A exposição ‘Rodin e a Dança’ retraça o envolvimento, pesquisa e experimentação de Rodin com o mundo da dança em geral no fim do século 19 e início do século 20.

Rodin e o mundo da dança

Com a notável exceção do balé clássico, o famoso escultor francês Rodin tinha gostos muito ecléticos no que dizia respeito à dança. Nas últimas décadas de sua vida, ele se interessou pela dança em todas as suas formas – dança folclórica regional europeia, indiana ou asiática; dança de entretenimento dos cabarés e dança contemporânea – e também pelas novidades e experiências artísticas feitas pelos grandes nomes da época como Isadora Duncan (com quem ele compartilhava um interesse pela dança na antiguidade) e Loïe Fuller.

Rodin e uma dançarina cambojana.

Um dos pontos altos das descobertas de Rodin nessa área foram as dançarinas cambojanas que se apresentaram em Paris na Exposição Universal. Quando elas saíram do palco, Rodin disse “elas levaram consigo a beleza do mundo“.

Nos últimos vinte anos de sua carreira, o trabalho de Rodin foi profundamente marcado por essas trocas com o mundo da dança e seus protagonistas. O conjunto de desenhos e esculturas em terracota chamados Mouvements de danse, realizados entre 1903 e 1912 e que fazem parte da exposição ‘Rodin e a Dança’, são uma síntese das pesquisas e experimentos de Rodin sobre a representação do corpo vivo em movimento e também da sua exploração das possibilidades do corpo humano.

Rodin e as dançarinas

Durante o período de fascinação de Rodin pela dança, muitas foram as dançarinas que serviram não só de inspiração como também de modelo vivo ao escultor. Entre elas:

  • Alda Moreno, a “pequena modelo”: nome artístico de Noémie Chevassier. A dançarina e acrobata francesa foi modelo e namorada do escultor Jules Desbois que a apresentou à Rodin em 1903. Capaz de fazer posições bem acrobáticas, parecidas com as das dançarinas de cancan francês, ela se tornou uma das modelos favoritas de Rodin, com a qual ele desenvolveu todos os desenhos e estatuetas da série Mouvements de danse.
  • As Dançarinas Cambojanas: em 1906, o balé real do Camboja acompanhou o rei Sisowath para uma visita oficial à França. No dia 10 de julho, o balé real se apresentou em Paris. Rodin, que estava na plateia, ficou fascinado especialmente pela extraordinária flexibilidade dos braços e pulsos das dançarinas.
  • Loïe Fuller: nascida nos Estados Unidos, Loïe Fuller inventou uma nova dança onde cria padrões e sombras inspiradas na natureza vestindo somente uma túnica e utilizando luzes coloridas especialmente concebidas por ela. Se mudou para Paris em 1892, onde fez muito sucesso e continuou sua pesquisa sobre formas e cores incorporando a Art Nouveau.

A dançarina Loïe Fuller

  • Hanako: nome artístico da atriz e dançarina japonesa Ota Hisa. Ela chegou na Europa em 1901 com uma trupe de dançarinos, músicos e acrobatas dos quais Loïe Fuller se tornou a empresária. Em uma cena de suicídio (harakiri), a expressão no rosto de Hanako impressionou tanto Rodin que ele pediu que ela fosse sua modelo. Hanako posou para Rodin várias vezes entre 1907 e 1911.
  • Isadora Duncan: dançarina americana cuja carreira se desenvolveu principalmente na Europa. Pioneira da modernidade, ela incorpora a resistência às convenções e defende a liberdade das mulheres. Para dar liberdade à sua expressividade e espontaneidade, ela dança descalça e vestida com uma simples túnica. Ela abre várias escolas de dança a fim de difundir e transmitir sua arte e seus princípios. Seus jovens estudantes serão chamados de “isadorables”.

A exposição ‘Rodin e a dança’

A exposição é organizada em torno da famosa série de 13 esculturas de terracota Mouvements de danse – nunca exposta durante a vida do escultor – e de quase cem desenhos, incluindo o famoso conjunto das Danseuses Cambodgiennes. Ela retraça toda a pesquisa e experimentação de Rodin com dançarinos e acrobatas no que diz respeito ao corpo humano em movimento, sua flexibilidade, força, energia, equilíbrio.

Uma das 13 estatuetas em terracota da série Mouvements de danse

A iniciação de Rodin na arte do movimento será evocada através de seus encontros com dançarinas da época, como Isadora Duncan, Loïe Fuller e Hanako. Um conjunto excepcional de obras reunirá esculturas, fotografias e desenhos, mergulhando o visitante em um mundo de graça e poesia.

Informações práticas

Exposição ‘Rodin e a Dança’. Até o dia 22 de julho de 2018 no Museu Rodin, 77 rue de Varenne, 75007. Metrô linha 13, estação Varenne. Ingresso para o museu, jardins e exposição: 11€. Clique aqui para comprar seu ingresso com antecedência.

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