Diego Milatz é um querido amigo parisiense. O nome, ele ganhou da mãe espanhola e a paixão pela música francesa foi construída ao longo da vida entre Paris e a Provence. Convidamos Diego para nos apresentar seus artistas favoritos. O texto foi escrito em francês. Abaixo, nossa tradução livre.

Você sabia que, uma ver por ano, acontece um evento na Europa que reúne em frente à televisão mais de 250 milhões de espectadores? Como se o Brasil inteiro estivesse assistindo ao mesmo programa de televisão ao mesmo tempo.

O Concurso Eurovision da Canção foi criado em 1956 e, no início, apenas sete países participaram da competição. Hoje são mais de quarenta. Ele detém com certeza o recorde de longevidade pois, desde 1956, o concurso é realizada todos os anos, sem interrupção. Duas semi-finais determinam os 26 finalistas que competem na “grande noite”. A votação, parte integrante e essencial do show, é feita por alguns profissionais da música e pelos telespectadores.

Você sabia que o grupo sueco ABBA começou sua carreira ao vencer a competição em 1974? Celine Dion, como todos sabem, também ganhou esta competição em 1988 representando a Suíça… Sim, não é obrigatório ser da nacionalidade do país que o artista representa.

Através de todos estes anos, a competição tornou-se o espelho de mudanças no estilo musical, de desenvolvimentos tecnológicos, históricos e políticos e das mudanças de costumes na Europa. Ele é um verdadeiro vetor da cultura popular, além de dar visibilidade internacional para os “pequenos países” e revelar comunidades e minorias, em geral, marginalizados. É um espaço completamente livre que dura uma noite.

A Suécia tem o maior número de vitórias, seguida pela França. Infelizmente, a última vitória francesa remonta a 1977, com uma bela canção apresentada por Marie Myriam, cuja letra foi estudada nas escolas francesas.

https://www.youtube.com/watch?v=XgqvJhII6E0

Para mim, a música mais bonita apresentada pela França é: “C’est le dernier qui a parlé”, cantada por Amina, cantora franco-tunisiana dona de uma voz pura e cristalina. A letra da música é de uma inteligência e força raras. Nesta competição, em 1991, a França terminou em segundo lugar, atrás da Suécia, para grande tristeza de muitos. Para ser sincero, a canção sueca não tem a qualidade da canção francesa.

Eu os convido a ouvir esta música, que por si só representa toda a riqueza da diversidade cultural da França.

Uma das vantagens deste concurso era ouvir os artistas cantarem na língua do país representado, embora esta regra tenha gerado muitas controvérsias. Esta obrigação desapareceu totalmente em 1999, hoje em dia quase todos os países cantam em inglês. Para mim é uma pena, pois as interpretações ficam um pouco menos originais e surpreendentes.

No entanto, este ano, uma surpresa muito agradável veio animar o concurso. A Áustria, país onde se fala alemão, como todos sabem, apresentou uma canção em francês!
Zoe, uma jovem cantora austríaca de 20 anos que se parece com Brigitte Bardot, cantou “Loin d’ici”. Uma música “fresca” e cheia de swing que nos convida a participar de uma viagem ácida e sincera. Simplesmente adorável. Esnobada pelos juízes profissionais, a canção fez um grande sucesso com os telespectadores e terminou em 13º lugar.

Pessoalmente eu congratulo a Áustria por ter tido a coragem de defender e promover a nossa bela língua francesa. Também recomendo que todos escutem o primeiro cd de Zoe “Start”, cantado inteiramente em francês. Um verdadeiro deleite que irá surpreendê-los.

Importante mencionar que este ano o concurso foi transmitido nos Estados Unidos e que a Austrália já faz parte da competição há dois anos como convidado especial. Talvez seja o nascimento de um Concurso Mundial da Canção?

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