February 24th, 2010
Bug
O Conexão Paris esteve fora do ar e até agora não sei porque!
Popular no Japão e nos USA, a fish therapy chegou em Paris. Em outubro 2009 a mídia anunciou a inauguração próxima de um centro oferecendo tratamentos com os famosos garra rufa, pequeninos peixes que adoram peles mortas. O centro acabou de ser inaugurado.
Nunca tinha ouvido falar nestes peixes que comem peles humanas. Não sei se a idéia me agrada. Você mergulha os pés em um aquário, os peixinhos te atacam e depois uma esteticista termina o trabalho passando esmalte nas unhas.
Maiores informações, no site abaixo.
Acabei de ler uma reportagem no jornal Le Figaro sobre um curso de design culinário oferecido pela École Superieur d’Art et Design da cidade de Reims. Para certos designers esta disciplina coloca um pouco de sensualidade e transgressão na alimentação. Os mais interessados são os chocolateiros e os pâtissiers. Os industrias ligados à indústria de alimentação mostram-se ainda reticentes.
Macarrões de Julie Rothhahn para tornar a sopa das crianças um momento divertido.
Cloche à saveurs, (sinos de sabores), uma idéia de Germain Bourré. A capacidade do chocolate a absorver os perfumes ambientes, normalmente um grande defeito, aqui é transformado em qualidade. Basta colocar canela, menta, cascas de laranja debaixo do sino e pronto.
Assiètte cassée (prato quebrado) de chocolate, um visual de Delphine Huguet.
Mesmo uma simples salada pode ser transformada em arte. Neste caso, eu dispensaria o pobre peixinho.
Fragonard, o grande pintor francês do traço perfeito, que representou com perfeição a frivolidade e os gestos expressivos.
O museu do Louvre possui várias obras de Fragonard, entre elas o misterioso Le Verrou, A Tranca.
Diante da obra, a perfeição dos drapeados do leito imenso, que ocupa quase a tela toda, causa o primeiro impacto estético. Em seguida tentamos compreender a cena. Uma mulher que resiste, sem querer resistir, aos ardores de seu amante? E este homem que tranca a porta? Um gesto autoritário? Cena de amor ou de violência? A pequena maçã ao lado do leito simboliza amores culpados?
Diante desta cena libidinosa com alguma inquietação, nos perguntamos se os gestos expressam uma ameaça difusa ou fuga amorosa.
No site do Louvre encontramos análises das principais obras do acervo. Esta é uma delas. Acho que nunca falei para vocês que o museu oferece também visitas guiadas. Durante uma ou duas horas, um professor acompanha, de obra em obra, um grupo pequeno de ouvintes. Vale a pena.
Da direita para a esquerda: André Sztajn, Edouard, Júlia e Alexis.
Paris/Pierrefonds por André Sztajn.
O Castelo de Pierrefonds fica na região de Oise, uns 85 km a nordeste de Paris. Sai um pouco do óbvio de Chantilly e Versailles. A estrada para a região de Picardie é bonita, passamos ao lado do Parc Asterix e apreciamos paisagens maravilhosas. Depois que sai da estrada, passamos por caminhos vicinais e pequenos vilarejos que são muito legais. E para chegar a Pierrefonds ainda passa pela Floresta de Compiègne, que proporciona um visual de cinema.
A pequena cidade também parece cenário de filme em torno do imponente castelo que começou a ser construído no século XII e foi resgatado por Napoleão, no inicio do seculo XIX. Vale um bom dia de passeio, saindo de Paris depois do café da manhã e aproveitando para almoçar por lá.
http://pierrefonds.monuments-nationaux.fr
O livro mais influente do mundo sobre o vinho é do Robert Parker? Não. Parker está perdendo seu lugar para um fenômeno que se chama Les Gouttes de Dieu , As Gotas de Deus.
O fenômeno é um manga japonês e os autores se chamam Sho Okimoto (ilustração)e Tadashi Agi. Ele foi considerado o “melhor livro do mundo sobre o vinho em 2009″ pelo Gourmand World Cookbook Awards. A revista anglo-americana Decanter o citou como um dos livros mais influentes dos últimos vinte anos. Ele começou a ser publicado no Japão em 2004, possui atualmente 22 números, foi em seguida publicado na Coréia, na Taiwan e em Hong Kong. As edições Glénat o publicaram na França em 2008 e, em 18 meses, venderam 350 000 exemplares.
O mundo do vinho francês não tomou conhecimento deste objeto estranho. Mas quando o desconhecido Château Mon-Pérat, citado por Les Gouttes de Dieu, viu seu millésime 2001 vender, em pouco tempo, 20 000 garrafas, os especialistas se enclinaram diante desta bande dessinée.
Tadashi Agi, aliás Yuko e Shin Kibayashi, dois irmãos, os verdadeiros autores do manga e dois grandes conhecedores de vinho, criaram uma história dentro da tradição de contos japoneses. Tudo se passa em torno do princípio da transmissão. Um degustador famoso morre e seu filho, para receber a herança paterna, deve provar que ele é o melhor. Segue um texto leve e onírico onde o filho procura dominar os segredos dos melhores vinhos. Na sua busca ele é acompanhado por um mendigo alcoólatra, uma estagiária-sommelière e um amigo louco por vinhos italianos.
A artista se chama Shadi Ghadirian e as obras foram intituladas: Comme d’habitude. O que poderíamos traduzir por Como sempre. Ou Como de hábito, uma sugestão da leitora Mada.
As fotos foram enviadas por Viviana, estudante de psicanálise e artes plásticas.
Não estou colocando lenha na fogueira. Achei a discussão sobre a proibição da burca (burqa) instrutiva e correta. Todos expressaram suas posições. O assunto é polêmico e não gostaria de estar no lugar dos políticos franceses atualmente. Mas, fazendo parte de uma geração que pensou a questão feminista a fundo, não posso concordar com a imposição desta roupa. Às vezes a arte expressa melhor do que qualquer palavra o sentimento humano. As fotos acima ilustram o que penso.
O Cordon Bleu, fundado em 1895, é um dos primeiros grupos mundiais em formação culinária.
A convite da brasileira Janine Tavares, Development Department da unidade de Paris, fui conhecer a escola e participar de um curso.
Os alunos fazem uma pause café no jardim interno da escola.
Em uma das cozinhas, todos se instalam para a aula prática. Os cursos são dados da seguinte forma: uma aula teórica, onde o chefe prepara as receitas do dia diante dos alunos. Em seguida, eles põem as mãos na massa e repetem as mesmas receitas sob a supervisão do chefe.
Eu participei somente da aula teórica. Em pé, na frente dos alunos, o chefe e a sua tradutora (inglês).
Aprendi a fazer um marbré de langoustines et ris d’agneau, sauce aigrelette, quer dizer uma mousseline de lagostas e ris d’agneau com molho de mostarda. Em seguida um rouge barbet ( peixe )servido com um gratinado de tapenade de azeitonas verdes e molho de anis e persil. E a sobremesa, peras assadas e recheadas com frutos secos.
Momento importante, o chefe abandona suas panelas, pega a enciclopédia francesa e explica aos alunos o que é o ris d’agneau. Todos fazem questão de conhecer esta especialidade francesa e ver o aspecto que ela tem crua.
Além do programa de formação profissional, o Cordon Bleu oferece programas de descobertas culinárias para amadores. São cursos curtos, de algumas horas ou um dia. Alguns exemplos: os segredos do macaron, quiches e tortas salgadas, verrines, sobremesas de chocolate. Os cursos de três horas custam 90 euros e os de um dia 175 euros.
Para maiores informações sobre os cursos:
Le Cordon Bleu - 8 rue Léon Delhomme 75015 Paris.