Brasileiro que está dando a volta ao mundo em uma bicicleta de bambu passou recentemente por Paris.

Por Fernanda Hinke, idealizadora dos passeios de bike do Meia Noite em Paris

Roda Mundo: a volta ao mundo em uma bicicleta de bambu, com o objetivo de descobrir culturas, aproximar pessoas e encontrar novas soluções de mobilidade urbana. Quem está realizando este sonho é Ricardo Martins, carioca de 32 anos, cientista social com especialização em mobilidade urbana. Haja coragem!

Ricardo Martins e Dulcineia, sua bicicleta de bambu

Tive a oportunidade de levar o Ricardo para um passeio de bike pelo centro histórico de Paris durante sua passagem pela cidade. Depois aproveitei para discutir com ele suas impressões sobre a mobilidade em Paris e naturalmente me deliciei ouvindo as histórias desta nossa versão de Dom Quixote contemporâneo que está na estrada desde abril de 2016 e que já pedalou mais de 17.000km.

Vale dizer que esta não é a primeira vez que Ricardo faz uma grande viagem de bicicleta, ele já percorreu a América do Sul por quase 4 anos, totalizando 25.000km, 6 países e, pasmem, ele começou a viagem com apenas R$ 385,00 no bolso. Sobre esta experiência Ricardo escreveu um livro – Roda America, publicado em 2013 pela editora Multifoco.

Bom, Ricardo não está viajando “sozinho”, ele tem em sua companhia a Dulcineia, ou Dulce para os mais íntimos, nome dado a sua bicicleta de bambu feita sobre medida pra ele. Dulcineia é uma homenagem à personagem do romance Dom Quixote, do espanhol Miguel de Cervantes.

A viagem começou na África e durante 16 meses Ricardo e Dulcineia viajaram 14.000km da Cidade do Cabo ao Egito. Em setembro Ricardo chegou à Europa e já percorreu mais de 3.000km por aqui, viajou pela Alemanha, Holanda, Luxemburgo, Bélgica, França e agora está na Inglaterra.

Ricardo Martins em Paris

Quando encontrei Ricardo no primeiro dia em Paris eu tentei explicar pra ele onde estávamos, já que meu apartamento fica perto do Canal Ourc, e o quanto aquela área de Paris era legal para ser explorada e ele me respondeu com a maior naturalidade: “Ah sim passei por este canal chegando da Bélgica”. Bom, daí me dei conta que vir da Bélgica para França de bike para Ricardo era o mesmo que ir de Paris a Versailles pra mim. Depois, enquanto comentava que precisava ir ao aeroporto para fazer a détaxe antes de partir para a Inglaterra, disse com muita naturalidade: “Sem problemas eu vou de bike e volto rapidinho”. Deu pra sentir o nível do garoto?

Ricardo é daquelas pessoas que a gente se encanta fácil. Sensível, destemido, demasiadamente humano. Ele se descreve como um megalomaníaco e curiosamente anti-social. Para ele não existe distinção entre viajar e viver e ele vive de acordo com o seu sonho, não é apegado a nada, ninguém e lugar nenhum, mas está morrendo de saudade de um açaí a moda carioca com paçoquinha por cima.

Não é fácil impressionar Ricardo, nem mesmo a Monalisa de Da Vinci o fez. Durante o passeio pelo centro histórico que fizemos, ele só demonstrou certa emoção ao ver as Arenas de Lutèce, palco de lutas de gladiadores quando Paris se chamava Lutécia. Ricardo estava mesmo interessado em ir conversar com os imigrantes que estão vivendo em péssimas condições em acampamentos no Canal Saint Martin. Mas acabou confessando que Paris é uma obra de arte por si mesmo e que pretende voltar.

Ricardo e Dulcineia na Place des Vosges

A expedição Roda Mundo tem também o apoio da UFRJ e da ONG Transporte Ativo com o objetivo de pesquisar e coletar dados sobre a mobilidade urbana por onde a expedição passar. Conversamos sobre a mobilidade em Paris: eu particularmente considero Paris uma cidade segura, via de regra, para bicicletas (especialmente quando comparo Paris com outras grandes cidades do Brasil) e desde que moro aqui acompanho as muitas melhorias no que diz respeito ao compartilhamento dos espaços públicos entre todos os modais. Já Ricardo se sentiu mais acuado por aqui principalmente em relação aos motoristas de taxi:

“Me parece que Paris está passando por um momento de transição. Tem políticas recentes para ciclistas e pedestres, mas com muita resistência dos motoristas a isso. Percebi uma tensão que não chega ser perigosa, mas beira o arriscado. Além disso me parece ser da natureza do parisiense o questionamento de autoridades e a preservação do próprio espaço até as últimas consequências. Isso trouxe historicamente inúmeros benefícios, mas torna as mudanças na cultura do trânsito mais lentas e delicadas. Se cada um defende seu próprio espaço, de repente perdê-lo para bicicletas cria uma resistência, que não chega ser agressiva, porém é ligeiramente hostil. Além do mais, a educação no trânsito para os motoristas não é algo natural. Não basta uma placa para não estacionar na calçada, é preciso colocar hastes e cercas, por exemplo. Isso dificulta a andabibilidade e a ciclabilidade da cidade, ainda que façam-se políticas para isso. Em resumo: as políticas para pedestres e ciclistas já nitidamente fazem parte do projeto de políticas públicas, mais ainda é cedo pra dizer que faz parte da cultura do parisiense”

Os perrengues

Durante sua viagem, Ricardo passou muito perrengue, seus equipamentos foram roubados 2 vezes, ele teve sua casa queimada na Africa e chegou até a ficar desnutrido. Mas como diria o próprio Ricardo, está tudo em equilíbrio. Tem hora que tem perrengue sim, mas tem hora que há até um certo luxo. Além das incríveis pessoas que ele encontrou, as culturas que ele imergiu, os sabores que ele experimentou e os amores que viveu, nos últimos meses, assim que Ricardo chegou na Europa, ele gravou um vídeo para o TED e deu uma palestra na COP 23 da ONU na Alemanha.

Para viabilizar o início da viagem Ricardo fez um crowdfunding e conseguiu arrecadar R$12.000 e isso permitiu que ele pudesse ter R$50,00/dia durante os seis primeiros meses para comer. A ideia  também é que ele trabalhe pontualmente para poder arrecadar mais dinheiro. Em relação à hospedagem, além da casa dos amigos espalhados pelo mundo, Ricardo utiliza a comunidade Warm Shower (Banho Quente) que tem o mesmo conceito do couchsurfing em hospedar turistas de forma gratuîta, porém este é voltado apenas para viajantes de bike.

Atualmente o Roda Mundo é também financiado através do apoia.se/rodamundo. Pessoas que simpatizam com a expedição de Ricardo colaboram mensalmente com valores a partir de R$ 5,00. Os apoiadores tem recompensas super legais, além de acesso exclusivo a algumas vivências de Ricardo, terão também a participação com o seu nome enquanto apoiador na documentação da expedição.

Abaixo os links para quem quiser acompanhar esta deliciosa aventura do Ricardo e da Dulcineia, afinal esta é a primeira vez na história que alguém dá a volta ao mundo em uma bike de bambu!

roda-mundo.com

facebook.com/bambootrip

apoia.se/rodamundo

instagram.com/ thebambootrip

 


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