por Rodrigo Lavalle

A Chanel é uma marca da qual eu fui aprendendo a gostar. O primeiro passo foi quando eu descobri que ela havia comprado os sete grandes ateliês que ajudaram na criação e no desenvolvimento da alta costura. Essas aquisições tiveram como objetivo a preservação dos ateliês, que estavam fadados à falência. Depois disso, passei a simpatizar com o Karl Lagerfeld ao assistir uma de suas divertidas entrevistas. E, mais recentemente, me encantei com as exposições anuais promovidas pela marca. Apesar de serem puro marketing institucional, essas exibições são sempre lindas e interessantes. Escrevi sobre a do ano passado aqui.

Perfume Chanel n° 5

A exposição de 2013 tem como foco o perfume Chanel N°5, criado em 1921 e até hoje o mais vendido do mundo. Apesar de seu tema simples e leve, ela não é rápida e nem fácil.

Primeira parte da exposição

A primeira parte é extremamente cerebral e intelectualizada – uma amiga usou o termo “chata”. É preciso ter tempo e concentração para entender as referências, justaposições e relações entre os vários objetos expostos. Ler o catálogo (distribuído gratuitamente na entrada) e ouvir o audio guide é praticamente essencial. Em exibição estão peças que vão desde frascos antigos do perfume até esculturas de Brancusi e desenhos de Picasso. Há também cartas, bilhetes e fotos que mostram a relação de Coco Chanel com seus amigos famosos, seus interesses gerais e seus locais prediletos no mundo. Algo como um panorama rápido do que estava acontecendo no campo das artes e da cultura e também na vida da estilista na época da criação do perfume.

Cenografia hospitalar

A cenografia é asséptica e hospitalar. As vitrines de exposição são caixas de acrílico transparente que talvez façam referência ao vidro do perfume – minimalista e revolucionário para os anos 20.

Segunda parte: sensorial

A segunda parte da exposição é sensorial. Ela é dedicada ao perfume em si e aos principais componentes de sua fórmula. Aqui estão sete estantes soltas pela sala. Em cada uma delas podemos sentir os aromas dos componentes e aprender mais sobre eles e sua relação com a vida de Coco Chanel. Nessas estantes há também livros, tablets e amostras de plantas de regiões importantes e queridas para ela. Tudo isso circundado por metros e metros de sofás abarrotados de almofadas bege.

Mais biblioteca do que exposição!

O mais divertido e leve são os comerciais feitos para a TV. Sempre usando diretores consagrados e atrizes famosas, esses comerciais mostram de maneira rápida a evolução estética ao longo dos últimos 60 anos. Podemos perceber também como cada década via a mulher e seu relacionamento com o homem. Os meus prediletos são os dos anos 70 cuja estrela é Catherine Deneuve, simples e lindos.

N°5 CULTURE CHANEL – até 05 de junho – Palais de Tokyo – 13 avenue du Président Wilson, 75116 Paris – metrô linha 9 – estação Iéna.