Porque amo a primavera. Etimologicamente, a palavra significa primeiro tempo, início, começo, do latim primus tempus.

. Com a chegada da primavera festejo o retorno da luz. O frio incomoda. Mas a baixa luminosidade do inverno é o que mais me aterroriza. O cocooning necessário no inverno – chocolate quente, fondues, sopas quentinhas, velas – me reconforta um pouco. Mas definitivamente não pertenço ao grupo que aprecia o frio.

. Volto a flanar horas por Paris sem o peso das roupas de inverno, sem nariz vermelho e mãos geladas. Tenho a sensação de liberdade, aumento meu território e minha área de ação.

Porque amo a primavera

. Corro para as varandas dos meus cafés preferidos, me instalo e deixo a vida passar. Adoro também as cafeterias dos jardins parisienses. Vocês podem me encontrar, com frequência, tomando um cafezinho debaixo das árvores do jardim Tuileries ou do Luxembourg.

. Adoro a troca de horário. Os dias ficam longos, estico o aperitivo do final do dia, janto mais tarde e continuo flanando sem me dar conta do relógio.

Porque amo a primavera

. Eu vivo a primavera nas refeições. Quando os aspargos reaparecem, tenho sempre a mesma dúvida: brancos ou verdes? Na dúvida pego um de cada. As deliciosas frutas vermelhas retornam também na primavera. Encho a geladeira de mirtilos, framboesas e morangos. Peras e maçãs só no inverno seguinte. Retomo o caminho da sorveteria Berthillon, meus sorvetes preferidos da ilha Saint Louis.

. Abril, em seguida maio: mês do meu aniversário. Como boa brasileira, adoro comemorações. E, agora, com a família pertinho tudo está em ordem.

Porque amo a primavera

Porque amo a primavera

. As flores estão de volta! Em abril, observo com atenção a floração das cerejeiras do Jardin des Plantes. Quando estão bem floridas, instalo abaixo da copa de uma delas e me transporto para o Japão. Admiro o tapete de flores dos canteiros do Rond Point des Champs Élysées. Observo as jardineiras cuidadosamente floridas dos prédios de apartamentos e fico com inveja. No meu, é proibido pendurar jardineiras nas janelas.

. Ligo para os amigos que fizeram trekking o inverno todo para anunciar que reintegro o grupo. Andar na natureza no inverno está além da minha capacidade de assimilação cultural.

. Logo, logo penso no verão. Verifico se minhas bolsas de praia estão ainda corretas, se preciso trocar maiô, óculos e boné de natação. Começo a discutir com a cara metade as datas da “nossa vida na Córsega”. Ele sempre quer partir mais cedo e eu mais tarde. Para o retorno, a situação se inverte: tenho saudades de Paris antes dele.