Ligações Perigosas


A história : o mundo muda sem parar mas a natureza humana continua idêntica à ela mesma.

Na época de Choderlos de Laclos, escritor francês do século XIX, os amantes trocavam cartas em jogos de sedução. Mais tarde o telefone substituiu o papel e a caneta.

Hoje, o desenvolvimento da internet, dos SMS e das redes sociais provocou um formidável retorno ao escrito nas relações amorosas.


O grande  John Malkovich, um Valmon inesquecível no filme acima de Stephen Frears, escolheu esta mise en scène e este olhar contemporâneo para a peça de teatro que dirige e que  está em cartaz em Paris até final de junho.

No palco quase vazio, ele reuniu um grupo composto principalmente de jovens atores que encarnam os personagens de Choderlos de Laclos. Juntos eles recriam as intrigas da famosa obra da literatura francesa, Les Liasons Dangereuses.

Para aqueles que ainda não leram o livro, recomendo. Ou então vejam o filme.

Onde: no Theâtre de l’Atelier. Do dia 12 de janeiro até final de junho. Reservas por aqui.



Literatura francesa: Próxima Estação Paris


Sou Nilza Freire, uma leitora e admiradora do Conexão Paris.
Eu gostaria de retribuir minimamente tanta informação preciosa que voce transmite aos seus leitores, muitos deles, imagino, ja se tornaram amigos seus e entre si.
Descobri que foi lançada em julho a primeira edição brasileira do livro “Próxima Estação Paris“, de

Lorànt Deutsch, com mais de 1 milhão de exemplares vendidos.  Ele se baseia em estações do metrô de Paris para contar cronologicamente toda a evolução da gaulesa Lutecia ate a nossa amada Paris, detalhando tudo desde o Imperio Romano.   Achei-o fascinante!
Obrigada por tudo, minhas viagens se enriqueceram absurdamente desde que descobri o CP, ha cerca de dois anos!

Observação: gostaria de complementar a dica da Nilza dizendo que o autor além de escritor é ator com uma longa lista de participação em filmes excelentes. Na França, seu livro se chama Métronome, história da França ao rítmo do metrô parisiense.

Nilza nos enviou também uma outra dica interessante. Um artigo publicado pelo National Geographic chamada Paris Subterrânea.



Livraria em Paris: literatura infanto-juvenil


Se você estiver procurando um livro para presentear uma criança ou um jovem, o  endereço indicado é a Librairie Chantelivre.

Ela é a maior libraria infanto-juvenil de Paris com uma representação quase exaustiva do que é editado nesta área.

Estou sempre passando para dar uma conferida nas novas publicações e para sucumbir aos lápis divertidos, aos pequenos cadernos de notas e lembranças, às borrachas inusitadas, aos cartões postais surpreendentes e aos mil e um objetos que encontramos no imenso espaço que ela ocupa no 6ème.

A localização dela é passagem obrigatória, rue de Sèvres ao lado do Hotel Lutétia.

Chantelivre: 13 rue de Sèvres 75006 Paris – metro Sèvres Balylone.



Le chat du Rabin


Desde o primeiro número, publicado em 2002, eu sigo as aventuras do Gato do Rabino - Le Chat du Rabin - de Joann Sfar.

Joann Sfar é um dos autores de comics mais interessantes da sua geração. Hoje ele tem 900.000 exemplares vendidos e traduzidos em quinze línguas, entre elas hebreu e árabe.

Trata-se da história de um rabino, homem bom, que vive com sua filha  Zlabya, um papagaio barulhento e um gato racionalista e loucamente apaixonado pela sua proprietária. Tendo comido o papagaio, o gato descobre que pode falar. O rabino o proibe de ver sua filha porque ele diz somente verdades que machucam.

Nos primeiros números a ação se desenvolve em torno das discussões entre gato e rabino sobre o Talmud e os jogos de sedução do animal para conquistar o coração da bela Zlabya. Disposto a tudo, ele concorda mesmo em fazer o seu Bar-Mitsvah.

O dom da palavra foi temporário, e de novo mudo ele não interessa mais ninguém a não ser um pintor russo, hóspede de Chagall.  Este homem deseja conhecer Jerusalém.

E por aí vai,  eles todos partem em Citroen e percorrem os países africanos. A história é longa e absolutamente fascinante. Ela denuncia o imaginário colonial e conta o drama e a universalidade da “bêtise humaine”.

Le chat du Rabin se transformou em filme ( cliquem aqui para verem o trailer ). O desenho é delicado e a técnica de animação muito bem feita. Mas como sempre desconfio das interpretações, aconselho comprarem os albuns comics que são absolutamente maravilhosos.

Vão se divertir e aprender o francês.



Revistas femininas


A maior parte do tempo leio as chamadas revistas femininas nos cabeleireiros ou salas de espera das profissões liberais que nos ajudam a viver.

Mas tem uma revista francesa que compro a cada novo número: Causette.

Irreverente, inteligente e logicamente divertida.

Em um dos números do ano passado a capa veio com este carimbo.

Um jogo de palavras entre français d’origine étrangère e produits (appellation) d’origine controlée.

Francês de origem estrangeira + produtos de origem controlada (os produtos franceses como vinhos e queijos que possuem o controle da região onde são fabricados).

Sendo eu uma francesa de origem incontrolável aderi imediatamente ao espírito da revista dirigida às mulheres e escrita por mulheres que acham que a xenofobia é um entrave à felicidade.

Causette gosta de provocar e trata de assuntos como a relação entre feminismo e pornografia, a análise do pudor, homens e contracepção ou porque as louras são politicamente classificadas de direita.

Estou procurando esta camiseta para comprar. Se achar, conto para vocês.



Conexão Paris no It Girls


Eu estou muito feliz por ter sido citada no livro It Girls da Alessandra Garattoni como uma referência sobre Paris.

Alessandra lançou seu livro o ano passado com dicas de moda, estilo, beleza, comportamento, etiqueta, mercado de trabalho, viagens . A primeira edição  esta esgotada e eles já estão preparando a segunda.



Boa Ventura


O senso comum diz que todo o ouro retirado do Brasil no século XVIII foi parar na Inglaterra. Não é verdade. Acaba de chegar às livrarias um livro que comprova que a França recebeu boa parte do tesouro.

Boa Ventura! – A corrida do ouro no Brasil (1697-1810), do jornalista Lucas Figueiredo, mostra que no século XVIII a França utilizou 86 toneladas do metal precioso brasileiro para cunhar moedas. Em 1786, por exemplo, 30% das moedas francesas foram cunhadas com o ouro brasileiro.

Como todo este ouro foi parar na França? A resposta está no fascínio que Paris sempre exerceu.

D. João V, o rei de Portugal que desfrutou de centenas de toneladas de ouro do Brasil, fortuna jamais vista até então no mundo, era obcecado em imitar Luis XIV, o Rei Sol da França. Assim, mandava vir de Paris o melhor  que o dinheiro podia pagar, sobretudo joias. D. Maria Ana da Áustria, mulher de D. João V, tinha 520 peças.

D. José I, filho de d. João V, não foi muito diferente. Às oficinas de François Thomas Germain, em Paris, ele encomendou uma das maiores baixelas da Europa, com 1.270 peças, na qual trabalharam simultaneamente 1.200 artesãos. À mesma oficina, fornecedora oficial de Versailles, d. José contratou um aparelho para almoço em ouro maciço, uma raridade (apenas seis pequenas peças – duas colheres, dois garfos e duas facas – consumiram quase meio quilo do metal precioso).

Esses são apenas alguns exemplos de como os reis de Portugal deixaram escapar para a França uma fortuna que depois lhes faria muita falta.

Paris enfeitiça…

O autor: Lucas Figueiredo, jornalista e escritor, ganhou uma dezena de prêmios, entre eles, três Esso, o mais importante do jornalismo nacional. É autor de quatro outros livros reportagem, todos publicados pela Record: Morcegos Negros, O Ministério do Silêncio, O Operador e Olho por Olho.



As francesas e a bolsa


Li uma breve notícia no FahionMag.com sobre uma pesquisa  em torno dos objetos de desejo das européias. As italianas e espanholas sonham sobretudo com um par de sapatos Louboutin. As alemãs fazem tudo para possuirem um pequeno casado de couro fashion. As inglesas correm atrás de um casaco alta costura vintage. E as francesas? Estas elegem a bolsa o objeto de todos os desejos.

Por isto, talvez,  a análise do sociólogo Jean-Claude Kaufmann sobre  a relação entre a francesas e sua bolsa. Resumindo o livro que acabou de ser publicado,  teríamos o seguinte resultado.

- a bolsa é mais que um acessório, é um desejo profundo;

- a bolsa representa a parte mais íntima da mulher e está ligada à contituição da identidade feminina; ela contém os papéis de identidade mas também fotos, lembranças de momentos carregados de afetividade, objetos preciosos situados além de toda análise racional.

- a bolsa é uma companheira fiel, amiga íntima que tem resposta para tudo. Ela está sempre ao lado, pronto para às necessidade funcionais, afetivas e sociais;

- a bolsa tem dupla função. O interior é um mundo à parte, fora da vista e do julgamento dos outros. O exterior gosta de se exibir e define o poder social da proprietária. Graças à bolsa, você será olhada com mais respeito. Séculos passados a bolsa era usada somente no domingo e continha o missal. A emancipação feminina foi acompanhada pela evolução do papel da bolsa.

- a bolsa é uma arma psicológica para aumentar a auto estima.

Para finalizar, a bolsa será sempre somente feminina? Após uma tentativa frustada de bolsas masculinas nos anos oitenta, talvez os homens sejam obrigados a terem uma bolsa pendurada no braço. Os bolsos não conseguem mais suportar os iPads, iPhones e tudo mais.

Mas de acordo com Kaufmann, o interior destas bolsas/pastas masculinas será sempre decepcionante e pobre. Não terá todos estes sinais ligados à vida como farelo de biscoitos do lanche das crianças.

Jean Pierre Kaufmann. Le sac, un petit monde d’amour, Editora Lattes, 2011.



O dicionário dos apaixonados


A coleção se chama Dictionnaire Amoureux e é publicada pela Editora Plon. Os livos são interessantes pois os autores escolhidos à dedo. Todos falam da sua paixão por uma atividade, por uma cidade, um museu, um vinho.

Alguns exemplos:

Dicionário dos apaixonados pela França.

Pela Alsácia.

Pelo cinema.

Pela Gastronomia.

E a lista é longa: pela América Latina, pelo Islam, por Marseille, pela Opera, pelo vinho, pelo Louvre, pelo golfe…

Editora Plon – Collection Dictionnaire Amoureux



Canções: elemento imaterial da História


As canções marcam nossa trajetória individual e o momento histórico vivido.

Este é o tema de um livro que acaba de ser publicado na França: Ces chansons qui font l’histoire ( As canções que fizeram a história) de Bertrand Dicale.

Estas canções ilustram um estado de espírito, um momento político preciso, uma mudança social. Se transformam em símbolo de repressões ou representam momentos de liberdade.

Algumas canções do século XX marcaram todos nós e não somente os franceses. Estiveram ligadas a momentos políticos ou sociais que tiveram ampla repercussão.

Hasta Siempre e a revolução cubana, No woman no cry e o movimento rastafari, Je t’aime moi non plus e  a liberação sexual francesa.

Cálice, de Chico Buarque de Holanda, estaria presente em um livro intitulado “As canções que contam a história do Brasil”.