Não é fácil escolher o nome do seu filho na França.

Neste país existem dois grandes jornais nacionais, Le Figaro e Le Monde. De um modo geral, Le Monde sempre foi mais liberal e Le Figaro mais conservador. Eu leio os dois e ainda um terceiro, de menor penetração nacional, mais a esquerda que se chama Libération.

O jornal Le Figaro publica as anúncios de casamento, noivado, nascimento e enterros da elite francesa, das classes mais abastadas e da aristocracia. Ele publica também um guia dos nomes franceses, com uma lista anual dos dez nomes femininos e masculinos mais escolhidos no país. Cada nome recebe um pequeno comentário sobre a etimologia, em que época foi mais escolhido e quais as categorias sociais que o escolhem.

Alguns exemplos do top 10 dos nomes femininos e masculinos.

Charlotte – nome tradicional na França, desaparecido entre 1950/60, voltou a moda em 1980 e é escolhido pelas classes abastadas.

Joséphine – mais usado no norte do país.

Alice – nome nobre pela sua etimologia germânica. Muito usado em 1900 e 1910. Escolhido hoje pela hierarquia superior das empresas.

Marie – um importante nome francês. Desapareceu em 1960 e volta com força nos meios abastados.

Louis – etimologia germânica. Nome real na França. Hoje usado pela hierarquia superior das empresas.

Alexandre – escolhido em todas as categorias sociais.

Paul – nome antigo, caído em desuso. Sua volta se faz nos meios abastados.

Jules – Muito usado em torno de 1865/1870. Está na moda hoje por causa dos parisienses que adoram seu charme antigo.

Perceberam como funciona? Quando os pais decidem escolher o nome do bebe que vai nascer, eles compram o guia. Alexandre? Não, usado em todas as categorias sociais. Melhor Paul. Joséphine? Não, nome regional. Melhor Marie.

www.lefigaro.fr