Fotos: Patrícia Gonçalves

As fotos das vitrines das Galerias Lafayette montadas por David Lynch deram a volta ao mundo. Tudo já foi dito a respeito da interação entre a estética deste cineasta e a moda.

Mas olhando com atenção as peças escolhidas por Lynch, me lembrei de alguns artigos que li sobre racismo e manequins de vitrines e gostaria de acrescentar uma pequena observação.

Os manequins desempenham um papel importante na venda das roupas. As pessoas que passam diante de uma vitrina devem se identificar com este vendedor estático. Nas vitrines européias os manequins representam a população branca ocidental. Não se vê manequins negros ou asiáticos, apesar da diversidade do povo europeu.

Por quê? Porque os traços europeus possuem um poder de sedução maior e o manequim branco se transforma no representante universal da raça humana. E nas vitrines de Lynch os manequins são brancos.

As galerias Lafayette possuem 15.000 manequins. Cada um custa 1.500 euros e são trocados a cada quatro anos. Eles também ficam fora de moda. Nos anos 1960 os manequins tinham uma cintura fina e seios grandes como a atriz francesa Brigitte Bardot. Hoje possuem uma silhueta andrógina como a modelo Agyness Deym.