A(s) parisiense(s)


Como a imagem de Paris está vinculada a da alta costura e das  marcas luxuosas,  criamos uma imagem da parisiense através deste foco e passamos a vê-la como uma mulher com roupas e adereços especiais percorrendo os pontos turísticos “cartões postais”.

Nada mais falso. Esta parisiense, a bem vestida e elegante, possui um visual despojado. As revistas femininas francesas colocam sempre em evidência esta qualidade, a simplicidade. Simples, mas sexy. Um  visual despojado, linhas puras e predominância de poucas cores, não deixa de lado o aspecto sexy: botões da camisa desabotoados, transparências e mini-saias.

A estilista que hoje representa esta parisiense elegante se chama Isabel Marant: calça curta (carrote),  casaco de couro , lencinho no pescoço e cabelos levemente despenteados.

Inspirem-se vendo o último desfile aqui.

Esta é uma parisiense. Dentro do metrô observe todas as outras e verá que, como em qualquer outra sociedade, os sinais das dificuldades da vida são evidentes.



Quanto tempo os brasileiros gastam com as refeições?


Foto: Francisco Assis Andrade

Poderíamos criar dois grupos.

O primeiro,  aqueles que gostam de uma mesa, uma cadeira confortável e uma refeição degustada com prazer. Neste grupo os franceses com 2h15 minutos por dia assentados diante de entradas, pratos e sobremesas.  Seguidos pelos italianos e os belgas.

O segundo,  aqueles que preferem um rápido sanduíche, uma refeição leve servida em pé no balcão de um café, uma pequena pausa quiche/salada. Neste grupo os noruegueses e os finlandeses.  Estes últimos gastam menos de 1 hora por dia com as refeições.

Eu oscilo entre os dois grupos. Às vezes gosto de um  longo ritual – e as suas inevitáveis consequencias -  as conversas rolando, os vinhos descendo e as cabeças subindo.  No dia a dia aprecio a  saladinha leve e ligeira e o sanduíche coca zero finalizado em 20 minutos.

Me indago sobre os resultados de uma pesquisa similar no Brasil. Visto a diferença cultural  entre as nossas regiões e as diferenças econômicas da população,  os resultados seriam absolutamente falsos se fossem gerais.

E se para  o Brasil mudássemos a característica da unidade de medida? Deveríamos medir o tempo passado a beber cerveja em torno de uma mesa e a pesquisa seria feita nas calçadas em frente do mar, nos bares espalhados Brasil afora, nas vendas em beiras de estradas empoeiradas. Com certeza chegaríamos a índices elevados de tempo de sociabilização.

Como os franceses.



Depilação total? Guerra à pilosidade!


Em 1983, recém-chegada-depilada do Brasil, fiquei surpresa diante da francesa e de tantos pêlos exibidos despreocupadamente.

Desta data até hoje a mudança foi radical. Tão radical que a nova moda chamou a atenção dos pesquisadores em ciências sociais e dos psicanalistas:  porque esta guerra ao pêlo? E as hipóteses se acumulam.

Hoje as francesas escolhem entre uma série de modelos bem definidos. Umas escolhem a depilação brasileira:

Outras, a americana:

As mais tímidas optam pelo modelo clássico:

E a geração que começa a se depilar agora  escolhe a depilação total. Não precisamos de ilustração para saber do que se trata.

Fascinados por esta profunda mutação, os pesquisadores avançam hipóteses diversas: influência vinda dos países árabes, liberação das práticas sexuais, influência dos filmes pornográficos, pressão exercida pelos homens e ninguém sabe mais o quê inventar.

A única certeza é que o sexo imberbe tornou-se norma na França e os modelos citados acima são substituídos por apelações mais poéticas: jardim francês ou eminência desértica.

A idéia deste artigo surgiu diante do email de uma leitora apreensiva com a questão depilação em Paris. Em todos os bairros vocês vão encontrar institutos de depilação.

Eu gosto deste aqui.



Romantismo nas margens do Sena


Atravesso o Sena pelo  Pont des Arts  e confiro se os cadeados dos casais apaixonados estão presos nas grades. Após a limpeza feita pela Prefeitura, novos apareceram. Fico contente desta vitória dos amorosos contra o movimento de degradação dos monumentos. Afinal de contas, estas inocentes representações do amor eterno não incomodam em nada. Ao contrário, pensamentos agradáveis surgem diante desta peninha rosa.

Vejo as peniches ancoradas junto aos cais da rive gauche. Dentro da linha romântica, penso que deve ser agradável morar nestes barcos, café da manhã no convés, suco de laranja, croissant e umas flores contrastando com a toalha branca.

Sigo meu caminho e penso na  unidade do outono e nos dias escuros do inverno.  Quando os ventos gelados voltarem, o cadeado com sua peninha rosa vai salvar a visão romântica das margens do Sena.



Nespresso


Lembram-se que escrevi sobre o lançamento das cápsulas de café Casino? Que este lançamento era um ataque ao monopólio da Nestlé e seu Nespresso? Mais tarde a Maison du Café lançou, ela também, suas cápsulas.

Esperávamos, todos, a reação da Nestlé. Abaixar os preços? Passar a vender suas caras cápsulas em super-mercados?

A resposta é: rien a dire ( nada para dizer ). Silêncio desdenhoso. Nespresso continua uma marca de luxo, vendida somente nas lojas tipo alta costura do grupo.

Além do mais, a equipe de jornalistas do 20minutes.fr testou as capsulas que são vendidas pelos concorrentes e se adaptam à maquina Nespresso. Resultado: o café da Nespresso é melhor.

Vejam aqui o artigo.



O Parisiense


Dizem que os parisienses são mal educados, grosseiros, apressados, hipócritas. Capazes de todas as baixarias nas relações pessoais. Infernais com os turistas e piores ainda com seu colega de trabalho ou com a vizinha.

Eu os adoro e me divirto com o prazer que eles tem em perpetuar esta imagem negativa. Ano após ano eles acrescentam um toque de humor neste estereótipo difundido mundialmente.

Vejam estes vídeos do jornal Le Parisien. No final de cada um deles, a publicidade para o jornal diz: “O Parisiense? Melhor o jornal do que o próprio”. Eu já os conhecia, mas tinha me esquecido deles. Hugo de Carvalho teve a brilhante idéia de me enviar os links.

Os turista japoneses. Cliquem aqui.

Banheiros públicos. Cliquem aqui.

O colega de trabalho. Clique aqui.



Turistas ou viajantes?


Foto: Fatos e Fotos de Viagem

Após discussão em recente artigo do Conexão Paris sobre ser turista ou ser viajante, Eymard me sugeriu ler um artigo publicado no excelente blog  Fatos e Fotos de Viagem.  Conheço o proprietário deste blog, já nos encontramos algumas reais ou virtuais vezes. Concordo com tudo que é dito neste artigo do FFV e convido-os a o lerem também. Para isto cliquem aqui. Aproveitem e apreciem as maravilhosas fotos deste blog.

Finalizando a questão,  gostaria de acrescentar que sou uma eterna turista em Paris. Que graças ao meu olhar de turista, meu marido, bem francês, adquiriu nova maneira de ver sua cidade, uma olhar aberto às novidades, aos detalhes e a tudo aquilo que para nós será sempre uma descoberta.



Olfato, higiene e o banho turco de Ingres


Foto: Banho Turco de Ingres

Acabei de ler o resultado de uma pesquisa sobre a prática do banho dos europeus.

Vamos lá:

- 84% dos franceses tomam um banho todo dia. Em seguida temos: 83% para os espanhóis, 69% para os austríacos, 64% para os alemães, 60% para os italianos e 57% para os belgas…

Grande surpresa, não? Desde datas imemoriais escuto comentários sobre a falta de higiene dos franceses. Eles são os mais limpos da Europa.

A porcentagem da população francesa que não toma banho todo dia é baixa  (16%). A mesma pesquisa no Brasil, qual seria o resultado? Penso nas pessoas classificadas na categoria de SDF (sem domicílio fixo) ou aqueles que vivem em situações de extrema miséria.

Um dia, uma amiga brasileira que conhece bem o Japão me contou que os japoneses consideram nossa higiene precária.Um fato que os choca é o hábito de termos sapateiras no mesmo espaço onde penduramos vestidos. O simples caminhar dentro do ambiente interno com as solas que estavam em ambiente externo, já é um grande problema.

De todas as maneiras a questão central não é o banho ou se tiramos o sapato na porta da entrada. Ela está  mais relacionada com olfato do que qualquer outra variável. E esta questão envolve toda a organização da sociedade. Claro que tomar banho e deixar os sapatos do lado de fora é melhor do que o contrário. Mas quando entramos em contado com o estrangeiro, não são estas variáveis que contam na nossa apreciação. É o olfato. Uma vez fiquei ao lado de japoneses no RER do aeroporto para Paris. O cheiro de peixe podre era tão forte que aos poucos todos mudaram de lugar. Eles deveriam ter na malas produtos da culinária japonesa e estavam tranquilos, lendo, banhados pelos odores e lembranças da infância.



Auto estradas sem iluminação: economia de energia e de acidentes


A região de Île de France, onde se encontra Paris, vai progressivamente apagar a iluminação das suas estradas.

Com isto as autoridades desejam fazer uma economia de eletricidade e esperam ver a taxa de acidentes diminuir. Eles descobriram, por acaso, que as auto-estradas escuras possuem menos acidentes que as iluminadas.

A estrada A15 está sem iluminação desde 2007 por causa dos ladrões de fios de cobre. O número de acidentes caiu de 30% e, desde 2008,  não há registros de acidentes fatais.

No escuro os carros andam mais devagar e os condutores são mais vigilantes.



Muros e jardins verticais – plantas despoluidoras


O muro vegetal acima acabou de ser inaugurada na estação de metro Magenta. Ele pesa 18 toneladas e reúne mais de 3.ooo plantas despoluidoras. O ar poluído da estação é aspirado e reciclado pelas plantas que possuem a capacidade de retenção de poeiras e gases.

A França possui um grande nome em jardins verticais, trata-se de Patrick Blanc, professor e pesquisador do CNRS – Centre National de la Recherche Scientifique.

Patrick realizou vários jardins em Paris.

Como o da fachada do BHV-Homme no Marais.

E os jardins do Musée Quai Branly.

Vejam aqui uma série de fotos maravilhosas dos jardins de Patrick Blanc.

As duas últimas fotos acima são de Sérgio T. Gonçalves.