Em janeiro de 2015, o terrorismo escolheu como alvo a imprensa – matando os jornalistas do jornal satírico Charlie Hebdo – e os judeus, ao atacar um pequeno mercado kosher. Em novembro de 2015, o alvo foi a juventude alegre e descontraída dos bares, cafés e casas de espetáculo de um dos bairros mais festivos e populares de Paris.

E ontem, o terror teve por alvo um dos endereços mais míticos da França, a Côte d’Azur, nome que evoca sol, férias, festas e champanhe.

Ilustração de Mesia

Ilustração que uma leitora do Le Monde, Mesia, enviou ao jornal.

O terror teve por alvo nossa querida Nice, a cidade mais interessante desta famosa orla marítima que vai de Toulon até Mônaco, passando por Saint-Tropez, Saint Raphaël, Cannes, Antibes, para citar somente as cidades mais conhecidas.

Teve por alvo uma cidade que apresenta todos os aspectos das cidades da Côte d’Azur, quer dizer, frívola, exuberante e cheia de milionários exóticos mas que não se reduz a esta dimensão.

Ontem, o caminhão que percorreu dois quilômetros semeando a morte encontrou seu ponto final ao lado do Hotel Negresco, um endereço que resume o estilo de Nice. O Negresco é considerado um dos melhores hotéis do mundo pela sua “atmosfera”, quer dizer, pelo o que ele é. Um lugar sagrado e tão emblemático que sua proprietária o transformou em Fundação para que ele continue sendo como é, para evitar que uma cadeia milionária o transforme em um hotel chic como todos os hotéis chics mundo afora.

Por todas estas qualidades e por sua localização Nice é ponto de partida para conhecer toda a região, para percorrer as famosas estradas Grande e Moyenne Corniche, para visitar Saint Jean de Cap Ferrat, Èze Village, Saint Paul de Vence e almoçar na Colombe d’Or, para conhecer a Fondation Maeght, para visitar a mansão de Beatrice Ephrussi de Rotchschild… e poderíamos citar ainda muitos passeios e locais extraordinários.

Por que o que não falta na Côte d’Azur e de uma maneira especial em Nice, são lugares onde festejamos a cultura, a gastronomia, a amizade, a beleza e a vida.

E todos estes lugares continuarão a existir e nada poderá modificar a maneira como os franceses vivem e se reúnem, dia 14 de julho, em homenagem à liberdade e à democracia.