Evandro Barreto

A Paris de Woody Allen não é para quem vai, é para quem volta.

“Meia-noite em Paris”´é a balada, admiravelmente  escrita,  filmada e musicada, dos encontros inesperados na avenida  do tempo perdido.

Um roteirista de cinema americano, que sonha em escrever seu primeiro romance, vai a Paris em 2010 e se depara, não  mais que de repente, em plena década de ’20 do século passado, com Zelda & Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway, Cole Porter,  Buñel, Dali, Man Ray e outras figuras que se tornariam ícones da chamada geração perdida, mas ainda não sabiam disso porque é muito difícil ser contemporâneo do próprio mito.

Gil, o roteirista apaixonado pelo passado, também se apaixona por Adriana, amante/modelo de Picasso, Braque e Modgliani, que só não retribui totalmente porque ela já havia escolhido para amar o seu tempo não-vivido: a Belle Èpoque. É para lá que os dois viajam ao encontro de Tolouse-Lautrec, Gauguin e Degas, cavalheiros frustradíssimos por não viverem na Renascença. Antes que todos retrocedam ao Gênesis, onde deve morar um deus bíblico nostálgico do big bang, ele retorna à Paris de Mme. Sarkozy. Gil traz consigo o encorajamento literário de Gertrude Stein e a certeza de que o Ontem, com seu irresistível charme editado, é um concorrente muito desleal.