O museu do Louvre inaugurou em dezembro 2017 duas novas salas expondo obras roubadas pelos nazistas durante a ocupação da França.

Em junho de 1940 havia na França cerca de 350.000 judeus. A metade desse total era constituída de estrangeiros e apátridas que, fugindo de medidas anti-semitas em outros países europeus, foram recebidos em solo francês a partir do fim da 1ª Guerra Mundial .

As obras orfãs do Museu do Louvre (foto: Musée du Louvre, dist. RMN-GP/Antoine Mongodin)

Com a ocupação nazista da França, de 1940 a 1944, muitos judeus abandonaram o país de forma abrupta ou se esconderam, deixando para trás tudo o que tinham. Muitos outros (76.000) foram presos e enviados aos campos de concentração. Nesse período de 5 anos, os nazistas roubaram desses judeus cerca de 100.000 objetos – entre eles inúmeras obras de arte. Todos esses bens foram levados para a Alemanha.

Com o fim da 2° Guerra Mundial em 1945, as forças aliadas conseguiram recuperar cerca de 47.000 peças; o restante foi destruído, re-roubado ou simplesmente desapareceu. Essas obras recuperadas, chamadas obras órfãs, foram então confiadas a vários museus na Europa e nos EUA que têm como função guardá-las e preservá-las até que os donos ou seus descendentes as recuperem. O Museu do Louvre recebeu 1.752 dessas obras, sendo 807 quadros. Desses, 296 estão guardados no prédio do museu em Paris e o restante está em inúmeros outros museus espalhados pela França.

Recuperação

A fim de recuperar a obra, o suposto proprietário (ou seus descendentes) deve provar através de fotos, documentos, recibos de compra ou testemunhos que a obra lhe pertencia. Uma tarefa difícil, demorada e que nem sempre é bem sucedida. Desde 1951, somente cerca de 50 obras foram restituídas aos seus donos originais.

Há um banco de dados – o site Rose-Valland – feito em parceria com o Ministério da Cultura francês e o Museu National Recuperação com fotos, proveniência e trajetória das 1.752 obras confiadas ao Louvre.

As obras orfãs do Museu do Louvre (foto: Musée du Louvre, dist. RMN-GP/Antoine Mongodin)

Exposição no Louvre

Desde dezembro 2017, o Louvre inaugurou duas novas salas na ala Richelieu onde 31 dessas pinturas órfãs estão expostas. Acompanhando cada obra, um pequeno texto contando sua história e trajetória.

Segundo Sébastien Allard, diretor do departamento de pinturas do Louvre e responsável pelo projeto das novas salas, o objetivo é informar o máximo de pessoas possível sobre a questão e tentar assim encontrar os verdadeiros donos dessas obras.

Outras 76 obras órfãs fazem parte do percurso permanente do Louvre, todas devidamente assinaladas.

Clique aqui e veja nosso infográfico contando a história e curiosidades sobre o Louvre.


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No site Minha Viagem Paris você encontra o guia O Essencial do Museu do Louvre que traz um roteiro de cerca de 3 horas passando por 18 obras obrigatórias do museu. Outra opção é a visita guiada com guia brasileira que começa nas ruínas do Louvre Medieval e termina no apartamento de Napoleão III, já no século XIX.