Eu estava almoçando perto da Opera Garnier. Escolho sempre uma mesa perto da janela. Até hoje gosto de observar as cenas da vida parisiense.

Eles vinham caminhando, de repente, ele parou. Ela insistiu mas ele virou o rosto como se não fosse com ele o problema. Quando ela se aproximou ele a olhou com olhinhos de cachorro e ela o pegou no colo.

Ela viu que eu tirava fotos e achou graça.

A minha maior surpresa foi constatar que os brasileiros e os franceses possuem, hoje, a mesma relação com os cachorros.

Quando sai do Brasil em 1983, cachorro era cão de guarda e pronto. Não se via, nas ruas e jardins das cidades brasileiras,  cidadãos passeando com seus cachorros.  Produtos para animais de estimação nos supermercados e os pets isso e aquilo eram inexistentes.

Hoje o número de prateleiras com roupas, sapatos, coleiras, brinquedos, casas, alimentos, vitaminas e jóias para cachorros nos supermercados brasileiros deixam qualquer cidadão francês surpreso.  Ando apostando que tem mais clínica veterinária do que de cirurgia plástica . E os pet shops e pet centers nem se fala.

Implicava tanto com os franceses e seus cachorros! E as francesas e seus cachorrinhos dentro das bolsas! Agora estamos como eles. O jeito é achar graça e prestar atenção onde coloco os pés enquanto faço meu jogging pela manhã. Tanto em Paris quanto em Belo Horizonte.