Diante dos últimos eventos, Dodô – marido da Beth – (tenta) explicar o comportamento dos franceses.  Em recente debate na TV, inúmeras personalidades parisienses tentavam o mesmo exercício. As contradições levantadas por Dodô foram as mesmas deste debate. Bravo Dodô.

Texto de Dodô.


. De Asterix a Sarkozy, os franceses passaram por tantas coisas que parecem estar para sempre vacinados contra o sentimento da estranheza. Um soberano que atendia pelo codinome de Rei Sol decidiu que o Estado era ele? C’est normal.

. Poucos anos depois de terem decapitado um casal real e quase toda a nobreza, em nome da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, os cidadãos, enfim livres, coroam imperador um general autoritário, que cria uma nova corte a partir da própria família e de companheiros de caserna? C’est normal.

. O filósofo Descartes, esquarteja a realidade para tentar entendê-la e remonta-la como um quebra-cabeças de cimento-armado (embora eu nunca tenha conseguido entender o porco a partir da feijoada) ? C’est normal.

. Pelo direito de  transar nos dormitórios da universidade, os estudantes dão início a um movimento contra os valores de Papai De Gaulle, e que veio a se transformar na primeira rebelião edipiana da história? C’est normal.

. Lançar a candidatura à Presidência da República de uma senhora xenófoba (apesar do tórrido romance em Búzios com um afro-descendente, que jogava basquete pelo flamengo, no tempo em que ela ainda fazia o papel de Brigitte Bardot)?. C’est normal.

. Manisfestar-se ruidosamene nas largas avenidas que Haussmann projetou com o propósito de facilitar o controle de manifestações ruidosas? C’est normal.

.Viver em estado de permanente impaciência numa cidade que convida ao ócio descontraído? C’est normal.

. Tentar compreender os franceses? C’est bizarre.