Na 2ª feira fomos ao Grand Bal Christian Dior, a festa da Dior em comemoração ao seu desfile de alta costura. A festa foi deslumbrante, leia nosso relato.

Apesar do Conexão Paris não ser um blog dedicado à moda, o assunto muito nos interessa e vira e mexe tratamos dele. Nosso foco é menos nas tendências efêmeras de cada temporada e no lado “coluna social” do métier e mais no seu aspecto comportamental, cultural, econômico e do savoir faire francês.

No mundo da moda, o ápice do luxo – e também de todos os aspectos citados anteriormente – é a alta costura. Nesse universo particular, cada peça é feita à mão sob medida para a cliente. Além disso, são utilizados os melhores materiais, as melhores técnicas de modelagem e a mais especializada mão de obra artesanal nos embelezamentos. Óbvio que a alta costura nasceu na França, apesar do pai ser o inglês Charles Frederick Worth. Ela é a cara do país e sua obsessão pelas regrinhas, a tradição, o artesanato, a depuração e a busca pelo melhor produto possível.

A importância da moda na economia francesa é enorme. Já no século 17,  Jean-Baptiste Colbert, ministro do rei Luís XIV, dizia: “A moda é para a França o que as minas de ouro do Peru são para a Espanha”. Hoje em dia (dados de outubro de 2016 do Institut Français de la Mode) a indústria da moda é responsável por 1,7% do PIB da França, mais do que a a indústria aeronáutica (0,7%) e a automobilística (0,5%). Karl Lagerfeld também disse uma vez – no seu costumeiro exagero – que a moda é o mais importante produto francês “típico” de exportação.

grand bal christian dior

Alguns números da indústria da moda na França. Clique na imagem para ampliar.

O Grande Baile Christian Dior

Toda essa introdução nos leva ao assunto principal desse artigo: a festa da Dior que aconteceu na segunda-feira no Museu Rodin. No mesmo local, pela manhã, aconteceu o desfile de alta costura da marca.

A Dior pertence ao grupo LVMH, o maior conglomerado de moda e de luxo do mundo. Seu proprietário, Bernard Arnault, o segundo homem mais rico da França, considera a Dior a joia da coroa de seu império. Desde os tempos do estilista John Galliano, a marca não economiza esforços nem dinheiro para produzir os desfiles mais belos possíveis. Afinal de contas, marketing, desejo e a venda de sonhos são peças importantes no jogo da moda.

E o Grande Baile Christian Dior foi uma mistura de tudo isso: sonho, fantasia, luxo, marketing e muito dinheiro. Foi também a demostração da importância e do poder da indústria da moda na França. E para nós, meros mortais, foi uma experiência estonteante.

Os espaços

Após atravessarmos os portões do museu, dávamos de cara com um show de luzes e imagens projetados na fachada do prédio principal. Esse verdadeiro espetáculo (que era somente o início) deixou a Festa das Luzes de Lyon em segundo plano. A qualidade da imagem e a poesia dos vídeos eram estarrecedores!

Ao sairmos para o jardim, outra supresa! Ao invés do lago/fonte no final da alameda, havia sido construído um enorme anexo espelhado onde a festa e o desfile aconteceram.

A excentricidade do evento ficava cada vez maior. Para entrarmos no anexo era preciso passar por um labirinto feito de arbustos altos. Tudo construído do zero. Em cada canto uma supresa: uma escultura iluminada, um espelho enorme, personagens saídos de Alice no País das Maravilhas…

O espaço da festa reproduzia um jardim onírico. O chão era uma mistura de folhas de cipreste e musgo. Outro labirinto – também cheio de surpresas – nos conduzia até à área de convívio principal. No centro, a reprodução de uma enorme árvore, repleta de penduricalhos: pedidos e agradecimentos.

A bebida principal era o champanhe Ruinart – marca também pertencente ao grupo LVMH, tudo bem amarrado – servido à vontade. Os convidados eram uma mistura de celebridades, clientes anônimos da marca, jornalistas, modelos e businness people. Todos mais preocupados em registrar a festa nos seus telefones.

Tamanha indulgência e hedonismo só seria mesmo possível no mundo da moda. O dinheiro gasto/investido nessa produção efêmera volta para a marca em cada batom, perfume e bolsa vendidos e também em forma de exposição espontânea na mídia. E para a França volta como reafirmação mundial do savoir vivre e da força do país nesse métier.


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