por Rodrigo Lavalle

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Comemorações do 14 de julho em Paris (foto: Vince11111 no Flickr)

Ontem foi o feriado nacional francês no qual é comemorada a Tomada da Bastilha. Esse evento, acontecido no dia 14 de julho de 1789, oficializou o início da Revolução Francesa que, entre outras coisas, guilhotinou muita gente, acabou com séculos de monarquia absolutista na França e deixou como legado a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.

O jornal Washington Post, na sua coluna semanal “5 Myths” do dia 09 de julho (leia o original aqui), discute 5 mitos sobre a Revolução Francesa que a maioria das pessoas tomam como verdades mas, que no fundo, não é bem assim.

O próprio motivo da comemoração – a tomada da prisão da Bastillha pelos revolucionários – tem também outra versão: os legisladores da época, querendo ter algo menos violento para marcar a data, usaram um evento pacífico (o “Festival da Federação”) ocorrido em todo o país no dia 14 de julho de 1790 para expressar o compromisso do povo francês com a liberdade e a unidade do país.

O texto a seguir foi escrito por David A. Bell e foi traduzido e editado por mim:

1. Quando ficou sabendo que os pobres famintos não tinham pão para comer, a rainha Maria Antonieta respondeu: “Que eles comam bolo.”

Na frase original não é dita a palavra “bolo” e sim “brioche” e não foi Maria Antonieta quem a disse. Versões dessa frase, atribuídas a vários governantes franceses anteriores, circulavam na França desde o início dos anos 1600. Ela expressa a convicção popular generalizada de que a realeza ostentatória não entendia e não se importava com a situação dos pobres famintos. Maria Antonieta, enquanto nenhum modelo de humildade ou simplicidade, tinha instintos de caridade genuínos em relação às pessoas pobres. Mas, depois de 1789, sua oposição à Revolução Francesa fez dela uma das figuras mais odiadas no país.

2. A Revolução Francesa foi uma revolta dos oprimidos.

A obra “Um Conto de Duas Cidades” de Charles Dickens é o mais conhecido de muitos romances que retratam o pobre miserável francês se vingando de seus opressores aristocráticas durante a revolução.

Porém os realmente pobres tiveram relativamente pouca participação em uma revolução que começou entre os nobres ricos e profissionais liberais nos salões de reunião em Versalhes, semanas antes da queda da Bastilha. Mesmo a dramática violência popular, que levou várias vezes a revolução adiante, foi principalmente realizada por homens que não eram pobres. Nas cidades, os militantes urbanos que se chamavam “sans-culottes” (“sem calças” – ou seja, aqueles que não se vestiam como os ricos) na maior parte eram artesãos, lojistas e funcionários. Seus líderes, embora muitas vezes se auto-intitulassem “trabalhadores simples”, de fato eram profissionais e proprietários de ateliês e lojas.

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Fogos de artifício comemorando o 14 de julho (foto: Yann Caradec no Flickr)

3. A Revolução Francesa inventou a guilhotina.

No imaginário popular, nada simboliza a revolução de forma mais vívida do que a guilhotina, que se tornou seu principal meio de execução pública, sendo responsável por cerca de 16.000 mortes durante o “Período do Terror” de 1793-1794. O filósofo francês Jacques Derrida atribuiu o dispositivo ao legislador revolucionário e médico Joseph-Ignace Guillotin, que escapou por pouco de ser ele mesmo guilhotinado depois de ter sido preso durante o Terror em 1794.

O livro “Revoluções Francesas para Iniciantes” fica um pouco mais perto da verdade, sustentando que enquanto o dispositivo viu pela primeira vez a luz do dia durante a revolução, não foi Guillotin que a inventou. Aparelhos semelhantes tinham sido desenvolvidos séculos antes, incluindo o quase idêntico “Halifax Gibbet” em West Yorkshire, Inglaterra, e o “Scottish Donzela”, que pode ser visto no Museu da Escócia, em Edimburgo. A guilhotina permaneceu em uso na França até 1977.

4. Maximilien Robespierre era um ditador sanguinário.

Sendo a figura mais intimamente associada ao revolucionário “Período do Terror”, Robespierre é amplamente visto como um proto-totalitário que cobiçou o poder absoluto.

Robespierre foi apenas um dos 12 membros do Comitê de Segurança Pública, que exerceu poderes quase ditatoriais por menos de um ano, de 1793 a 1794. Ele era o membro mais influente da comissão e seus escritos e discursos fizeram mais do que qualquer outra coisa para definir a ideologia do Terror. Mas as exigências incessantes da política revolucionária o enfraqueceram física e mentalmente e, enquanto o Terror chegava ao seu clímax, ele passou semanas cruciais confinado em sua cama. Isso levou diretamente à sua queda e execução, juntamente com vários de seus principais aliados, no final de julho de 1794.

5. Os revolucionários invadiram a Bastilha para libertar os prisioneiros políticos detidos lá.

Este mito remonta à própria revolução e ainda aparece regularmente todo 14 de julho: “Neste dia em 1789, multidões invadiram a prisão da Bastilha em Paris, que é o lugar onde o rei Luís XVI mantinha seus inimigos”.

É verdade que durante os séculos 17 e 18, a monarquia francesa prendeu centenas de escritores maledicentes – incluindo Voltaire, o mais famoso deles – na grande fortaleza sinistra à leste de Paris. Mas essa prática foi abandonada anos antes da revolução e, em 14 de Julho de 1789, a Bastilha tinha apenas sete prisioneiros: quatro falsificadores, dois loucos e um nobre acusado de perversão sexual.

A multidão parisiense invadiu o local afim de pegar a pólvora ali armazenada. A memória do papel anterior da Bastille, no entanto, deu à sua queda enorme importância simbólica. Logo depois, sua demolição foi ordenada. Aliás, a coluna que está no local hoje em dia não comemora a queda da Bastilha, mas sim os “três dias gloriosos” de uma outra revolução francesa, de 1830.

 

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