A Secretaria de Defesa de Paris sabe que a média das grandes inundações do Sena é de três por século.

A de 1910 foi destruidora, a de 1955 menos. A secretaria se prepara para a vinda da terceira. Mais de cinqüenta especialistas analisam, todos os dias, a meteorologia e medem o nível do Sena na escala métrica que se encontra na pilastra sul da ponte de Austerlitz.

Se o Sena atingir  seis metros de altura a SNCF inunda, de maneira preventiva, os túneis por onde circulam os trens do RER C. Este procedimento evitará a entrada das águas do rio na rede. A 8.60 metros, o pico da inundação de 1910, 360.000 parisienses ficarão sem aquecimento pelo fechamento de usinas de vapor instaladas nas margens do Sena. Se as águas subirem mais 15% elas inundarão o Ministério das Finanças, a estação ferroviária Austerlitz,  vinte e uma embaixadas, sendo a dos USA e a do Brasil, o Musée d’Orsay, o Musée du Quai Branly e a Assembléia Nacional. Como medida de prevenção  os manuscritos de Rousseau já foram instalados no segundo andar da Assembléia.