Este artigo foi escrito por Eduardo, proprietário do excelente blog Da cachaça pro vinho.

Tem gente que é boa-vida. Tem gente que é gênio.

Agora, poucos tem o dom e a inteligência de ser as duas coisas ao mesmo tempo. E, certamente, Picasso foi.

Foi com esssa perspetiva que nos interessamos  em conhecer o Castelo de Vauvenargues, o lugar onde Picasso viveu com a esposa e fotógrafa Jacqueline e criou um montão de suas obras-primas.

E a curiosidade aumentou quando soubemos (através da Rachel Verano) que o castelo estaria aberto à visitas. As reservas pela internet são obrigatórias, as vagas são limitadas e o castelo ficará aberto até 02/10/2010.

Em pleno domingo à tarde, dia de final de Copa do Mundo, estávamos lá. Com a coincidência da Espanha estar no final.

O castelo fica perto de Aix-en-Provence e para se chegar é necessário estacionar logo na entrada da cidade Vauvenargues e andar bastante até a sua porta. A caminhada é interessante e vale a pena, já que a cidade é bonitinha.

Ao chegarmos, surpresa! As fotos são totalmente proibidas. A princípio, você fica decepcionado com esta imposição, mas logo compreende que é bem melhor apreciar tudo e todos os detalhes com os olhos e não com a lente da câmera. A partir daí, o tour guiado se torna cada vez mais informativo e emocionante.

Lá você conhece o lugar onde Picasso e a esposa estão enterrados (não se esqueçam que ele cumpriu a promessa de nunca voltar a sua amada Espanha enquanto Franco estivesse por lá); visita o estúdio dele e conhece todo o seu processo criativo (ele gostava de pintar à noite e com uso de refletores); vê os maneirismos do gênio; a sua cozinha (incrível como todo gênio adora uma boa gastronomia); passa, inclusive, pelo banheiro que ele mandou construir e onde pintou uma obra prima na parede.

Enfim, os 60 minutos do tour passam tão rapidamente e são tão envolventes que parece que você está numa montanha-russa, mas em câmera lenta. Os 8 euros pagos por pessoa (fomos eu, a Dê e a Re) foram o melhor custo e benefício de toda a viagem.

A história de que Picasso gostava e admirava tanto Paul Cézanne e que ligou pro seu agente quando comprou o castelo dizendo: “comprei a montanha do Cézanne, a verdadeira, a Sainte Victoire ” é a mais pura verdade. E também a de que ele respeitava tanto a Cézanne que nunca olhou pelas janelas para utilizar aquelas belas paisagens/iluminação como referência. Ele acreditava que Cézanne já tinha feito as “masterpieces” sobre o lugar.

Gênio e boa-vida. Picasso era mesmo!