O senso comum diz que todo o ouro retirado do Brasil no século XVIII foi parar na Inglaterra. Não é verdade. Acaba de chegar às livrarias um livro que comprova que a França recebeu boa parte do tesouro.

Boa Ventura! – A corrida do ouro no Brasil (1697-1810), do jornalista Lucas Figueiredo, mostra que no século XVIII a França utilizou 86 toneladas do metal precioso brasileiro para cunhar moedas. Em 1786, por exemplo, 30% das moedas francesas foram cunhadas com o ouro brasileiro.

Como todo este ouro foi parar na França? A resposta está no fascínio que Paris sempre exerceu.

D. João V, o rei de Portugal que desfrutou de centenas de toneladas de ouro do Brasil, fortuna jamais vista até então no mundo, era obcecado em imitar Luis XIV, o Rei Sol da França. Assim, mandava vir de Paris o melhor que o dinheiro podia pagar, sobretudo joias. D. Maria Ana da Áustria, mulher de D. João V, tinha 520 peças.

D. José I, filho de D. João V, não foi muito diferente. Às oficinas de François Thomas Germain, em Paris, ele encomendou uma das maiores baixelas da Europa, com 1.270 peças, na qual trabalharam simultaneamente 1.200 artesãos. À mesma oficina, fornecedora oficial de Versailles, D. José contratou um aparelho para almoço em ouro maciço, uma raridade (apenas seis pequenas peças – duas colheres, dois garfos e duas facas – consumiram quase meio quilo do metal precioso).

Esses são apenas alguns exemplos de como os reis de Portugal deixaram escapar para a França uma fortuna que depois lhes faria muita falta.

Paris enfeitiça…

O autor: Lucas Figueiredo, jornalista e escritor, ganhou uma dezena de prêmios, entre eles, três Esso, o mais importante do jornalismo nacional. É autor de quatro outros livros reportagem, todos publicados pela Record: Morcegos Negros, O Ministério do Silêncio, O Operador e Olho por Olho.

 

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