Andrea

Andrea Berzotti

Por Andrea Berzotti, jornalista, especialista em comunicação corporativa e esportista.

Há quase um mês enfrentei uma decisão difícil para quem sabe o que é treinar para uma maratona.

Por algum motivo especial – um dia a gente descobre (ou não) – desisti da minha primeira maratona – a 38º edição de Maratona de Paris, realizada no dia 06 de abril de 2014. Linda e escolhida a dedo! Para se ter uma ideia a largada acontece no Arco Triunfo e os 42,195 km são percorridos por pontos turísticos da “cidade luz” como a Torre Eiffel, a avenida Champs Elysées, o Rio Sena, a maravilhosa catedral de Notre Dame, o Place de la Bastille e os charmosos arcos dos Viaduc des Arts e sua Promenade Plantée.

Enfim, durante cinco meses treinei aqui no Brasil, segui planilhas, orientações de meu treinador Elenilton Rangel. Abdiquei de várias coisas, dormi muito cedo, treinei com sol forte e chuva chata. Carnaval foi regado a isotônico e longões matinais, Ruim? De forma alguma!  Fui para a viagem com o coração aberto e as pernas trêmulas.

Um dia antes da prova, no sábado, tive uma indisposição forte, seguida por intensas náuseas e êmeses (explico: vômitos!). Resultado: fraqueza intensa, desidratação, desânimo e a única solução foi não correr.

Claro que no “after day” deu uma baixa pessoal, seguida de uma sensação de fracasso.

Mas o lindo e romântico visual de Paris me ajudou deixar de lado a sensação de “nadar, nadar e morrer na praia”. O paraíso pode estar perdido, mas é doce. Mesmo com a sensação do “falhar”, a alegria sempre pisca à nossa volta. Claro que a presença e o cuidado de gente querida ao lado contribuíram muito. Isso sem falar nas palavras de mensagem de consolo de quem acompanhou de perto a tentativa. Enfim, o domingo da maratona foi um dia bem cinza, quase um luto.

Maratona perdida?

Maratona perdida?

Tá bom vai, não dá para a vida ser muito dolorida estando em Paris! O domingo pós “a não maratona” foi recheado por lugares inoubliables, como dizem os franceses: a imponência do Arco do Triunfo, a Torre Eiffel, as pontes de Paris. Para completar uma parada em um bar nas margens do Rio Sena para a degustação da deliciosa opção francesa: baguete com patês de oliva e coração de alcachofra.

A maratona não aconteceu, contudo coisas interessantes aconteceram neste meio do caminho: lugares, novas cores, sabores, sensações e muitos outros sentimentos. Algumas resoluções e novas definições. Novas descobertas e, principalmente, a certeza de que não estamos à frente de nada em nossa vida. Não sabemos nunca como será o dia seguinte, mesmo com tantas programações.

Li um dia um texto do publicitário André Gomes e achei incrível: “Chega desse mal estar das esperas inúteis, longas esperas das coisas pequenas. Basta de criar ferrugem nas juntas e bolor no cérebro. Vamos em frente”.

A essa ressaca pós-maratona passou. O que eu sei nisso tudo é que evolui. Evolui como atleta amadora, como pessoa, como mulher… A mudança de rotina e dedicação me transformaram. Conheci gente especial. Aceitei situações e compreendi. Me frustrei, mas subi um degrau. Ganhei um amor eterno por Paris. Novas experiências são sempre bem vindas.

E Paris, meu caro, sempre será uma escolha certa. Cada canto descoberto é uma alegria: passar um dia todo no Musée du Louvre e Musée d’Orsay, rodar de bicicleta pelas ruelas e pontos turísticos, sentar a beira do Rio Sena e simplesmente ver a vida passar…

Desistir, às vezes, é sábio. Mas perder a coragem e a vontade não. Porque a vida segue e novas oportunidades aparecem! E como disse um amigo: “não deu? E daí. Você está em Paris!”