Por Marina Giuberti, sommelière brasileira que ministra os cursos de vinho indicados pelo Conexão Paris

Ficamos hospedados no hotel Les Avisées (www.selosse-lesavises.com), da família Selosse, o produtor de champanhe preferidos dos "insiders", que fica em Avize. Charme e sossego absolutos.

Ficamos hospedados no hotel Les Avisées (www.selosse-lesavises.com), da família Selosse, o produtor de champanhe preferido dos “insiders”, que fica em Avize. Charme e sossego absolutos.

Já que a ocasião era o niver do marido, resolvi festejar em grande estilo e convidá-lo para testar o mais recente restaurante eleito 3 estrelas (a premiação máxima que um restaurante pode obter pelo Guia Michelin), o L’Assiette Champenoise. Existem 27 restaurantes 3 estrelas na França, e segundo o famoso guia vermelho, esses eleitos oferecem uma “cozinha excepcional” que vale a viagem!!!

A imprensa francesa comemorou muito essa premiação. A notícia saiu nos principais noticiários das TVs francesas afinal, o Chef Arnaud Lallement herdou o restaurante das mãos do pai e, com essa 3ª estrela, consagrou todo o trabalho de gerações. Outra particularidade é essa “cozinha familiar”. Saber que o restaurante pertence a uma família, e não a um grande grupo, agrada muito aos tradicionais franceses.

Como moramos em Paris, fomos de carro, é bem perto, e em menos de 1h30, estávamos em Reims. Você pode optar por ir de trem, existem vários TGVs diários. E neste caso, você pode dormir no hotel do restaurante, eles têm até umas fórmulas que incluem a hospedagem e a refeição: www.assiettechampenoise.com.

Eu aconselho alugar um carro pra ter a liberdade de visitar um pouco a região. Tem a cidadezinha de Hautvilliers, onde Dom Perignon “inventou” o champanhe, com um bar de champanhe super charmoso, o Phare de Verzenay; com o Museu das Vinhas e as muitas casas de champanhe, sejam elas grandes ou de pequenos produtores. A Lina já postou aqui antes sobre a visita às caves de champanhe.

Bar de Champanhe em Hautvilliers, a cidade do Dom Perignon.

Bar de Champanhe em Hautvilliers, a cidade do Dom Perignon.

O Chef Arnaud Lallement, começou a trabalhar com o pai em 1997, quando voltou ao restaurante familiar, depois de inúmeras experiências em restaurantes renomeados como Marc Veyrat, Roger Verge e Alain Chapel. Em 2001 o restaurante obtém a primeira estrela no Guia Michelin, em 2005 a segunda e finalmente a terceira em 2014. Com essa história de vida, trabalho e disciplina, entende-se o mérito e trabalho obstinado destes chefes.

Optamos pelo Menu “Heritage”, uma viagem entre a transição da cozinha do pai ao filho, e com os produtos nobres, como lagosta azul da Bretanha. Este menu custa 198€, mas existem outros dois, o “Gout” a 138€, e o “Saveur” a 158€, além de um menu no almoço durante a semana a 68€.

"Lagostinha Royal em nuvem reduzida ", a entrada majestosa e simples já deu o sinal do que vinha depois.

“Lagostinha Royal em nuvem reduzida”, a entrada majestosa e simples já deu o sinal do que vinha depois.

"Homard hommage à mon père" , a lagosta Azul da Bretanha. Um dos melhores pratos que provei na vida.

“Homard hommage à mon père”, a lagosta Azul da Bretanha. Um dos melhores pratos que provei na vida.

A escolha do menu foi acertado, pois estávamos ali para comemorar.

Toda carta de vinhos possui uma “mosca branca”, ou seja, aquela maravilha rara e esquecida ali, num preço razoável pela sua preciosidade. Normalmente está no final da carta, pois no início estão os produtos “vitrine” que o Sommelier deseja vender mais e mais rápido. Minha “mosquinha” estava divina, fina o suficiente pra começar a noite mas complexo o bastante para acompanhar todo o jantar. No caso, o Champagne Laherte milésime 2004, 10 anos de guarda pronto pra festejar (70€), estava até com a etiqueta rasgada, prova do esquecimento na cave. O Sommelier deu uma piscadinha pra mim aprovando a escolha.

Depois ainda tivemos frango, linguado e vitelo, todos com o cozimento impecável e sempre acompanhados por um molho especial, servidos numa panelinha de bronze. Peça pra deixarem o molho ali, pra provar um pouco com o pão da casa. Todo chef francês tem “a técnica dos molhos” e, com o Lallement, não poderia ser diferente, são sublimes.

Pra finalizar o tradicional carrinho de queijos que vem servido com vários tipos de geléias artesanais diferentes. Guarde espaço pra este momento, vale a pena. Depois um “pré doce de frutas” e o doce em si, uma declinação de chocolate e, no “GRAND FINALE”, as “mignardises” (docinhos) acompanhando o café.

As "mignardises", o mix de doces tradicionais franceses em pequenas porções.

As “mignardises”, o mix de doces tradicionais franceses em pequenas porções.

Fomos os últimos clientes a sair do restaurante e o chefe teve a gentileza de vir até o carro nos cumprimentar. Saímos dali com a sensação de ter tido um momento único e um dos melhores jantares da nossa vida. Sinal de que as 3 estrelas foram mesmo merecidas. A conta sai cara (490€ para dois) mas valeu cada centavo.

O restaurante fecha às terças e quartas-feiras no almoço e de 16 de fevereiro a 6 de março. Reservas obrigatórias. Clique aqui para reservar uma mesa no restaurante Assiette Champenoise 

Restaurant L’Assiette Champenoise: 40 Avenue Paul Vaillant Couturier, 51430 Tinqueux (Reims). Tel: +33 (0) 3 26 84 64 64. Clique aqui para reservar uma mesa.

Como ir de Paris até Reims

  • Trem: a viagem tem cerca de 1 hora de duração, dependendo da data e hora do trem. Compre sua passagem antecipadamente – clique aqui – para garantir os melhores preços.
  • Carro: A viagem dura em torno de 2 horas. Obtenha o orçamento das principais locadoras de carro na França aqui.
  • Ônibus: A viagem tem cerca de 2 horas de duração. Consulte valores e faça a compra da passagem pelo site da empresa de ônibus OuiBus.