Dalida foi uma das grandes cantoras francesas de todos os tempos. Tão famosa e querida na França quanto Piaf, ela possui até mesmo uma praça com seu nome em Paris (clique aqui). Nosso amigo Diego Milatz nos brinda com um belo texto onde narra a vida da estrela.

Diego Milatz é um querido amigo parisiense. O nome, ele ganhou da mãe espanhola e a paixão pela música francesa foi construída ao longo da vida entre Paris e a Provence. Convidamos Diego para nos apresentar seus artistas favoritos. O texto foi escrito em francês. Abaixo, nossa tradução livre.

Eu vim ao mundo no Egito no dia 17 de janeiro de 1933 e eu os abandonei no dia 3 de maio de 1987 em Paris.

54 anos durante os quais minha vida foi cheia de música, de canções, de sucesso, de reconhecimento e de sofrimento. Eu fui uma rosa magnífica porém cheia de espinhos.

Meus pais eram imigrantes italianos no Egito. Papai era o primeiro violino da Ópera do Cairo e mamãe, costureira. Tenho dois irmãos, Orlando e Bruno, meu nome verdadeiro é Iolanda.

A vida corria tranquilamente no Cairo quando, aos 3 anos, eu contraí uma infecção nos olhos que me cegou temporariamente e, em seguida, me deixou estrábica. Obrigada a usar óculos de lentes grossas, eu me tornei o alvo de todas as piadas na escola. Somente meu pai continuava a me achar bela. Infelizmente ele morreu quando eu tinha 12 anos. Nesse momento, eu não saiba que o luto viria a fazer parte da minha vida íntima.

Aos 16 anos, cansada de me sentir humilhada, eu quebrei meus óculos, me convenci de que era bonita e decidi que esse “defeito” seria, a partir de então, minha marca indelével. E, como vingança, eu me tornei Miss Egito aos 21 anos. Esse título me abriu as portas do cinema egípcio mas meu sonho era PARIS.

Determinada, eu escapei para a cidade do amor em 21 de dezembro de 1954 e, nesse dia, eu virei DALIDA!

Mas, se eu sonhava com Paris, Paris não me esperava e seu cinema ficou mudou aos meus pedidos. Eu me voltei então para a música e, de cabaré à music-hall, eu impus minha voz. Lucien Morisse, produtor e diretor de rádio, me notou e decidiu gerenciar minha carreira. Foi com minha terceira canção, Bambino, que eu alcancei o sucesso e minha carreira foi lançada. Vejam:

Eu engatei sucesso atrás de sucesso e o público se entusiasmou. Eu me tornei rapidamente uma artista popular. Até mesmo lancei meu primeiro disco nos Estados Unidos e fui a primeira cantora a criar um fã clube. Mais por agradecimento que por amor (devo reconhecer), eu me casei com Lucien Morisse em 1961. Mas o amor é um sentimento que não controlamos, nos divorciamos 1 ano mais tarde. Louco de raiva, o mesmo homem que havia feito de mim uma estrela, tentou atrapalhar minha carreira, mas o triunfo de minha primeira turnê no Olympia (de Paris) foi minha bela vingança. Ele se curvou.

Os anos 60 na França foram marcados pela chegada da onda “ié ié ié”: jovens cantores e cantoras que regravaram músicas americanas e inglesas de ritmos endiabrados. Alguns pensaram que eu estava acabada, mas minha estrela da sorte profissional pensou diferente e, em 1965, eu até fui eleita a cantora do ano. Vejam esse vídeo, essa canção foi cantada ao mesmo tempo por mim e por Johnny Halliday, ela faz parte de um filme do qual eu participei em 1961: Parlez foi d’amour. E sim, quando a gente é famosa, as portas do cinema se abrem mais facilmente.

Eu decidi então ficar loira, como as grandes estrelas americanas. Minha carreira estava estável e meu repertório se alimentava de canções menos “leves”, de canções que me permitiam empregar minha amplitude vocal.

Vagando de sucesso em sucesso, eu abracei o período “disco” que desembarcou na França nos anos 70 trazendo muito otimismo e decidi ser a primeira cantora popular a se lançar no gênero. Esse período foi para mim a ocasião de dançar e de oferecer ao meu público espetáculos “americanos”. Vejam esse trecho:

Eu ficaria horas contanto para vocês sobre o meu sucesso profissional. Sim, é verdade que eu tinha uma carreira perfeita, vendia milhões de discos, enchia meus shows e era amada. Mas…

Minha vida pessoal sempre foi sombria. Eu tive bons relacionamentos mas, o grande amor nem sempre iluminou a minha vida e, pouco a pouco, meu coração se esfriava. A morte rondou meu coração ao longo de toda a minha vida e ela não parou de escurecer. Talvez com o tempo:

Eu estava infeliz, eu estava doente. Doente de amor. Todos os homens que eu amei foram embora um a um. Suícidos, eu provoquei mais que um. Eu digo com certeza “provoquei “. Os momentos da minha vida profissional onde a sorte foi minha amiga, foi a infelicidade que irradiou na minha vida amorosa. Por que? Eu nunca saberei.

Três de meus amores mais profundos se retiraram da vida. Me deixando a cada vez submersa pela dor, essa dor tão detestada e pouco explicada.

Luigi, artista talentoso, que eu, sem querer, tornei transparente aos olhos do público ao qual ele queria tanto pertencer. Richard, cuja loucura me fazia, ao mesmo tempo, rir e ter medo. E Lucien, meu primeiro marido, meu cúmplice, o que me descobriu. E depois houve Mike Brandt, um amigo, meu namorado. Cantor brilhante e de uma beleza rara e preciosa. Meu ouvido, meu ombro. Mesmo ele decidiu partir da maneira mais trágica que existe: o suicídio, esse termo que tanto detesto.

Eu falhei até mesmo eu ser o que a maioria das mulheres sonha ser: mãe. O fruto de minha relação com Lucio deveria concretizar esse sonho. Mas como lutar contra a vontade de um jovem de 18 anos que sorri para tudo? Apaixonada eu decidi de colmar fim a gravidez para liberar Lucio desse “cativeiro”, e a vida mais uma vez me puniu amargamente. Eu não pude mais ter filhos.

No palco eu brilhava, as pessoas me viam feliz e borbulhante. Eu era uma estrela. Dentro do meu coração, eu era uma mulher sem chama, uma luz apagada. A diferença era tão difícil de suportar que eu decidi, eu mesma, por um fim na situação. “A vida ficou insuportável”.

Anos mais tarde, de lá do alto, eu os vejo ainda me escutando, dançando minhas músicas, fazendo filmes sobre mim (Dalida, de Liza Azulejos). Eu constato que eu continuo a deixarem-los felizes e isso me satisfaz porque hoje eu estou em paz.

Escute a playlist Dalida feita pelo Diego:

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