O filósofo Michel Onfray divide toda viagem em três tempos.

O tempo ascendente do desejo e dos preparativos da viagem, o tempo excitante  da descoberta do novo e do desconhecido e o tempo descendente do retorno ao lar.

A viagem não existiria sem o retorno às raízes e ao lugar seguro. A pessoa sem endereço fixo não é viajante, e sim errante. Nós precisamos ter um ponto fixo para, de tempos em tempos, nos tornarmos viajantes. Somos viajantes porque sabemos que temos nesta terra um lugar onde retornar com as malas e as lembranças.

Após a viagem e seu movimento frenético, após o uso máximo das nossas capacidades físicas, intelectuais e emotivas, precisamos do retorno e do repouso para recuperararmos as forças e energias gastas.

Precisamos reencontrar nossa cama, nossos livros, papéis e canetas, nosso cotidiano ritmado e organizado. Após os sobressaltos, alegrias e surpresas do percurso, nossa casa se torna um desejo manifesto.

Mas quando voltamos, já não somos os mesmos. Porque retornar significa voltar de algum lugar,  com outro estado de espírito. O tempo excitante da viagem é substituído pelo tempo descendente da assimilação lenta de tudo que vimos, provamos, tocamos, sentimos.

No tempo descendente do retorno, durante o repouso do cansaço da viagem, amadurecemos a experiência. O que descobrimos sobre o estrangeiro? E o mais importante, o que descobrimos sobre nós mesmos?

Nesta hora organizamos nossas lembranças. Qual foi o melhor momento? Qual a pior lembrança? Quais as comparações entre os lugares percorridos e nosso quotidiano familiar? Quais nossas certezas e incertezas.

O retorno, para nós, é a garantia de que daqui a pouco partiremos de novo.

Onfray, Michel. Théorie du voyage. Poétique de la géographie, Le Livre de Poche.


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