Peça fundamental da primavera e do outono: trench coat

Por Rodrigo Lavalle do blog Paris à Porter

O trench coat é um casaco para chuva feito de tecido impermeável, geralmente a gabardine. Ele é tradicionalmente trespassado (abotoamento duplo) com 10 botões frontais, tem lapelas largas, abas nos ombros, bolsos fechados com botões, um cinto próprio e pequenos ‘cintinhos’ ao redor dos punhos. A cor clássica é o cáqui. Não há um comprimento tradicional, ele pode variar do quadril até o tornozelo, sendo o mais usual aquele até o joelho. Ao se comprar um trench, o ideal é experimentar, se analisar no espelho e verificar se a silhueta está harmoniosa.

Desenvolvido para ser uma alternativa mais leve aos casacos militares britânicos no fim do século 19, ele tem sua criação reivindicada por duas marcas inglesas: a Aquascutum (do latin aqua = água e scutum = escudo) e a Burberry. Apesar dessa disputa aparentemente sem solução, a Burberry desde sempre foi sinônimo de trench coats.

Logo após a sua assimilação pela população civil na época da 2ª Guerra Mundial, o trench coat passou a ser uma peça fundamental e um clássico do guarda-roupa de homens e mulheres do hemisfério norte. Ele faz parte do imaginário mundial que o associa à elegância, classe e coolness, sem o aspecto pesado e sério dos sobretudos de lã. Talvez quem melhor usou e ‘marketeou’ a peça tenha sido o ator americano Humphrey Bogart em seus inúmeros papéis no cinema.

A partir de 2001, quando o estilista Christopher Bailey assumiu a direção criativa da Burberry, o trench coat teve um renascimento e voltou a ser cobiçado por um público mais jovem e descolado. A cada nova coleção, Bailey recria e reinventa a peça, aplicando a ela as tendências da estação, como, por exemplo: tachas e rebites; tecidos metalizados e de cores fortes.

Stella MacCartney e Alasdair Willis

Em virtude desse renascimento, atualmente quase todas as marcas têm a sua própria versão do trench coat. Seja no Monoprix (grande cadeia francesa de supermercados), na Uniqlo (marca japonesa que vende roupas básicas, boas e baratas), nas lojas fast fashion (Zara e Mango), nas marcas francesas de preço médio (Sandro e Claudie Pierlot) ou nas grandes grifes de luxo, sempre vai existir um modelo para cada orçamento.
O trench coat é uma ótima opção para as meia-estações (primavera e outono) quando o frio não é intenso e não há neve. Ele é perfeito para se proteger contra aquele ventinho frio da noite ou aquela chuvinha fina e chata das tardes parisienses. E, como ele é relativamente leve, é bem adequado para se levar em viagens. Outro ponto positivo é que ao se vestir um trench elevamos automaticamente o coeficiente chique do look. A dica de styling é nunca usar o cinto da maneira convencional afivelado e sim como no desenho acima: amarrado como se fosse um roupão de banho. E, para manter o charme e o mistério, sempre levantar a gola.

Segue abaixo algumas opções de trench coats que estão sendo vendidos atualmente no mercado francês. Dos mais baratos aos mais caros:

-          Monoprix : clique aqui para ver o modelo

-          Uniqlo : clique aqui para ver o modelo

-          Zara : clique aqui para ver o modelo

-          Mango : clique aqui para ver o modelo

-          Sandro : clique aqui para ver o modelo

-          Claudie Pierlot : clique aqui para ver o modelo

-          Agnès B : clique aqui para ver o modelo

-          Aquascutum : clique aqui para ver o modelo

-          Burberry : clique aqui para ver o modelo

 

Rodrigo Lavalle é Consultor Compras indicado pelo Conexão Paris. Clique aqui para conhecer sua proposta.

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Verão: espadrilles

O inverno se prolonga e começamos a sonhar com praias ensolaradas e os tradicionais acessórios usados pelas francesas elegantes.

Nas praias da Normandia e da Bretanha, você não verá sandálias de plástico. Somente as espadrilles e nós gostamos muito desta da Loewe.
As francesas também são lindas, mas esta da marca espanhola fabricada com couro vermelho e corda rosa nos conquistou!
Você encontra Loewe nas Galerias Lafayette, no Printemps e no endereço: 36 avenue Montaigne 75008 Paris.

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Paris: pop-up store da Converse (All Star)

Por Rodrigo Lavalle do blog Paris à Porter

A marca de tênis Converse, conhecida no Brasil pelo modelo ‘All Star’, abriu recentemente aqui em Paris sua pop-up store ou boutique éphémère. Localizada na região do Canal Saint-Martin (mais sobre a região aqui), a loja se chama 19YT Paris, em uma alusão ao seu endereço (19 rue Yves Toudic). Me parece que esse jeito de nomear lojas é tendência no mercado.

Com o slogan ‘Shoes keep it clean. Sneakers get dirty’ a empresa aposta no charme e no lado cool dos tênis velhos, usados e sujos. Aqueles com muitos anos de vida e muitas histórias para contar. Porém, ao invés de vender tênis realmente velhos, usados e sujos – como fez uma vez uma marca de jeans – a Converse oferece modelos ‘pré-sujos’ de fábrica. Paradoxos dos dias atuais. Tais modelos e outras colaborações – como aquela com o estilista americano John Varvatos – só são encontrados nessa loja.

No primeiro andar há também um espaço para exposição e um palco para apresentações de bandas de rock. No segundo andar temos um cantinho dedicado à customização e à reparação – Tune & Repair – onde as pessoas podem levar seus Converses antigos para uma recauchutada.

Espace Converse
 – 19YT Paris

aberto até o dia 21 de abril de segunda a sábado

19 rue Yves Toudic, 75010 – Paris

metrô linhas 3, 5, 8, 9 e 11 – estação République

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Paris: tendências primavera/verão 2013

Por Rodrigo Lavalle do blog Paris à Porter

Toda nova estação que começa traz consigo as novas tendências de moda para os próximos 6 meses. Eu particularmente sempre achei essa história de “tendências da estação” algo meio chato e cerceador. Sempre ficava irritado quando as vendedoras no Brasil me diziam algo do tipo Essa cor tá super usando!.  No entanto, é assim que a moda funciona e talvez sem as tendências ela nem sobrevivesse.

Depois de assistir a centenas de desfiles, a Vogue Paris cruzou tudo o que viu em cada um deles e fez uma lista com as tendências para a primavera/verão 2013 no hemisfério norte. Talvez algumas delas já apareçam no Brasil no inverno 2013 mas a maioria deve chegar por aí só mesmo com as coleções para o verão 2013/2014. Quem estiver vindo para Paris por agora e for fazer compras aqui, vai voltar ao Brasil super avant-garde.

Pesquisei nas novas coleções de algumas marcas francesas de preço médio (falei sobre algumas delas aqui) opções dentro dessas tendências:

-       Anos 60: vestido Paul & Joe

-       Listras: vestido Maje

-       Xadrez: vestido Cotélac

-       Estampas orientais: vestido APC

-       Smoking: blazer Zadig & Voltaire

-       Babados: vestido Swildens

-       Havaí: vestido Sandro

-       Safari: conjunto Gerard Darel

-       Quimono: vestido Les Petites

-       Metálicos: blazer Sandro

-       Plissados: saia The Kooples

-       Pois: blazer American Retro

-       Franjas: short American Retro

Uma tendência citada pela Vogue e que eu não incluí na lista é “gêmeas”. Não entendi o que eles querem dizer com isso, talvez seja para sair vestida com uma roupa parecida com a da amiga. Mas acho que essa tendência não pega. Ou será que, na verdade, essa é a grande tendência mundial que passa de estação para estação, uma vez que a maioria se veste igual, baseados naquilo que “está na moda”?

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Nova loja de Karl Lagerfeld em Paris

Por Rodrigo Lavalle do blog Paris à Porter

 Karl Lagerfeld sempre fez mais sucesso trabalhando para outras marcas do que para si mesmo. Seu trabalho na Chanel, na Fendi e mesmo na Chloé nos anos 60/70 sempre foi bem recebido pela crítica especializada e pelos consumidores. Em contrapartida, sua (falecida) marca própria, a Lagerfeld Gallery, nunca deslanchou de verdade. Eu sempre tive a impressão de que ele a deixava em segundo plano, se dedicando mais aos “chefes” do que a si próprio.

Hoje em dia Karl é um pop-star. Ele está freqüentemente dando sua opinião em algum programa de TV, além de estrear comerciais de carros e refrigerantes. Sua fama extrapolou o mundo da moda e, atualmente, ele é conhecido e reconhecido pelo público em geral. Acho que tudo isso começou lá em 2001 quando Karl fez um regime brutal para conseguir caber nos skinnérrimos ternos desenhados por Hedi Slimane para a Dior Homme. Nesse momento tudo se encaixou e ele conseguiu afinar a essência de seu personagem.

Toda essa introdução foi para falar sobre a recém inaugurada loja da nova marca de Karl, a Karl Lagerfeld. Os itens à venda, todos desenhados/criados pelo estilista, vão de chaveiros à roupas, passando por relógios, bolsas, sapatos, capas de iPad e livros de fotos. Existe até um boneco na linha ‘toy art’ representando o estilista. E é exatamente aí que reside a grande sacada dessa nova empreitada de Karl: agora ele não está só vendendo moda mas também está vendendo a si mesmo e seu status de ícone/personagem pop.

As roupas – super gráficas, algumas clássicas outras rock’n’roll e todas em preto, branco ou cinza, assim como a loja – são totalmente inspiradas nas roupas que o próprio Karl usa no dia-a-dia. Certos acessórios, como os colarinhos de camisa avulsos e as luvas de couro sem dedos (mitaines) são parte de seu guarda-roupa. O logo da marca – o perfil do estilista com seu rabo-de-cavalo e óculos escuros típicos – estampa calças, forros de casacos e capas de iPad. Como dizem os franceses: il est partout! Há um forte investimento no mercado de relógios com mais de 50 modelos disponíveis. Há ainda uma pequena seleção de livros de fotos, todas tiradas por Karl, óbvio.

Nada é caríssimo a ponto de constranger os consumidores normais e o staff é super gentil.

Karl Lagerfeld – 194 boulevard Saint-Germain – 75006 Paris – metrô linha 4 – estação Saint-Germain-des-Prés

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