique aqui para ver horários e preços e comprar sua passagem.

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