Gosto tanto desta cidade que reluto apresentar os aspectos negativos. Por isto nunca falei da mendicidade, do número elevado de pessoas sem o mínimo necessário para a sobrevivência. Vivendo aqui desde o final dos anos oitenta, acompanhei o aparecimento dos SDF.
Abro um parêntese, os franceses adoram siglas. Ou então eles se sentem melhor escondendo a realidade atrás de duas ou três letras. SDF quer dizer sem domicílio fixo, traduzindo mendigo.
Paris e seus clochards, é um quadro do passado. Hoje o que vemos é um vai e vem de imigrantes mendigos, europeus ou não, vivendo nas ruas de Paris ou nos bosques que a circundam. Quando chega o inverno esta população se transforma em matéria na mídia. Desde o início dos dias frios quatro infelizes que moravam em barracos no Bois de Vincennes morreram de frio e cansaço.
Durante o dia o boulevard Hausmann é o centro do consumo francês. Vitrines maravilhosas nos departments stores, alta costura e gastronomia, turistas do mundo inteiro carregados de sacolas. A noite uma outra realidade se instala e sob as marquises das lojas dormem os miseráveis que vem pedir esmolas na ruas da cidade luz.
Nunca me permiti fotografa-los e a foto acima vem de um artigo de um jornal francês. O barraco de um dos infelizes que morreu de frio.


21 Comentários, Comentar ou Ping
Demos sorte na vida. Temos e que agradecer todo dia.
November 28th, 2008
Via todos os dias na Boulevard Saint Michel um mendigo que se ajoelhava na nossa frente com um cartaz…
November 28th, 2008
infelizmente existe em qualquer lugar do mundo, e paris tb com toda sua magia não está livre, talvez por esperança de uma vida melhor eles tentan a sorte, mas por falta de oportunidades e qualificação ficam a merçê da sorte. Que as autoridades possam olhar melhor para eles, e que a sociedade façam tb algo por essas pessoas menos favorecidas.vamos acreditar.
November 28th, 2008
Dezoito anos depois, voltei a Paris e pude constatar essa dura realidade. Tb não consegui fotografar, e, como disse a Bete s, acontece em muitos lugares do mundo moderno. Pude ver isso tb em S.Francisco (CA).Lugar rico, mas em várias esquinas havia “sem tetos” pedindo ajuda. Governos gastam não mais “bi” e sim “trilhões “em armas e guerras…
November 28th, 2008
Muito triste e nós brasileiros conhecemos bem esta dura realidade.E este problema vem aumentando nos países ricos.Várias vezes,saindo já tarde da noite de restaurantes em Paris,vi carros distribuindo alimento aos sem-teto espalhados pelas ruas.Passeando pelo Canal de Saint-Martin,fiquei chocada com a quantidade de tendas armadas que abrigavam pessoas,cachorros,em péssimas condições de higiene.Várias outras tendas também ao longo do Sena.
Uma vez vi uma reportagem na Tv5 sobre uma organização que recolhe estes sem-teto e levam para um barco ancorado nas margens do Sena,que funciona como alojamento e tenta inseri-los no mercado de trabalho.O nível de acomodação e ajuda que eles oferecem achei excelente.
November 28th, 2008
MUITO TRISTE….
November 28th, 2008
Infelizmente, esta é a realidade nua de um mundo que há muito, tem dado as costas à ultrajante desigualdade social. Não é mais possível manter-se atrás dos muros de Versailles sem reconhecer os que a vida deu oportunidades diferentes, como parte integrante e indispensável da social humana.
November 28th, 2008
Pois é, e não é somente em Paris. Este é um dos lados negativos da globalização
November 28th, 2008
Olá Lina,
tanbém vi as duas realidades em Paris, a primeira uma senhora Árabe de quase 80 anos mendigando no metrô Bastille achei muito triste vê essa cena em Paris, a outra uma Árabe num café na Champs Élysées coberta da cabeça aos pés de tecido Dior, Boucheron no pulso e várias sacolas da Cartier e Chanel.
Duas pessoas da mesma nacionalidade e meios de vida totalmente diferentes.
November 28th, 2008
o também foi digitado errado
November 28th, 2008
Quando estive na Suíça isso me chamou a atenção. Não vi nenhum mendigo, nem na cidade que estava(à 20km de Zurich) e nem na própira Zurich, apesar dos amigos que moravam lá dizerem que eles existiam e estavam aumentando.
Amo minha cidade, obviamente são cidades bem diferentes (Rio e Paris), mas a questão da população de rua em uma cidade turística é algo que salta aos olhos e nos traz de volta à realidade…Um dos principais motivos para me tornar guia de turismo, foi o prazer que tenho de mostrá-la aos amigos estrangeiros. Também sou estudante de Ciências Sociais e acredito na ação da sociedade para mudar esse quadro. Não apenas pressionando governos mas agindo na sua própria vizinhança. Assumindo seu papel de cidadão.
Quando somos turistas não temos muito o que fazer, apenas consumir e esperar que a população e governo local gastem bem os euros que deixamos por lá…
November 29th, 2008
Moro em Paris há três meses, aprecio muito este blog desde que comecei a preparar minha mudança do Rio de Janeiro, e gostei muito de ver este assunto mencionado aqui.
November 29th, 2008
Moro num bairro no Rio onde há muita gente pobre, às vezes gostaria de me aproximar, de ajudar de forma mais direta, mas tenho medo, confesso. Acho que todo bairro deveria ter um centro de acolhimento de pessoas sem teto, onde qualquer um poderia ir para ajudar no que pudesse. Admiro muito quem se entrega ao trabalho voluntário e gostaria de ser mais atuante nesse aspecto.
um abraço,
clara lopez
um abraço,
clara lopez
November 29th, 2008
Tem só imigrante nao!!!
Outro dia encontrei um sdf na casa de amigos de “gauche bien gauche”. Era um senhor que trabalho na companhia de trens, divorciou, começou a beber, foi saindo, saindo, saindo do sistema e agora mora na rua. Minha amiga disse que quando ele se sente muito, muito mal da uma passadinha na casa deles.
Tem também jovens que sao contra tudo…, ou que ano encontraram o caminho deles.
Tem sim, gente que nasceu aqui e que é muito infeliz e precisa de ajuda. E nao basta dizer: dorme aqui nesse asilo… é bem mais complicado…
November 30th, 2008
Moro na Champs Elysees e aqui é incrível o número de mendigos nas calçadas ajoelhados com um copinho na mão pedindo dinheiro.
Porém se eu for ajudar todo mundo fico sem dinheiro no final do mês, é cruz vermelha pedindo dinheiro, bandinha de metrô, cigano, surdos/mudos, proteção aos animais, asilo. Não tem como ajudar ninguém, isso é papel do governo. Aqui tem muito mais gente pedindo dinheiro nas ruas que no Brasil. Deve ter mendigo da champs elysees que ganha mais que muita gente no final do mês.
O que eu noto bastante é a quantidade de pessoas atormentadas mentalmente, gente falando sozinha no metrô e etc.
Paris é linda, porém para viver aqui, tem que pagar um preço alto, uma cidade que é vitrine mundial para o consumo de luxo, frequentada por turistas abastados e vizinhança egoísta e egocêntrista, o mais frágil sucumbe.
É fato que quem mora em Paris por mais de 2 anos, é uma pessoa mais endurecida. Amo e odeio Paris todos os dia.
November 30th, 2008
Lina,
eu estava bem pertinho do Bvd Haussman e via isso todas as noites. Sem dúvida, foi algo que me surpreendeu em Paris.
December 1st, 2008
Lina, acabei de chegar de Paris e a mendigagem realmente nos chamou a atenção… Em frente ao Printemps, uma dura realidade… É muito triste, pricipalmente quando tem crianças… Faz a gente pensar…
December 9th, 2008
Acabei de ler um livro autobiográfico do George Orwell, chamado “Down and out in Paris and London” que narra parte da vida do escritor quando ele vivia como mendigo em Paris e depois Londres. Isso aconteceu na decada de 40 e a narrativa é impressionante.
December 13th, 2008
É, as coisas estão piorando. Uma das coisas que sempre me impressionaram em Paris era a pouca ostensividade em relação à mendicância. Claro que vi! Mas aquela coisa meio abjeta como há no Rio de Janeiro, nunca.
March 13th, 2009
Enquanto isso uma simples bolsa na Loui Viton custa 9000€…eita mundinho injusto
January 5th, 2010
Responder para “O outro lado da realidade”