Às vezes, melhor ficarmos atentos às sutis divergências culturais entre os países.

No Brasil fazemos a diferença entre o Dia de Todos os Santos, 1º de novembro, e Finados, celebrado dia 2 de novembro.

A França reuniu as duas datas. Toussaint – 1º de novembro – é a comemoração de todos os mortos, santos ou não.

Crisântemos na França. Claire Poisson no Flickr

Crisântemos na França. Claire Poisson no Flickr

Neste dia, os franceses homenageiam seus mortos e milhões de buquês de crisântemos são colocados nos túmulos. Não se sabe porque, o crisântemo se tornou, na França, a flor dos mortos e dos cemitérios.

Toussaint na Torre Eiffel. Vincent-t no Flickr

Toussaint na Torre Eiffel. Vincent-t no Flickr

Não se trata de uma exclusividade dos cemitérios. Na Toussaint ou em outras épocas do ano, encontramos também crisântemos enfeitando canteiros dos jardins parisienses.

Apesar de serem lindas, cuidado, não seria elegante chegar com um buquê de crisântemos na casa da amiga que o convidou para jantar.

Originário provavelmente da China, o crisântemo em outras culturas simboliza o poder imperial ou a serenidade.

Em novembro de 2014, Versailles convidou um grande jardineiro paisagista japonês, Kenji Sasakuma, para instalar, no Grand Trianon, dois crisântemos gigantes. A exposição se chamou Fleurs Imperiales au Grand Trianon.

Crisântemo gigante em Versailles. Foto Château de Versailles, Didier Saulnier

Crisântemo gigante em Versailles. Foto Château de Versailles, Didier Saulnier

Estas plantas imensas se chamam Ozukuri e podem medir 4m de lagura pour 2.50 de altura e suportarem mais de 400 flores.

Crisântemo gigante em Versailles. Foto: Château de Versailles, Didier Saulnier

Crisântemo gigante em Versailles. Foto: Château de Versailles, Didier Saulnier

Trata-se de um pé único que é trabalhado, guiado e estruturado para que as flores fiquem alinhadas.

No Japão, os ozukuri são expostos, entre outubro e novembro, no antigo jardim imperial de Tokyo, o Shinjuku Gyoen, agora aberto ao público.

Os ozukuris de Versailles foram transportados do Japão via aérea e formatados no local. Foram necessários 10 mil quilômetros e muito trabalho para que os crisântemos japoneses enfeitassem o Grand Trianon, na Toussaint de 2014.

Se a festa japonesa das cerejeiras é bem conhecida na França, a festa dos crisântemos quase não é citada pela mídia. O crisântemo é o emblema da família imperial japonesa e figura, de forma estilizada, nos passaportes. Quando o crisântemo foi introduzido no Japão, eles foram reservados à corte como planta medicinal de onde era extraído o elixir de vida longa.

Talvez exista uma relação entre a simbologia francesa e a japonesa.

Se a festa da flor da cereja, no Japão, anuncia a primavera, o festa do crisântemo anuncia o inverno, o prolongamento da noite. Tema próximo ao do sono eterno.